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Reportagens

Tratamento espiritual a deficientes mentais
demonstrada em tese de mestrado por médico psiquiatra
LUÍS
DE ALMEIDA
Metodologia
científica avaliou os efeitos terapêuticos de práticas espíritas e verificou
a ocorrência de melhoras em pacientes com deficiência mental (1) em tese
defendida pelo médico psiquiatra Frederico Camelo Leão.
A prática espiritual, quando empregada em conjunto com padrões
médicos convencionais, pode ser um tratamento eficaz para a deficiência
mental. É o que concluiu o médico psiquiatra Frederico Camelo Leão (2) em sua
dissertação de mestrado defendida no Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo universidade de São Paulo (FMUSP). O investigador brasileiro analisou
os casos de 650 pacientes internados nas “Centro Espírita Nosso Lar Casas
Espíritas André Luiz (3)” – Instituição de Saúde e
Entidade filantrópica sem fins lucrativos, que cuida de mais de 1400
pacientes com deficiência mental, com varias especialidades médicas, onde
mantêm uma Unidade de Longa Permanência e um Ambulatório – onde trabalha como
psiquiatra, e verificou que aqueles que foram submetidos a determinadas
sessões mediúnicas obtiveram melhoras significativas.
O médico utilizou a metodologia científica (estatística e
escala psiquiátrica de avaliação) para analisar o efeito das chamadas
"sessões mediúnicas". Segundo a crença espírita, o médium é capaz
de “incorporar” a mente do deficiente mental e intermediar a comunicação
entre o paciente e o grupo presente no encontro.
Num primeiro momento, Frederico Leão avaliou o estado de saúde
dos pacientes que compuseram sua amostra e, seis meses depois, fez novas
avaliações. "Embora todos os pacientes tenham obtido melhoras, o grupo
dos vinte que participaram das sessões mediúnicas (que se comunicaram pelo
médium) teve avanços ainda mais significativos do que aqueles que receberam
outros tipos de tratamento espiritual", atesta o médico psiquiatra.
A maior parte dos pacientes observados sofrem de deficiências
"graves e profundas", como define o Dr. Frederico Leão. Há muitos
casos de paralisia cerebral e cerca de metade deles é acamada. As idades
variam de 4 a 50 anos, e a maioria são adultos jovens.
Critérios
Como método de avaliação dos pacientes, o pesquisador utilizou a Escala de
Observação de Pacientes Psiquiátricos Internados (EOPPI), que considera
factores como desempenho motor, comunicação verbal, dificuldade em se
realizar tarefas quotidianas e a ocorrência de sintomas de delírio.
"Estatisticamente, os vinte participantes das sessões mediúnicas
obtiveram melhoras consideráveis, que estão fora do campo do acaso", comenta
Leão.
Como os
pacientes não sabiam de sua participação nessas sessões, aponta o
investigador, deve ser excluído o efeito placebo
(efeito psicológico de melhora ocasionado pelo simples conhecimento de que se
está recebendo um determinado tratamento). Era preciso observar a
incorporação do médium e somente então identificar o paciente que
supostamente se expressava. Os que acreditam nessa possibilidade de
comunicação apostam que, ao falar de suas angústias e problemas, os pacientes
obtêm benefícios psicoterápicos.
Hipóteses e objectivos
Para explicar os efeitos do tratamento espiritual, Frederico Leão levanta a
hipótese de que as melhoras correspondem às práticas da instituição espírita,
embora ela não explique a maior eficiência terapêutica das sessões
mediúnicas. O facto de os funcionários, devido à sua formação espírita,
tratarem os pacientes com maior atenção e humanismo, por exemplo, pode ser um
dos factores que auxiliam no tratamento. Reforça essa hipótese a constatação
de que todos os pacientes submetidos a qualquer prática espiritual tiveram
melhoras em seu quadro clínico quando comparados àqueles que receberam apenas
o tratamento convencional.
O médico
psiquiatra de São Paulo destaca que o principal objectivo de seu trabalho é
incentivar novos estudos na área. "A expectativa é estimular análises
mais detalhadas, que considerem um período maior de observação e trabalhem
também com instituições não-religiosas",
afirma.
Resumo da tese
RESULTADOS
Grupo geral: A população estudada é constituída por 650 pacientes, todos
portadores de deficiências múltiplas (figura 2).
Grupo Experimental: Ocorreram 58 comunicações em reunião mediúnica durante o
período do estudo. Nestas, 20 satisfizeram os critérios de identificação
adoptados pelo autor e 38 não.
1. Dados Biodemográficos
Pode-se observar pela tabela 1 e também figuras 1 e 2 que não há diferenças
entre os dois grupos quanto às variáveis género, grau de deficiência mental e
idade.
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TABELA 1 - Dados Biodemográficos: Idade |
| Variável |
Grupo Teste
|
Grupo Controle |
Teste |
Idade (anos)
μ ± dp
Mínimo - |
N = 20
35,0 ± 9,9
16 - 56 |
N = 20
34,6 ± 9,3
16-49 |
Teste t
p=0,91
ns |
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Onde: ns=Não Significativo |
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FIGURA 1 - GÊNERO |
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Qui-quadrado (p=0,91) ns |
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FIGURA 2 - GRAU DE DEFICIÊNCIA
MENTAL |
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V.N.I = Variação Normal de Inteligência |
2. Resultados da Escala de Observação Interativa de Pacientes
Psiquiátricos Internados (EOIPPI)
A análise estatística compara o grupo experimental (N=20) com o grupo
controle (N=20), constituído pelo método de pareamento por idade e
género. Aplicando o teste T da diferença de variação entre os grupos
obtivemos um p=0,045. Test t pareado p<0,0001.
Observa-se na figura 3 que quando comparados os 2 Escores dos grupos
experimental(N=20) e grupo controle, os dois grupos diferem entre em si
pela variação entre Escore I e II (teste T, p<0,05). Este resultado é
confirmado pelo teste Qui-quadrado (p=0,008) conforme tabela 2.
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TABELA 2 - Dados de Variação Escore |
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Variável
|
Grupo Teste |
Grupo Controle
|
Total |
Teste |
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Com Variação |
11 |
03 |
14 |
Qui-quadrado |
|
Sem Variação |
09 |
17 |
26 |
p=0,008
S |
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TOTAL |
20 |
20 |
40 |
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Onde S = Significativo 55% melhoraram |
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FIGURA 3– MÉDIA DA DIFERENÇA
ENCONTRADA NA ESCALA |
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Fonte: Adaptado do original
de Flávia Souza da Agência de Notícias da Universidade São Paulo,.
Brasil
1) A tese de Mestrado do doutor Frederico Leão está disponível no site
da AME PORTO – Associação Médico-Espírita da Área Metropolitana do Porto
em
www.ameporto.org em “artigos”
2) Dr. Frederico Camelo Leão é membro do NEPER - Núcleo de Estudos de
Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo
3) Casas espíritas André Luiz
http://www.andreluiz.org.br
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal de Espiritismo” de Portugal

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