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Reportagens

"Os Mecanismos da Mente" em
simposium na cidade do Porto
CIENTISTAS DE RENOME MUNDIAL ESTUDAM O ESPÍRITO
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Auditório da "Casa do
Médico" do Porto, onte teve lugar o evento. |
A Fundação Bial é uma
instituição sem fins lucrativos, considerada de utilidade pública pelo
governo português, que foi constituída em 1994 pelo Conselho de Reitores
das Universidades Portuguesas e pelos Laboratórios Bial, tendo como
objectivo incentivar o estudo científico do Homem, tanto do ponto de vista
físico, como do ponto de vista espiritual. Sitiada no Grande Porto.
A Fundação canaliza os seus apoios ao desenvolvimento científico na área
da Saúde através de duas acções distintas: as Bolsas de Investigação
Cientifica e o Prémio Bial, bianual, o maior prémio pecuniário português e
um dos maiores, no campo da Saúde, na Europa. Em termos financeiros é o
segundo logo a seguir ao "Prémio Nobel".
A Fundação tem os altos patrocínios do Senhor Presidente da República, do
Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e da Ordem dos Médicos.
A Fundação Bial, instituição de utilidade pública, lançou em 1994 um
sistema de bolsas de investigação científica destinadas a incentivar o
estudo neurofisiológico e mental do homem, despertando o interesse dos
investigadores das áreas da Psicofisiologia e da Parapsicologia.
Nessa primeira edição foram apresentados quarenta e oito projectos,
envolvendo cento e quarenta e nove investigadores, dos quais foram
seleccionados e apoiados dez projectos de trinta e três cientistas, que
foram contemplados com 40 mil contos.
Em 1996 foi lançado o segundo pacote de bolsas, considerando as mesmas
áreas de investigação científica. Candidataram-se quarenta e sete
projectos, envolvendo cento e cinquenta e seis investigadores, dos quais
foram seleccionados dezoito projectos, que foram contemplados com 100 mil
contos. Dos trabalhos seleccionados, nos domínios da Psicofisiologia e
Parapsicologia, dez foram desenvolvidos por equipas portuguesas, três por
norte-americanos, duas por britânicos, duas por brasileiros e um por
franceses.
Em 1998 foi lançado o terceiro pacote de bolsas, considerando ainda as
mesmas áreas de investigação. Foram apresentados setenta e três projectos,
de duzentos e vinte e seis investigadores, provenientes de treze países.
Foram seleccionados vinte e cinco projectos, envolvendo oitenta e cinco
bolseiros de seis países diferentes (Argentina, Austrália, Islândia,
Portugal, Reino Unido e E.U.A.). Foi disponibilizada para estas bolsas uma
verba superior a cem mil contos.
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Entre os centros de
investigação apoiados encontram-se: AREA - Lisboa, Centro das Taipas -
Lisboa, Centro de Estudos Ambientais Harry Reid de Las Vegas - EUA, Centro
de Estudos de Educação e Psicologia da Universidade do Minho - Braga,
Centro de Estudos Egas Moniz/ Hospital Sta. Maria - Lisboa, Centro de
Investigação Rhine - EUA, Centro de Medicina Desportiva - Porto, Centro de
Saúde da Foz do Douro - Porto, Faculdade de Psicologia - Lisboa, Faculdade
de Psicologia e Ciências da Educação - Lisboa, Hospital de Sto. António -
Porto, Instituto de Noetic Sciences - EUA, Instituto Nacional de Terapia
de Vivências Passadas de São Paulo - Brasil, Instituto Português de
Oncologia Francisco Gentil - Lisboa, Instituto Psicofisiologia de Nantes -
França, Instituto de Psicologia da Faculdade de Medicina de Lisboa,
Instituto de Psicologia Paranormal - Argentina, Laboratório de Ciências
Cognitivas de Palo Alto - EUA, Laboratório de EEG / Faculdade de Medicina
- Lisboa, Laboratório de Psicologia da Universidade do Minho - Braga,
Priory Hospital - Inglaterra, Rollins College - EUA, The Seven Experiments
Project - Inglaterra, Unidade de Estudos e Investigação em Psicologia -
Lisboa, Universidade de Adelaide - Austrália, Universidade de Ciências
Exactas e Humanas - Faro, Universidade de Ciências Médicas de São Paulo -
Brasil, Universidade de Edimburgo - Escócia, Universidade de Harvard -
EUA, Universidade da Islândia, Universidade de Maryland Baltimore County -
EUA, Universidade Moderna - Porto.
Para que os seus bolseiros possam ter um espaço alargado de discussão dos
seus projectos, a Fundação Bial levou a cabo o seu 1º Simpósio,
subordinado ao tema "Aquém e Além do Cérebro", em Março de 1996, em
colaboração com a sociedade Portuguesa de Psicossomática, na cidade do
Porto
Dado o êxito da primeira edição, entendeu a Fundação Bial realizar o seu
2º Simpósio, também subordinado ao tema "Aquém e Além do Cérebro", que
decorreu em Abril de 1998, na cidade do Porto
Para além dos bolseiros foram convidados e estiveram presentes como
conferencistas alguns investigadores norte-americanos e europeus, como
António Damásio (Iowa), Dean Radin (Nevada), Fernando Gil (Sorbonne),
Jerome Kagan (Harvard) e Robert Morris (Edinburgh).
O Simpósio teve como objectivo discutir um tópico específico - A noção do
Eu ("self") -, debruçando-se tanto na abordagem dos resultados
convencionais da ciência cognitiva e da neurociência, como na abordagem
científica do estudo dos fenómenos parapsicológicos.
A Fundação Bial, na sequência dos dois anteriores simpósios, decidiu levar
a cabo o seu 3º Simpósio Aquém e Além do Cérebro, que decorreu de 6 a 8 de
Abril de 2000, na Casa do Médico, mais uma vez na Invicta - Porto.
Este Simpósio teve como Presidente honorário o Senhor Prof. Doutor
Fernando Lopes da Silva e como membros da Comissão Organizadora os
Senhores Profs. Doutores Nuno Grande, Robert Morris, Rui Mota Cardoso e
Mário Simões.
Para além dos bolseiros foram convidados e estiveram presentes como
conferencistas alguns investigadores norte-americanos e europeus: António
Martins da Silva (Porto), David Marks (Middlesex), Deborah Delanoy
(Northampton), Dietrich Lehmann (Zurich), Edwin May (Palo Alto), Erlendur
Haraldsson (Reykjavik), Hoyt Edge (Florida), John Gruzelier (London), Luís
Sobrinho (Lisboa), Martina Belz-Merk (Freiburg), Peter Fenwick (London),
Richard Bentall (Machester), Richard Broughton (Carolina do Norte),
Richard Wiseman (Hertfordshire), Robert Morris (Edinburgh) e Teresa Paiva
(Lisboa).
Foi intenção expressa da Fundação Bial ao realizar o seu 3º Simpósio
recentrá-lo num objecto de estudo definido - As Vivências Excepcionais - e
programá-lo num objectivo claro e sistemático - a utilização dos
instrumentos da ciência necessários à sua compreensão e explicação.
As Vivências Excepcionais são pouco compreendidas pela maioria dos médicos
e psicólogos; no entanto, parecem ser importantes para aqueles que as
experimentam e não são esquivas à racionalidade e à experimentação
empíricas e objectivas.
Neste desiderato, o Simpósio constou de quatro sessões estruturantes.
A primeira sessão abordou a definição, descrição e sistematização das
Vivências Excepcionais, recorrendo a metodologias tutelares das ciências
sociais e naturais, incluindo nestas a neuropsicologia, a psicofisiologia
e a parapsicologia.
A segunda sessão explorou o contexto do fenómeno, a sua fenomenologia e
intencionalidade.
As duas últimas sessões apresentaram os progressos recentes no estudo dos
aspectos psicofisiológicos das Vivências Excepcionais e dos mecanismos do
cérebro a elas associadas. As descobertas relevantes deram valor à
implicação das mesmas na compreensão do mundo e do lugar que nele
ocupamos.
Um painel-debate integrou finalmente os temas referidos ao longo de todo o
Simpósio, apontando caminhos para a investigação fundamental e aplicação
futura.
Durante os três dias do simpósio estiveram expostos trinta posters
relativos às investigações levadas a cabo pelos bolseiros da Fundação
Bial, tendo as largas centenas de participantes tido oportunidade de
discutir com os bolseiros os resultados das suas investigações. Cerca de
400 cientistas, médicos e psicólogos, embora também presentes outros
investigadores, como físicos e químicos. Participaram juntamente com vinte
professores universitários europeus e norte-americanos
Robert Morris, Hoyt Edge, Richard Broughton e Martina BelzMerck abordam a
metodologia cientifica utilizada no estudo de fenómenos como a telepatia,
a clarividência,, as visões, as percepções extra-sensoriais e a
psicocinese, em largas dezenas de universidades europeias e
norte-americanas.
Lopes da Silva, Dietrich Lehmann, Teresa Paiva e António Martins
apresentaram as ultimas revelações sobre as medidas neuropsicofisiologicas
de avaliação da actividade cerebral, nomeadamente em situações de vigília
e de sono, utilizando a electroencefalografia, a magnetoencefalografia e
ainda alguns dados hormonais e neurovegetativos.
John Gruzelier, afirma de forma concludente após varias experiências
levadas acabo, para o perigo da hipnose feita a torto e a direito.
Requerendo muita prudência, conhecimento, bom senso e tacto.
David Marks, Jonh Gruzelier, Richard Bentall e Richard Wiseman, referiram
alguns dados actuais relativos à pratica da psicologia clinica e da
psiquiatria, apresentando argumentos quanto à falta de evidencia
cientifica de certos fenómenos parapsicológicos e demonstraram algumas
situações fraudulentas, evidenciando a necessidade de manutenção de forte
sentido critico e de utilização permanente do rigor do método cientifico
no estudo destas áreas. Em que estes comportamentos de pessoas sem
qualquer moral, levam à descrença destas realidades bem lactentes por todo
o mundo, independente de suas culturas, credos e tipos de população.
Peter Fenwick, relata vários casos de "Vida Após a Vida".
Rui Mota Cardoso, afirma "Não vou acreditar que a ciência explicará tudo,
nem vou acreditar em nada que não seja a ciência a dizer". Este aparente
paradoxo, foi muito bem conseguido, mas não o é para nós espiritas.
Na mesa-redonda de síntese e conclusões, orientada por Peter Fenwick,
evidenciou-se um certo consenso em torno da necessidade urgente de
desenvolver e aprofundar a investigação psicofisiológica e
parapsicológica, na convicção de que descobertas relevantes poderão
implicar uma melhor compreensão do mundo e do lugar que nele ocupamos, o
que foi reafirmado por Nuno Grande, presidente da comissão organizadora do
simpósio - durante a sessão de enceramento.
O presidente da Bial, Luís Portela, no terminus do Simpósio, coloca uma
questão, aos 400 cientistas presentes, incluindo o Ministro Português da
Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, "Quem de vocês acredita que o homem é
puramente um ser material? Os que acreditarem levantem o braço." Para
espanto ou não, somente seis braços levantaram.
Luís Portela, médico portuense, um paladino na investigação de fenómenos
mediunicos e espirituais, como ele próprio adverte, que os cientistas têm
a obrigação e o dever de olhar para o homem sem medos e receios atávicos,
daquilo que estudam em laboratório e das experiências vivenciadas por eles
próprios, - de as transmitirem à humanidade. O Homem é um ser dotado de
espírito. "O Objectivo desta fundação é demonstrar cientificamente que o
homem é um ser físico e espiritual. Pretendemos apresentar os trabalhos
dos bolseiros à comunidade cientifica em geral. Levando o Homem ao
encontro da Paz e Harmonia como ser espiritual que o é.", conclui o
presidente da Fundação Bial.
Lopes da Silva, uma das maiores autoridades mundiais em "epilepsia"
apresenta a sua investigação que pode levar mais tarde, acreditamos, pois
é inevitável, explicando como o ser humano se relaciona consigo próprio e
com o mundo. "o campo das investigações do cérebro esta bem representado
mas, mesmo assim, há ainda uma grande falta de coordenação ou de
colaboração das pessoas que trabalham ao nível do cérebro, quer no sentido
fisiológico quer no psicológico. O funcionamento do cérebro não pode ser
representado por uma linha continua". Indo mais longe, no encerramento do
Simpósio, advertiu os cientistas, com a autoridade que lhe é reconhecida
mundialmente, que têm o dever de estudarem o ser humano, não somente como
ser físico que o é também, mas como ser espiritual. E que ambas constituem
o ser humano que ainda não conhecemos na integra. Só desta forma poderemos
chegar ao sucesso, afirma o laureado por Jorge Sampaio, Presidente da
Republica Portuguesa, com a Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de
Espada.
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal
Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

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