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Reportagens

VI Congresso Espírita
Nacional Espanhol
CIUDAD REAL (1998)
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António Yedo Flores
(secretário da FEE); Santiago Genè (presidente da FEE; Teresa Cruz Reyes -
Maitê (presidente Centro Espírita Amor Fraterno); Isabel Porras Gonzaléz
(vice-presidente FEE); Juan Miguel Fernandez (tesoureiro da FEE). |
O VI Congresso Espírita
Nacional Espanhol, ocorreu nos dias 6, 7 e 8 de Dezembro de 1998, no Hotel
Doña Carlota em Ciudad Real. Organizado pelo Centro Espírita Amor
Fraterno, de Alcázar de San Juan, sob o hospício da Federação Espírita
Espanhola. Tendo como tema “A Missão do Espiritismo no Mundo”.
A convite da Organização, lá fomos para terras de D. Quixote. Espanha
nunca mais será a mesma... que o diga a FEE e a Mocidade Espanhola.
Estávamos conversando, e um jovem de 90 anos, cheio de vivacidade
abordou-nos em castelhano. Ouvimos uma voz: «hei... chico!», e começa a
narrar a Guerra Civil de Espanha, como ex-combatente e espírita daquela
época, bem como das dificuldades que passaram. Era um leitor assíduo dos
órgãos oficiais da FEESP - “Jornal Espírita” e “Semeador” -, e seu
ex-colaborador, quando esteve exilado em São Paulo. Reconhecendo-nos de
imediato, como colunista e repórter. Para nosso espanto ou talvez não,
ficamos sabendo que os espanhóis, sabem muito pouco de Portugal e de seus
órgãos de comunicação social escrita. Dá mesmo vontade de dizer “tão
longe... mas tão perto!!!”, ao lembramo-nos de um filme de Wim Wenders -
«In Weither Ferne, So Nah!» - «Tão Longe, Tão Perto». E ainda se diz por
aí, que Portugal é a porta do Espiritismo para a Europa. Bem,
relativamente a essa afirmação de fundo, duvidamos seriamente, como Rénè
Descartes nos logrou, mas... aguardamos o que os homens de hoje fazem do
futuro. Não basta dizê-lo, é preciso fazê-lo.
Depois das normais burocracias, houve lugar para o convívio, a
confraternização, bem aprazíveis mesmo, com todos os participantes do
evento, cerca de 250, em perfeito entusiasmo e expectativas.
Num recinto muito gracioso, principia o Evento pela manhã de Domingo,
presidido por Santiago Gené Mateu - Presidente da FEE, Isabel Porras
Gonzalez - Vice-Presidente da FEE, Teresa Cruz Reyes - Presidente do
Centro Espírita Amor Fraterno, Divaldo Franco e Carlos Campetti.
Santiago e Maitê - Teresa Cruz Reyes - abriram o Congresso, saudando todos
os presentes. A conferência inaugural, é aberta por Divaldo Franco,
abordando temáticas que preocupam a humanidade, sempre de forma serena e
ilustre. Apesar, no seu discurso iluminado, denotar-se, uma simplicidade a
que nós portugueses, não estamos habituados.
Tristemente, o salão de conferências ficava sempre sem a moldura humana
que o envolvia, quando não estava o tribuno baiano. Perdendo-se muitos
momentos enriquecedores, por parte de outros congressistas. Todavia, o que
chamou mais a atenção, foi a quantidade de jovens que estavam presentes, e
alguns como conferencistas. Encantando com suas intervenções entusiastas e
brilhantes.
Do sonho à realidade
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Centro Espírita José
Grosso: Juan Manuel Ruiz, Carmen Maria, Paloma Azofra, Mamen Morillo, Olga
Téllez, Manolo Garcia, Rafael Aroca. |
O jovem de Manzanares, sul de
Espanha, Salvador Martín, abre a conferência com o tema “Uma Nova Ciência”
extraordinariamente bem elaborado, cronologicamente e cientificamente
falando. Surpreendendo a sua limpidez doutrinária, ao abordar a
importância e a evolução da ciência, na realidade fenoménica casual, bem
como o paralelo com a evolução da humanidade e seus efeitos. «O
Espiritismo é como uma mesa com três pernas, se tiramos uma delas ela cai,
daí a sua importância, como um todo. Todavia, não basta falar de
moralidades, todo o mundo as conhece, é necessário explicar bem alicerçado
na ciência qual a importância de vivermos bem e pelo bem», comenta-nos o
gentil Salvador, um dos fundadores do Centro Espírita Caminho de Luz, após
o falecimento de seu pai, também espírita.
«Formamos o Grupo sem conhecer nenhum espírita, nem o idioma português, o
que não foi, nem é nada fácil, e assim surge o nossa pequena casa, faz
cinco anos. Cada um entrou paulatinamente e com suas razões especificas»
comenta o jovem Juan Manuel Ruiz, presidente do Centro Espírita José
Grosso, em Córdoba, sul de Espanha, com alguns dos restantes
colaboradores, sendo a maioria jovens; Carmen Maria, Paloma Azofra, Mamen
Morillo, Olga Téllez, Manolo Garcia e Rafael Aroca. Deliciaram todos com a
sua simplicidade, simpatia, dedicação e muito trabalho. Mamen Morillo,
apresentou-se como uma tribuna com toda a vivacidade e conquistando o
público. Abordando a “Realidade Intima e Social do Médium” com enorme
propriedade e conhecimento. No final de sua intervenção, dirigiu-se a nós,
e abraçou-nos, com todo um carinho ilustre. Dizendo-nos: «Querido Luís...,
como me saí? Foi difícil para a primeira vez... mas, estive sempre com
enorme tranquilidade e serenidade pois, esta temática é de grande
importância na educação do médium, no seu auto-descobrimento, estudo,
conhecimento, meditação e sua postura perante a sociedade, seja ela de que
quadrante for».
Em seguida a juventude de Córdoba deu as suas maiores saudações, dignas de
registo. «O nosso grupo é uno. Sabemos que todos somos diferentes, mas
unidos, pois somente temos um objectivo - servir; cada um é uma peça de um
todo. A unificação no nosso grupo é importante e bem real, mas não à que
confundir com uniformização. Todos nutrimos uma amizade sincera uns para
com os outros; sem mentiras, hipocrisias, vaidades ou “febre” doentia de
poder. A fraternidade é a nossa “formula secreta”. O outro... é sempre
mais importante que nós mesmos», comenta a afável Paloma Azofra, com uma
sinceridade bem lactente e catalítica, portadora de uma bondade
expontânea.
Afinal as fantasias, só passam pela mente dos ilusionistas. «O sonho
comanda a vida», disse António Gedeão, e é bem real, que o sonho tornou-se
realidade neste grupo.
Deixam o convite aos jovens portugueses e brasileiros para os visitarem;
na troca de experiências e da confraternização que tanto falta, entre os
países ibéricos.
Aqui fica a morada, a pedido deste admirável grupo de jovens de Córdoba:
Centro Espírita José Grosso, Calle Antonio Maura nº 20, 3ºd - 14004 -
Córdoba - Espanha.
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Um pequeno grupo da futura
Mocidade Espírita. |
Os dados lançados
«Este é o nosso segundo
congresso, mas faltam temas importantes perante a sociedade, como o da
Isabel Porras relativamente ao “Autismo e suas Ascendências Espirituais”,
mas apesar deste congresso estar cheio de juventude falta “algo” entre
nós, que não sei explicar bem» confidencia-nos o jovem Sebastian Gomez, de
Villalba, perto de Madrid. Um companheiro bastante inteligente e com uma
visão rejuvenescedora. Sebastian foi o catalisador de tudo, o que começou
a estruturar-se paulatinamente em nossa mente. Em conjunto começamos a
reunir alguns jovens. Passado uns minutos eram mais de 20, 30 e começou
crescendo. Até que nos reunimos num salão enorme, e as cadeiras já não
chegavam para todos.
Começamos por apresenta-los uns aos outros, num clima surpreendente. Um
português rodeado de espanhóis, desde o norte a sul. Era visível a alegria
estampada em seus rostos, ao se conhecerem pela primeira vez, trocarem
experiências e endereços. Deixamos ordenadamente cada um comentar sua
vivência. Um clima doirado, instala-se.
Manuel Soñer, de Réus, afirma: «no nosso grupo cerca 30 pessoas, a maioria
é constituída por pessoas abaixo de 40 anos», e continua «é nossa aposta
dar continuidade a esta iniciativa. É valiosa demais para ficar assim.
Pessoalmente, irei comprometer-me com este projecto. Veio tarde, mas a
tempo» A jovem conferencista Teresa Vásquez, de Barcelona expondo o tema
“Educação Espírita para a Infância e Juventude” aflorou a importância dos
seus alicerces desse escalão etário e seu papel crucial e primordial na
educação do mesmo. Rumo a uma humanidade mais fraternal, comentando com
uma alegria extraordinária: «Ao fim de 6 anos, pela primeira, vez estamos
hoje vivendo uma realidade imprescindível para o crescimento do
Espiritismo em Espanha. Uma reunião como esta é fundamental e necessária.
Que todos que estamos aqui, saibamos abraçar o mister que veio até nós
“inesperadamente”, sempre com a orientação do Codificador», termina a
jovem mãe e dirigente do DIJ da associação que participa, «temos que
trabalhar para deixarmos ao nossos filhos o valor da proposta que o
Espiritismo nos lega, com serenidade e sempre com o objectivo de
tornarmo-nos mais fortes».
O jovem Rafael Parla, de Villena - Alicante, elucida sobre a importância
desta reunião dado o seu caracter cordial com os demais grupos: «é um
factor primordial para o crescimento do Espiritismo de forma estruturada,
metódica e não, um para cada lado», e finaliza «não existia um contacto
directo e “nasce” aqui, o embrião para a unificação que todos ansiávamos.
Dando oportunidade à juventude para continuarem a peugada de nossos
antepassados, agora mais fortes e unidos. É deveras impressionante a
quantidade de jovens congregados aqui nesta sala improvisada, não dei
conta que existia tanta juventude. Obrigado Luis».
Outra bela surpresa, foi a jovem conferencista de 18 anos Maria Isabel
Flor, de Villena - Alicante, abordando a importância do trabalho em
conjunto, de forma metódica, sistemática e educativa «divertindo-nos,
vamos apreendendo», afirma e acrescenta «agora mais que nunca, pois temos
mais responsabilidade, com a futura criação dum grupo de jovens».
A jovem de 31 anos, Paloma Azofra, com a sua humildade e doçura inata
assevera, «Este congresso e esta reunião de jovens, foram de máxima
importância para o nosso crescimento e auto-descobrimento interior.
Prefiro ouvir mais, para apreender, do que falar. Tenho muito que
amadurecer. Foi tudo muito comovente, didáctico e pedagógico para mim.
Tenho que meditar em meu recanto para assimilar todas as informações e as
dádivas que nos foram presenteadas, para, paulatinamente, e com bastante
racionalidade levarmos em conjunto este projecto, face aos novos
empreendimentos que se avizinham. Para isso temos que ser objectivos,
simples, humildes e conhecedores, mas fundamentalmente colocarmos em
prática. Não contava com tamanha gratidão do Mundo Maior. Foi uma surpresa
para mim. Temos o dever e a obrigação de sermos dignos de tal “presente”.
Pude escutar meus novos amigos de outras cidades e grupos e temos sem
qualquer duvida, a opinião é unanime, que trocar experiências e
unificarmo-nos em torno do ideal espírita que abraçamos».
Vínhamos pelo corredor e escutamos: «Como este jovem português conseguiu
este feito histórico? Incrível!!!» comentava o senhor Luiz, um dos
directores do Centro Espírita Amor Fraterno, de Alcázar de San Juan, a sua
sobrinha, a jovem Mercedes.
«No VII Congresso Nacional, último deste milénio, a realizar-se em
Igualada - Barcelona nos dias 5, 6 e 7 de Dezembro de 1999, organizado
pelo Centro Espírita Amor y Pau, após esse surpreendente e inesperado
feito, o seu presidente disse-me depois de falar com Santiago, que estava
marcado um encontro para os jovens pela primeira vez na história do
Espiritismo em Espanha, graças a vocês meus queridos companheiros, aquém
todos nós vos devemos imenso. Gratos por tudo o que fizeram. Estão desde
já convidados (a Juventude portuguesa) para o nosso primeiro encontro,
agora oficial (gargalhada geral)», revela o dinâmico jovem catalão José
Moreno.
No final desta jornada, endossamos o convite da FEP, ao Santiago e Isabel.
Sendo transmitido à juventude em particular e mais tarde na tribuna,
dirigido ao público - o XVI ENJE a realizar-se, em Viana do Castelo (30
min, da cidade do Porto), nos dias 30 de Abril, 1 e 2 de Maio, com os
respectivos contactos. Ficamos sabendo que alguns jovens espanhóis estarão
presentes e radiantes pela ansiosa confraternização ibérica.
Depois da visita à Cidade Invicta - Porto - de Isabel Porras Gonzalez, em
Abril/Maio de 1998 e deste laço entre os jovens portugueses e espanhóis,
os “dados” estão lançados, para dar continuidade a um novo ciclo entre os
países ibéricos.
Os “dados” estão lançados... Agora, só falta vontade “política”... dos
órgãos unificadores. Talvez com o dinamismo, a amizade, a seriedade e a
tenacidade da juventude, se faça o que nunca se fez, ou o que não deixaram
fazer, até então. Esperemos para ver.
Vozes da organização
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A sala improvisada, donde
saiu pela primeira vez nos anais do movimento espírita espanhol a Mocidade
Espírita Espanhola. |
Maitê - Teresa Cruz Reyes -
juntamente com Isabel Porras, foram as grandes obreiras deste Congresso.
«Foi um pouco difícil e muito trabalhoso para nós, Centro Espírita Amor
Fraterno, de Alcázar de San Juan, organizar este evento, pois não tínhamos
qualquer experiência. Valeu a nossa querida amiga Isabel Porras do, Centro
Espírita Allan Kardec de Málaga, que nos ajudou imenso. Uma trabalhadora
incansável. Como estamos habituados a resolver problemas no dia-a-dia,
aprendemos rápido. Enriqueceu-nos mais esta experiência, que correu muito
bem, graças também à ajuda da Espiritualidade Superior. Esperamos que
vocês portugueses gostassem (sorrisos). Foi o Congresso onde esteve maior
numero de pessoas, e algumas delas não espiritas. Um médico catalão ao ver
o painel anunciando o evento, abordou-nos para saber o que é o
Espiritismo. Mostrou-se muito interessado depois de escutar-nos e pediu um
contacto de um centro de Barcelona, próximo de sua casa, para aprofundar
mais esta proposta. Este congresso teve duas novidades, uma,
desconhecíamos sequer que iria acontecer, a tua “semente” à juventude
espírita (risada feliz). A outra foi a introdução pela primeira vez do
Seminário de Divaldo “Mediunidade”, dentro do próprio Congresso, o que
trouxe mais dinamismo, e manifestando grande interesse por parte do tema
em pauta. Existe ainda muita confusão entre esta temática», resume a
anfitriã deste Evento.
«No nosso ponto de vista, o movimento espírita espanhol, mais em concreto
da ultima assembleia plenária da FEE, coincidiu com a realização do VI
CEN, foi realizado com muita esperança e optimismo. Esperança, por que
observamos todas as instituições aqui representadas, não somente as
federativas, mas outras instituições que se querem associar. Assim como a
quantidade de congressistas neste evento, bem como a qualidade que não
podemos esquecer que se reflecte no amadurecimento de nosso trabalho e dos
expositores. Permitindo ao observador uma melhor explicação sobre a
importância do Espiritismo face à sociedade. Logo a importância do
conhecimento da Codificação de Allan Kardec, que alcança todo o tipo de
ideologias.
Na área da Juventude, salientou-se este Congresso, na maior resposta por
parte da juventude. Foi um passo importantíssimo o despertamento dos
jovens, incluindo, para o dinamismo da actual direcção da FEE. A futura
criação do Departamento de Infância e Juventude e tantos outros
departamentos que se lhe seguirão, serão brevemente criados, face aos
acontecimentos passados aqui e observados por todos, como tu também o
sabes (sorrisos).
A partir de agora, de hoje, começamos a pensar na futura direcção, com os
seus departamentos específicos, bem como os seus responsáveis. A área de
Juventude tinha sido algo, que estava sempre posta de parte, apesar de
nossos esforços, mas como fôs-te o instrumento “escolhido” pelo Mundo
Maior, “tua semente” já está germinado e vamos aproveita-la. E desta forma
fomos trazidos à realidade não por casualidade, mas por causalidade. A
resposta dos jovens foi surpreendente. Muito responsáveis. Depois da nossa
reunião, em conjunto, ficaram determinados, os próximos passos. Sempre
paulatinamente com o entusiasmo e dinamismo da juventude, contando sempre
com a direcção para os apoiar em tudo, alicerçados na Codificação.
Agradecemos o convite endossado à Juventude Espanhola, por parte dos
dirigentes da FEP. Deixamos um abraço bem caloroso ao João Xavier de
Almeida, Jorge Gomes bem como a toda a equipe da FEP. O nosso Obrigado»,
finaliza Santiago Genè Mateu, presidente da Federação Espírita Espanhola.
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal
Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

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