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Personalidades

Infante D. Henrique e Pedro
Álvares Cabral
 Teria
o Brasil já sido visitado antes por Duarte Pacheco Pereira, ou foi Pedro
Álvares Cabral o primeiro a avistar essa Terra da Vera Cruz?
A pergunta estará para sempre
ligada à Descoberta do Brasil e ao pormenor das 370 léguas no Tratado de
Tordesilhas.
Todavia, um facto é inegável, o
grande catalisador de toda esta saga, jamais, feita por um povo, foi o portuense
- Infante D. Henrique -, fundador e orientador da Escola Náutica, onde se
formaram os mais prestigiados navegadores de todos os tempos; Cabral, Gama,
Magalhães, Dias, Tristão, Colombo etc, cumprindo os desígnios a que se
propuseram, sob orientação Espiritual.
Falar da descoberta do Brasil, implica de imediato, assinalar a cidade do Porto,
suas gentes, costumes, e abnegação. A história da "muy nobre e Invicta cidade",
estará sempre ligada à descoberta desse majestoso país, de sua povoação, cultura
e costumes.
Devido à nobreza dessas gentes do Porto. Hoje, somos apelidados por "tripeiros",
face a essa descoberta. A cidade Invicta, forneceu homens e carne para a frota
de Cabral. Restando às mulheres e crianças ficarem com as vísceras dos animais,
aproveitando-as, para confeccionarem e se alimentarem, daí essa honrosa alcunha.
Até o famoso Vinho do Porto, está ligado ao Brasil, pois a madeira dos pipos e
túneis era proveniente dessa terra muito querida. Segundo o Espírito X(1), Jesus
referiu-se aos portugueses da época, como um povo humilde, corajoso e
trabalhador. Actualmente, segundo estatísticas do Consulado do Brasil na cidade
do Porto, a grande parte de portugueses que partiram para o novo continente eram
provenientes da capital do Norte de Portugal - Porto. Não foi por mera
casualidade, que o Infante D. Henrique - conhecido na pátria espiritual, segundo
o mesmo Espírito X(1), por Helil -, aqui encarnou, cresceu e se transformou num
dos grandes emissários lusitanos, da providência divina. Diz-nos o espírito de
Emmanuel(2) - outro nortenho, na sua encarnação - como padre Manuel da Nóbrega:
"Nos Albores do século XV, quando a idade medieval estava prestes a
extinguir-se, grandes assembleias espirituais se reúnem nas proximidades do
planeta, orientando os movimentos renovadores que, em virtude das determinações
do Cristo, deveriam encaminhar o mundo para uma nova era. Todo esse esforço de
regeneração efectuava-se sob o Seu olhar misericordioso e compassivo, derramando
sua luz em todos os corações. Mensageiros devotados reencarnam no obre, para
desempenho de missões carinhosas e redentoras. Na Península Ibérica, sob a
orientação da personalidade de Henrique de Sagres, incumbido de grandes
proveitosas realizações, fundam-se escolas de navegadores que se fazem ao grande
oceano, em busca de terras desconhecidas..."
A História conta-nos que no dia 9 de Março de 1500, Pedro Álvares Cabral,
cavaleiro da Ordem de Cristo, e de grande valor militar, saído da escola
náutica, faz-se ao mar com destino à Índia. Comandando uma imponente frota de 13
navios e 1500 homens, com o objectivo de subjugar o Samorim de Calecute.
Propositado, ou não, um desvio da rota prevista para sudoeste em relação à rota
seguida por outro gigante - Vasco da Gama (fazendo a ponte de ligação do Oriente
com Ocidente) -, levou-o meses depois, a 22 de Abril, até terras brasileiras, e
à descoberta, pelo menos oficial, do Brasil. A armada fundeou então em Porto
Seguro e baptizaram-na de Terra de Vera Cruz. Enviado um navio para o reino, com
uma carta de Pêro Vaz de Caminha contando as grandes novas a D. Manuel, Cabral
pôde prosseguir viagem rumo à Índia.
Embora descrições e narrações da época, mostrem que esta descoberta não causou
grande admiração na Corte. Duarte Pacheco Pereira, experiente navegador e
cosmógrafo, é um dos expoentes da escola náutica portuguesa. É na obra
"Esmeraldo de Situ Orbis", de sua autoria, que se encontra uma citação
interpretada como testemunho de uma expedição secreta que Pacheco Pereira teria
feito ao norte do Brasil, a mando do rei, para descobrir, deforma não oficial,
se havia alguma terra por onde passava o meridiano das 370 léguas acordadas no
Tratado de Tordesilhas. Este facto, leva alguns historiadores a atribuir-lhe a
verdadeira descoberta do Brasil, corroborada, pelo encontro de portugueses, por
Cabral e seus marinheiros. Prossegue Emmanuel(2): "O Cristo localiza, então na
América as suas fecundas esperanças (...) Os operários de Jesus, porém,
abstraídos da crítica ou do aplauso do mundo, cumprem os seus grandes deveres no
âmbito das novas terras. Sob a determinação superior, organizam as linhas
evolutivas das nacionalidades que aí teriam de florescer no porvir."
É de Pêro Vaz de Caminha, escrivão da frota de Cabral, a descrição da nova terra
descoberta: "Neste dia avistamos terra... homens pardos todos nus... traziam
arcos nas mãos e suas setas... um deles trazia, uma espécie de cabeleira, de
penas de ave, amarelas". E sobre a fauna e a flora, disse ainda: "...os
arvoredos são muitos grandes" e que "resgataram por lá... papagaios vermelhos,
muito grandes e formosos".
Completa Emmanuel(2): "Jesus dirige essa renascença de todas actividades
humanas, definindo a posição dos vários países europeus, e investindo cada qual
com determinada responsabilidade na estrutura da evolução colectiva do planeta".
Nesta perfeita simbiose, prepara-se o advento da Nova Era - Espiritual -, onde a
Doutrina Espírita, é a chave da interpretação do Evangelho legado pelo doce
Amigo. Todavia, não nos iludamos, já que uma das suas máximas, é a reencarnação,
vindo de forma inegável, esbater o ego dos exacerbados nacionalismos.
Aqui fica a experiência de 500 anos, que muitos de nós logramos, sem nos
esquecermos de que "o Espiritismo será o que dele fizerem os homens" e
"Espiritismo sem Kardec, poderá ser tudo, menos Espiritismo"(3).
(1) Xavier, Francisco
Cândido - pelo espírito Irmão X, Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho
(2) Xavier, Francisco Cândido - pelo espírito Emmanuel, A Caminho da Luz
(3) Franco, Divaldo Pereira - em conferência proferida na cidade de Viseu,
Portugal em 1998
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal
Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

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