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DESTINO DO SEXO

Breve análise das diferenças comportamentais dos sexos à luz da Ciência e da Doutrina Espírita

 

 

Em 20 de junho passado recebemos a seguinte carta eletrônica de uma leitora de Portugal:
"Caro Dr. Iso, partindo do princípio que o espírito não tem sexo, e cada um de nós deverá estagiar em ambos os sexos, qual a explicação para as significativas diferenças comportamentais na maioria dos indivíduos dos dois sexos, inclusive, observadas logo na sua fase infantil".

 

Cristina Santos – Agueda

 

 

Agradeço a pergunta da leitora aveirense e gostaria de ressaltar aqui, para os leitores do JORNAL DE ESPIRITISMO, para que se sintam à vontade fazendo suas questões, pois, conforme um dito de famoso filósofo: "les questions sont plus essentielles que les réponses" ("as perguntas são mais essenciais que as respostas") e a pergunta da Sra. CRISTINA parece-nos instigante, por isso tentaremos resumir a resposta no espaço que nos é reservado...

 

Freud e a diferenciação sexual. Segundo a tese do criador da Psicanálise, SIGMUND FREUD, toda criança nasceria com a chamada bissexualidade e, com o tempo, a sexualidade iria se diferenciando até chegar ao sexo masculino ou feminino, do ponto de vista psicológico. A visão freudiana exagerava o fator sexual (mesmo admitindo-se o sexo como libido), ela era pansexualista.

 

Aqui não me parece o espaço ideal para fazermos as críticas das concepções freudianas, já o fizemos, exaustivamente, em nosso livro Sexualidade & Afetividade (Editora DPL, São Paulo, Brasil, 2003). Só gostaríamos de frisar que a concepção de FREUD é eminentemente materialista, embora com uma fachada psicologista...

 

Espírito tem sexo? Não há dúvida, caríssima leitora, de que o Espírito "não tem sexo" e de que "cada um de nós deve estagiar em ambos os sexos", e tais afirmações da leitora, e nossas, estão amparadas pela Espiritualidade Superior, nas respostas às questões 200 a 202 de O Livro dos Espíritos (OLE), de ALLAN KARDEC ; comentando tais respostas, disse KARDEC:

"Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo.Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens." (grifos nossos).

 

Curiosamente, em nosso movimento espírita, a tendência a distorcer as mensagens da Espiritualidade Superior, consignadas na Doutrina dos Espíritos, conduz muitos confrades a falarem em "bissexualidade anímica" – conceito insustentável tanto do ponto de vista psicológico, quanto doutrinário (cf. cap. 6 do nosso livro, acima referido)...

 

Significativas diferenças comportamentais nos dois sexos. Ora, caríssima leitora, "as significativas diferenças comportamentais na maioria dos indivíduos nos dois sexos" comprovam, a nosso ver, que tais comportamentos são conseqüência da organização física, estruturados, é claro, pela criação dos pais e pela Sociedade... Assim, o patrimônio genético das pessoas é fundamentalmente diferente: o sexo feminino com pares de cromossomos sexuais XX e o masculino com XY, unido à educação pelos pais e a influências sócio-culturais, desde a época infantil, irão modelar, estruturar, o caráter de uma pessoa, seja para o polo masculino, seja para o polo feminino, conforme a organização Providencial do caso.

 

Enfim, o comportamento sexual de um indivíduo nada tem de específico espiritualmente, assim como a posição social de uma pessoa (como vimos no comentário de KARDEC).

 

Na resposta à questão 822-A de OLE, lemos "in fine":

"Os sexos, aliás, só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não. A nosso ver, e doutrinariamente falando, tanto o sexo quanto a posição social são provas para o aperfeiçoamento do Espírito, posto que este é perfectível.

 

Epílogo

A Providência Divina é verdadeiramente Sábia, pois coloca-nos um corpo, no exato destino, para a evolução espiritual de cada um de nós... Sem o princípio reencarnacionista não teria sentido nem Justiça a encarnação num sexo ou no outro. Dificilmente um defensor dos princípios de uma doutrina religiosa, não-reencarnacionista, poderia responder racionalmente a uma pergunta como a da inteligente leitora, Sra. CRISTINA SANTOS.

 

Os sacerdotes do período obscurantista da Idade Média acreditavam em espíritos íncubos e súcubos e, através dessa crença supersticiosa muitos médiuns foram sacrificados na fogueira em nome da "Misericórdia Divina". Assim, o espírito súcubo seria uma espécie de demônio feminino, uma espécie de gnomo, que segundo a crença popular viria pela noite manter relações sexuais com um homem e o espírito incubo seria um demônio masculino que viria à noite manter relações sexuais com uma mulher; em ambos os casos, produziriam perturbações do sono e causariam pesadelos... Ora, hoje sabemos que tal crença é supersticiosa, pois contraria a razão e a concordância universal dos ensinos dos Espíritos – dois pilares fundamentais da metodologia espírita, consignados logo na Introdução do livro O Evangelho segundo o Espiritismo de ALLAN KARDEC.

 

A admissão de sexo nos Espíritos, conforme a admissão pelo clero na Idade Média, com o uso da superstição para a dominação das pessoas, incautas e ingênuas, e a admissão da bissexualidade infantil, nos moldes propostos por FREUD – conseqüência do materialismo e ateísmo freudiano - , são absurdos para aqueles que não concebem a sexualidade como um aspecto pecaminoso, impuro, da Humanidade (como o fazia a Antiguidade judaica, alegoricamente, nas figuras bíblicas de Adão e Eva) e como estava implícito na concepção de SIGMUND FREUD, no século 19 e início do 20, cujas conseqüências materialistas deletérias para a Sociedade tiveram um reflexo que se propagou até hoje.

 

Homem e mulher possuem significativas diferenças comportamentais, logo na infância, porque seus corpos nasceram adaptáveis às funções que cada um de nós deve desempenhar na nossa escalada evolutiva, rumo à perfeição, destino final de todas as criaturas, segundo a dispensação do Criador – DEUS. Para nós este é o destino Providencial do sexo, e, conseqüentemente, o surgimento – a partir da infância - das diferenças comportamentais ligadas a ele.

 

Agradecemos mais uma vez a pergunta da leitora, esperando ter esclarecido um pouco o assunto; se algo ficou obscuro ou incompleto estamos abertos para novas perguntas, na só da leitora CRISTINA, assim como de qualquer leitor (a) do JORNAL DE ESPIRITISMO, em particular, o leitor desta nossa página. Um grande abraço e muita PAZ a todos.

 

Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira

 

 

Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto

que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"

 
 

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