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SEXUALIDADE REPRIMIDA

 

Gostaria de obter algum possível esclarecimento do Doutor Ricardo Di Bernardi sobre a questão da sexualidade reprimida. O que acontece com uma pessoa que ama seu companheiro, sente desejo sexual mas, apesar de manter relações sexuais com o parceiro, não consegue ser espontânea; a ponto de o parceiro terminar o relacionamento por conta disso.
Agradeço muito se puderem me ajudar sem expor minha identidade em público.
 

Sra. X, Moçambique



Prezada Sra. X,

A energia sexual não é proveniente do corpo. Não decorre apenas da produção de hormônios. A sua manifestação ocorre no corpo, mas provém da essência do nosso psiquismo, ou seja do nosso espírito. A energia sexual provém da intimidade, da região mais profunda do nosso ser. Nosso espírito traz condicionamentos muito fortes na área sexual. Além das vidas passadas, muitos condicionamentos foram adquiridos através de experiências repetidas agora, nesta vida atual. Recebemos um bombardeio de informações durante nosso período no útero materno, na infância, adolescência e na fase adulta. Todos nós já passamos em vidas anteriores, por situações complexas, delicadas, traumáticas e naturalmente outras tranquilas e prazerosas. Já tivemos, em vidas anteriores, paixões e amores, decepções e realizações. Tudo isto são arquivos que moram, habitam nosso inconsciente. Estes arquivos são energias, e como tal, pulsam, tem movimento, emitem vibrações. Estas vibrações, partindo de nosso íntimo, chegam até a superfície de nosso cérebro (e em todo nosso corpo), gerando temores, incertezas, desconfianças e inseguranças. O sexo é divino. Bem utilizado, com amor é uma energia que nos impulsiona ao progresso a felicidade, ao lar harmonioso e a realização. Infelizmente, ou não, a sexualidade e o sexo, existem em todos os seres, sejam evoluídos ou maldosos, que o utilizam de diversas maneiras podendo provocar muito sofrimento em outros. Quando passamos por situações dolorosas ou condicionamentos errados, com relação a esta utilização, renascemos com inibições ou dificuldades que, pela educação e convivencia pode ser ampliada ou reacendida mas também poderia ser atenuada e corrigida.
Reencontramo-nos, na vida atual, com quem necessitávamos reencontrar. Houve a oportunidade de se resolverem ou minorarem suas dificuldades. Nós, no entanto, não nos esforçamos suficientemente para desenvolvermos nossas aptidões ou eliminarmos nossos condicionamentos negativos. Não devemos atribuir isto aos espíritos ou ao destino. Nós mesmos é quem construímos nosso destino. Poderemos, também, procurar ajuda. O fato de você não conseguir ser espontânea pode estar relacionado a educação, ao falso conceito de que qualquer ato entre duas pessoas que se amam possa ser pecado ou erro. Tudo, que não prejudique terceiros, que não envolva terceiros (nem em pensamento), que o casal imagine ou possa ter criatividade, é válido. A falta de espontaneidade pode ter causas, também, na falta de habilidade do seu parceiro que não soube cativar, envolver e dialogar. Não se sinta culpada. Seja feliz!

 

Abraço fraterno.
 

Dr. Ricardo di Bernardi

 

Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" na coluna "Medicina e Espiritualidade", em parceria com AME Porto.

 
 

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