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COMA

 

Respeitado Ricardo Di Bernardi, O que se passa com os espíritos encarnados cujos corpos ficam meses, e até mesmo anos, em estado vegetativo (coma)?
 

Acácio Pinto Alves, Povoa do Varzim, Portugal



Nos casos citados a situação vai depender, acima de tudo, do nível evolutivo de cada espírito. Assim por exemplo:

1) Alguns ficam presos ao corpo, inconscientes , pois são espíritos comprometidos carmicamente, e despreparados para se libertarem, naquele momento, do corpo físico. Recebem assistência espiritual porém ainda não são passíveis de serem desprendidos do arcabouço biológico.

2) Alguns outros desdobram-se durante o processo e tem consciência do que está ocorrendo. Tratam-se, neste caso, dos espíritos de nível ético-moral mais elevado e, por isto, automaticamente se soltam com mais facilidade.

3) Outros ficam presos ao corpo, semi-conscientes, e sofrem as dores. Há, portanto, diversas situações decorrentes da frequência vibratória que a entidade se encontra. Não se pode generalizar o que ocorre pois cada situação é específica.

Na nossa visão não existe punição, nem neste caso, nem em nenhum caso. Há sempre aprendizado. A experiência é útil para se obter a Drenagem das energias, ou fluidos em desarmonia, no corpo astral (perispírito) para a superfície física. Quanto maior necessidade desta drenagem maior o tempo necessário para que o indivíduo permaneça em coma. O processo não é punitivo mas é de oportunidade para aprimoramento do espírito visando reduzir sofrimentos e não causá-los.
Cremos não haver uma programação imposta pela espiritualidade porém uma auto-programação, automática, gerada pelos núcleos energéticos do próprio espírito que, tal qual um computador, regista todas as atitudes pretéritas e auto-programa a correção. Há uma contínua auto-programação que o livre arbítrio refaz a cada minuto da existência. A espiritualidade orienta e ampara porém nós mesmos é que construímos o nosso destino. Algumas pessoas perguntam:

Este processo poderia durar muitos anos. Mesmo assim há benefício para o espírito desencarnado?

A espiritualidade superior não quer ninguém sofrendo. É herança judaico-cristã- medieval (e atualmente concepção "espiritólica") que temos que sofrer para evoluir. Precisamos abrir a porta do amor e do labor ao invés da porta da dor. No entanto quando se fica cego psiquicamente não se consegue ver as mãos amorosas que, ao seu lado, o querem e o desejam auxiliar. Fica-se então preso ao corpo. É uma anormalidade. Depende, basicamente, da evolução do espírito. Quem muito prejudicou outros em situações do gênero poderá (poderá, veja bem) colher os frutos amargos agora. Alguns, no entanto, mesmo comprometidos com questões do gênero, logo se libertam pela mudança de postura íntima..
 

Abraço fraterno.
 

Dr. Ricardo di Bernardi



Li o artigo "Meses em estado vegetativo", do Dr. Ricardo Di Bernardi, no jornal mencionado em "assunto". Ficaram-me as seguintes dúvidas:
1) A resposta seguinte do Livro dos Espíritos: dá-nos a entender que, durante o sono, o espírito está mais livre. A resposta não se refere a espíritos moralmente mais elevados nem abre excepções para nenhum dos diversos graus de evolução dos espíritos.
 

Vitor Santos



Dr. Ricardo: Prezado Vitor Santos: Muitas respostas de O Livro dos Espíritos: São dadas sobre a vida no plano espiritual se referindo aos espíritos em equilíbrio, ou seja na situação normal. (Dê uma olhadela, mais minuciosa nele que vai encontrar diversas respostas onde podemos perceber que há esta característica.)O mesmo ocorre para a média das pessoas encarnadas. Assim: cada fenômeno de sonambulismo é peculiar, cada caso tem especificidades muito interessantes, e não há um igual a outro. Idem com relação ao sono, aos sonhos, desdobramentos e assim por diante. Sabemos pela vasta literatura espírita, e observações diversas, que algumas pessoas, em algumas situações, ficam jungidas ao corpo físico, dormindo ao lado no corpo perispiritual, no entanto, é verdade que, o mais comum é que fiquem libertos, como diz o texto mencionado por você.

Vitor Santos: - Qual a razão pela qual o estado de coma se diferencia do estado de sono no que se refere à liberdade relativa do espírito em relação ao corpo. Aparentemente tudo parece indicar que se deveria tratar de um estado de maior liberdade do que no sono...As aparências podem iludir, bem sei, o que acha o Dr. da diferença entre sono e coma, no que se refere á liberdade do espírito em relação ao corpo?

Dr. Ricardo: O cérebro perispiritual está fixo ao cérebro biológico, molécula à molécula, por uma estrutura intermediária denominada corpo etérico que é um campo de bioenergia (ou fluido vital). No sono, a consciência do espírito se expressa por um cérebro saudável. As ligações entre o sistema nervoso do perispírito e o sistema nervoso biológico estão organizadas, e o fluxo entre ambos se faz normalmente. O desdobramento astral ou projeção astral ocorre sem maiores dificuldades, exceto nas peculiaridades de cada indivíduo. Lembro, novamente, que não há como generalizar esta afirmativa pois ao contrário de matemática onde 2 + 2 é sempre 4, quando se trata de individualidades humanas, nunca há um caso idêntico a outro. Todos somos diferentes. Há uma média de situações ou um modelo. E as respostas sempre serão dadas assim.
No coma, a fixação do cérebro do corpo espiritual, ao cérebro do perispírito, se processa de forma fora dos padrões normais.
Quando se trata de uma pessoa espiritualmente mais equilibrada, isto é um espírito mais desprendido dos valores materiais, o coma pode facilitar a saída do espírito (com seu corpo astral junto) e este sentir-se consciente na dimensão extrafísica.
No entanto, a grande maioria das pessoas no nosso planeta não estão nessa condição, estão aferradas à matéria em todos os sentidos e, portanto, lutam mentalmente para se fixarem, para não saírem e se jungem ao corpo em coma. Tal postura pode ter diversos níveis e ser mais ou menos consciente. O cérebro enfermo dificulta a coordenação do raciocínio que embora venha do corpo mental e se expresse pelo cérebro astral (perispiritual) usa um cérebro biológico danificado em vias de se desestruturar ou já em processo de perda de funções. Tal situação biológica tem repercussões muito diferentes em cada espírito.

Vitor Santos: Citação de O Livro dos Espíritos, pergunta 401. «Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
"Não, o Espírito jamais está inactivo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais directa com os outros Espíritos"»

Dr. Ricardo: Sim, Vitor, esta é a regra geral. Na doutrina espírita e na vivência mediúnica, aprendi que cada caso é diferente, cada espírito tem um grau de evolução, de consciência de liberdade específico. No entanto a regra geral é esta mesmo que está em O Livro dos Espíritos.

Vitor Santos: 2) Como é que o Dr. Ricardo Di Bernardi chegou às conclusões que lhe permitiram responder ao artigo? Foi através de mensagens mediúnicas, de estudos científicos, da leitura de obras de outros autores? Da comunicação com espíritos em estado de coma?
A minha ideia não é pedir ao Dr. Ricardo para entrar em grandes detalhes técnicos. Apenas agradeço, se possível, uma explicação, por alto, da metodologia usada para chegar a estas conclusões.
Obrigado pela atenção. Cumprimentos. Vitor Santos

Dr. Ricardo: Caro amigo e estudioso da doutrina espírita:
Nossas conclusões decorrem do conjunto destes factores, citados por você na sua pergunta. Leituras de obras espíritas, Comunicações mediúnicas, Estudos Espíritas da Ciência do Mundo Extrafísico, e Contatos com Espíritos em Estado de Coma.
Tenho 60 anos, e desde criança meu pai me falava da vida espiritual. Ele tinha uma vasta biblioteca. Aos 14 anos eu já participava da sessão mediúnica, portanto, há já 46 anos convivo com a dimensaõ extrafísica, e participei de centenas de diálogos com os amigos do plano espiritual. Estudo muito e leio. Nestes estudos, sempre separo o joio do trigo, procuro seguir a recomendação do mestre lionês que nos diz : só aceite se a informação tiver os três requisitos básicos: Universalidade – a informação vier por mais de uma fonte mediúnica - Utilidade - Traz algo construtivo - e Racionalidade - é lógica, é compatível com a razão.
Já fizemos alguns trabalhos para espíritos em estado de coma. Recentemente, nas duas semanas anteriores fizemos para a meu sogro de 92 anos que desencarnou logo em seguida. Foi fantástico. Lindo mesmo! Os médiuns em trabalho, sob minha coordenação, desprenderam-se do corpo e o visitaram no leito. Observaram a atmosfera energética da família, as dificuldades e os problemas. Foram encaminhados seres que mesmo querendo ajudar atrapalhavam. Vimos formas ideoplasticas -formas pensamento - de familiares. Foi feita a dissolução destas ideoplastias. Após duas sessões de duas horas exclusivas e específicas para o caso, um avô se comunicou agradecendo nosso trabalho e comentando particularidades. Não vou citar detalhes pois envolve questões de família. Ele era espírita palestrante e ex-presidente da Federação Espírita Catarinense. Este foi, portanto, um exemplo de vivência prática. Desejo-lhe constante estudo e pesquisa. Muito amor no coração.

Abraço fraterno.
 

Dr. Ricardo di Bernardi

 

Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" na coluna "Medicina e Espiritualidade", em parceria com AME Porto.

 
 

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