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O médico responde

CARNAVAL
Caro Dr. Ricardo Di Bernardi, como o Sr. vê o Carnaval dentro da doutrina espírita?
Maria de Fátima, Ponte de Lima, Portugal
Prezada Maria de Fátima. Inicialmente, permita-me colocar que "dentro da doutrina espírita" não existe nada instituído com relação ao carnaval. Façamos, apenas, alguma reflexão:
Entendo que todo excesso, seja em que área for, é sempre nocivo. Da mesma forma, a alegria poderia ser sadia quando se brinca com espírito familiar, descontraidamente, sem ensejar queda de padrões comportamentais e éticos.
Nada temos contra o carnaval em si, se você encontrar um grupo (familiar ou não) onde pessoas se reúnem para brincar e dançar dentro da mais pura intenção da brincadeira saudável.
Já opinei sobre a participação de um amigo e parente quando o mesmo me indagou sobre a seguinte situação: "organizamos , com meus oito cunhados, oito con-cunhados, 25 sobrinhos, sogros, todos eles espíritas, trabalhadores da doutrina, um carnaval familiar na casa de praia dos sogros".
De fato, Organizaram um festejo familiar no dia de carnaval. Fantasiaram-se, houve confete , e serpentina. As crianças e adultos brincaram toda a manhã e à tarde. Não houve bebida alcoólica, e tudo transcorreu em ambiente de muito amor fraternal, com música de carnaval etc... Questionado a respeito considerei absolutamente válido dentro destes parâmetros. Nada, portanto, contra o carnaval. Tudo contra, porém, o que se vê por aí!!!
Difícil se encontrar um local carnavalesco onde o respeito ao próximo seja a tônica durante esses dias. Costumam ocorrer desregramentos decorrentes de excessos alcoólicos. Há prefeituras (pasmem !) que distribuem preservativos masculinos (camisinhas) em diversos locais com a intenção de evitar AIDS=SIDA. A idéia seria evitar a doença mas, estão a esquecer que, ao distribuir a camisinha está se admitindo (incentivando?) o livre e irresponsável relacionamento sexual. Há confusão entre alegria e promiscuidade, há confusão entre posturas de liberdade com libertinagem... Nos dias de carnaval costumo sair com a família, viajar, descansar, ler, visitar amigos, fazer programas no campo, ou atividades outras de natureza cultural, espiritual ou algo que seja útil ao meu espírito e corpo.
Lembro, ainda, que existem os folguedos de momo também na esfera extrafísica. Muito espíritos se reúnem e se divertem com os encarnados os estimulando a determinadas atitudes.
Há vampirização de energia vital em grande quantidade, conforme a psicosfera do ambiente. Os médiuns (paranormais) são mais susceptíveis a estas influências, que, no entanto, podem ocorrer com todos nós. Não somos contra nada. Somos a favor do equilíbrio, da paz, da harmonia, junto com a alegria. Infelizmente, faz muitos anos que não vejo ambiente que me permita ir ao Carnaval. Melhor aproveitar os dias para algo mais seguro, mais saudável e espiritualmente mais construtivo.
Abraço fraterno.
Dr. Ricardo di Bernardi
Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" na coluna "Medicina e Espiritualidade", em parceria com AME Porto.

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