![]() |
|
|
O médico responde
CHAVES PARA ENTENDER E AJUDAR A PESSOA COM CRISE DE PÂNICO
No dia 24 de janeiro/2006 recebemos o seguinte mail de uma leitora do JORNAL DE ESPIRITISMO: “Senhor Doutor Iso Jorge Teixeira, gostaria de saber sua opinião à respeito de um amigo, estudante universitário, que de um momento para o outro uma onda de medo se apoderou dele, sem qualquer motivo. O coração disparou, teve dores no peito, dificuldade para respirar, suores frios, tremuras, etc. Disse-me que pensou que iria morrer. Desde aquele dia as crises de pânico sucedem-se e sem qualquer explicação. Agora tem medo de sair de casa, esconde-se de tudo e de todos. Evidente que anda em tratamento psiquiátrico. Qual a explicação da doutrina espírita e o que ela oferece para minimizar este sofrimento, que segundo dizem é bem penoso? As estatísticas dizem ainda que o Sindroma de Pânico acontece em sua maioria na juventude (21 a 40 anos) e cada vez é mais freqüente em nossa sociedade. Porquê?”
Maria de Lurdes Pereira - Portimão
A descrição e a forma de início da Doença do Pânico, informadas pela Sra. leitora, parece-nos bem típicas do Transtorno. As crises de pânico surgem sem razão aparente, plausível, para o medo exagerado apresentado pelo paciente. Este aspecto de início da doença – sem razão aparente – é considerado importante para o seu diagnóstico; além, é claro, de todo o cortejo de sintomas psíquicos e neurovegetativos críticos: taquicardia, sensação de sufocação, sudorese fria em extremidades, tremores, cefaléia (dores de cabeça), sensação de morte iminente, e outros. A partir de então, as crises passam a se repetir, periodicamente, daí porque a Doença do Pânico também é chamada ansiedade paroxística episódica.
As crises de pânico podem ser acompanhadas, ou não, de agorafobia, isto é, medo de espaços abertos ou aspectos relacionados, como a presença de multidões e dificuldade de escape fácil para um lugar seguro. No caso do amigo da Sra. Maria de Lurdes Pereira, ele tem “medo de sair de casa”, o que também é típico dos casos de crise de pânico. Como se costuma dizer: o paciente “tem medo de ter medo”, ou seja, entra em ansiedade aguda por medo de sofrer uma crise de ansiedade na rua, sem amparo de ninguém. Aliás, é freqüente o paciente sujeito a crises de pânico só sair acompanhado, mesmo em companhia de pessoas que não lhe dariam qualquer segurança, como foi o caso, por exemplo, de uma paciente nossa, que ia às consultas sempre acompanhada de um filho de 3 anos, quando seria o caso de deixá-lo em casa aos cuidados da avó...
Explicações psicológicas e orgânicas. No final do século 19 e início do 20, a Doença do Pânico foi estudada com uma outra denominação por SIGMUND FREUD, o criador da Psicanálise – a chamada neurose de angústia.
FREUD acreditou, inicialmente, que a causa da neurose de angústia estaria ligada, inconscientemente, a insatisfações sexuais atuais: coitus interruptus, ejaculação precoce (gerando angústia na mulher), angústia ligada à virgindade, etc. Posteriormente, ele mudou de opinião e propôs a teoria de que a pessoa com angústia estaria fixada, inconscientemente, à infância, aos 3 anos aproximadamente, época em que ocorreria em todos nós o Complexo de Édipo, com a ultrapassagem do complexo de castração... A base dessas elucubrações teóricas freudianas foi o estudo das informações trazidas pelo pai do menino HANS, que apresentava uma zoofobia, uma fobia a cavalos; enfim, um quadro fóbico-ansioso.
Para FREUD, o temor inconsciente de ser castrado pelo pai, pelo desejo erótico inconsciente pela mãe, teria levado o menino HANS ao sintoma – medo de cavalo... Tal sintoma representaria o medo de que o cavalo mordesse seu pênis, isto é, simbolicamente, o cavalo representaria a figura paterna, castradora. Essa visão de FREUD, por demais artificiosa, não será discutida aqui, devido à sua extensão e certa complexidade, mas gostaríamos de ressaltar, mais uma vez nesta Coluna, que a visão freudiana é bem interessante, mas, a sua concepção de libido, instância sexualizante que a tudo governa e permeia, acaba conduzindo-nos ao materialismo, aliás, FREUD não fazia segredo de que era ateu, assim como seu discípulo, ainda que dissidente, CARL GUSTAV JUNG, tão admirado por alguns, equivocadamente...
Ultimamente, com o materialismo reinante, os fatores orgânicos vêm sendo destacados, explicitamente, nos trabalhos científicos mundiais sobre a Doença do Pânico... Haveria disfunções nos receptores cerebrais de noradrenalina, de ácido gama-amino-butírico (GABA) e de serotonina., nas terminações nervosas dos neurônios. Assim, o Sistema Nervoso Central (SNC) seria o primariamente comprometido e o Sistema Nervoso Autônomo (SNA), secundariamente.
Visão espiritual das Crises de Pânico. Acreditamos em que o Princípio Espiritual sempre estará envolvido nas doenças, mesmo doenças essencialmente orgânicas, embora não aceitemos que o Espírito seja passível de adoecimento, até porque se o Espírito adoecesse, ele morreria e sabemos que o Espírito é imortal.
Obviamente, o equilíbrio vital pode ser rompido por induções de espíritos maléficos (obsessões) ou como prova e expiação para o Espírito reencarnante e para a família.
Em nosso modo de entender, a Doença do Pânico é dada ao Homem numa relação semelhante da chave com a fechadura, isto é, admitimos que a Providência Divina permite a adaptação, exata, entre a chave e a fechadura, ou seja, há doenças que são o cadinho de sofrimento (chave), exato, de que alguns de nós (fechaduras) necessitamos para o aprimoramento espiritual.
Também é importante que o médico, psiquiatra, conheça bem o passado de uma pessoa, mas o passado reencarnatório não é possível conhecer na maioria dos casos, até porque a Providência Divina nos dá a amnésia do passado reencarnatório para nossa maior liberdade, como disse a Espiritualidade Maior respondendo à questão 392 de “O Livro dos Espíritos” (OLE): “Par l’oubli du passé il est plus lui même” [Pelo esquecimento do passado, ele (o Homem) é mais ele-mesmo].
Daí, não adotarmos a TVP - Terapia de Vidas (ou Vivências) Passadas – como prática terapêutica, inclusive, porque não basta a lembrança e o conhecimento de um eventual trauma emocional para nos livrarmos dele.
Estatísticas – Doença “da moda”? Quanto às estatísticas referidas pela Sra. Maria de Lurdes Pereira, ao indicarem que a Síndroma do Pânico aconteça em sua maioria na juventude (21 a 40 anos), ou melhor, na idade adulta, não há uma explicação inquestionável, mas, sendo um quadro neurótico, são necessárias uma pré-disposição e uma “preparação”, com distorções vivenciais durante a infância e parte da adolescência, que só eclodiriam na idade adulta; não obstante, há casos relatados na literatura psiquiátrica, com início na infância, como foi o do menino HANS, embora não conheçamos, com rigor, a evolução do caso HANS... Além disso, como as crises surgem “de um momento para outro”, sem desencadeante psicológico, parece sugerir a sua origem orgânica predominante, mas, ainda aqui, as explicações não são completas.
Entretanto , não nos parece que esteja havendo um aumento do número de casos na atual Sociedade. O que há, hoje, é um maior conhecimento dos mecanismos da doença (não todos) e um certo modismo, inclusive entre alguns psiquiatras... Sim, a Síndroma do Pânico é vista por alguns como “doença da moda” e por trás disto, certamente, está a poderosa indústria farmacêutica internacional. O paciente com Doença do Pânico precisa de medicamentos, sim, mas só isto não basta!
Chaves para ajudarmos uma pessoa com Crises de Pânico. As pessoas com Doença do Pânico devem ser tratadas farmacologicamente por um psiquiatra e não por um psicólogo, porque esses pacientes necessitam de medicação e o psicólogo não pode prescrevê-la, segundo a nossa legislação vigente. No caso informado pela Sra. leitora, isto já estaria sendo feito provavelmente, pois ele “anda em tratamento psiquiátrico”.
Do ponto de vista estritamente espírita, são úteis os passes (“fluidoterapia”) em Centros Espíritas sérios, com médiuns que gozem de boa saúde física e mental.
Devemos aceitar todos os credos, não devemos tentar fazer prosélitos para o Espiritismo, não obstante, não devemos deixar passar a oportunidade de mostrar ao paciente a realidade da vida depois da morte e a necessidade da transformação íntima para melhor, através da prática do Bem – razão maior de estarmos encarnados na Terra.
Outro aspecto a destacar-se é o valor da prece, que dever ser realizada de maneira natural, sem rituais, segundo os critérios tão bem assinalados por ALLAN KARDEC na parte final do livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”... Não é fácil o tratamento ideal, mas os modernos conhecimentos da Doença do Pânico permitem uma remissão completa das crises ou uma grande melhora, com boa qualidade de vida dos pacientes.
Disse ALLAN KARDEC no item XV da “Introdução” de OLE, no § 4.º, em meio ao 4.º parágrafo: “Ora, o verdadeiro espírita olha as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhes parecem tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro, que o aguarda; a vida é para ele tão curta, tão fugitiva, que as tribulações não lhe parecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem. Aquilo que para qualquer outro produziria violenta emoção, pouco o afeta, pois sabe que as amarguras da vida são provas para o seu adiantamento, desde que as sofra sem murmurar, porque será recompensado de acordo com a coragem ao suportá-las”.
Eis a mensagem que deixamos para o amigo da Sra. leitora MARIA DE LURDES PEREIRA, assim como para todos aqueles que sofrem crises de pânico.
Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira
Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"
|
|
![]() |
Páginas optimizadas para visualização igual ou superior a 800x600, cor a 16-bits e com 'javascript'
activado.
Web Design e Desenvolvimento:
© 2004-2006 AME PORTO. Todos os direitos reservados.
www.ameporto.org