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O médico responde
OBSESSÃO E DOENÇAS FÍSICAS Poderíamos captar por aparelhos as conseqüências deletérias do processo obsessivo?
No dia 15 de fevereiro de 2005, recebemos e-mail de um leitor dirigido a este colunista, que transcrevemos na íntegra: “Estimado Dr. Iso Jorge, sou um leitor assíduo de sua Coluna e parabenizo-o pelos seus esclarecimentos muito oportunos, bem como ao jornal de espiritismo pela qualidade de seu trabalho. Face à possibilidade que ambos me dão, em que medida os sintomas do obsessor podem ser expressos em análises clínicas, como em Raios X, EEG ou outros exames de diagnóstico, no obsidiado? Por exemplo, Tuberculose, HIV, Epilepsias, Depressões, etc... O Dr. Iso Jorge, como médico, já teve alguma experiência nessa área com seus pacientes?”
José Galvão – Vila Nova de Gaia – Portugal
Gostaríamos de agradecer a fidelidade à nossa coluna SAÚDE e os elogios ao jornal de espiritismo, para o qual sinto-me honrado em escrever. Bem, respondemos, preliminarmente, ao Sr. leitor e desenvolveremos aqui, o que dissemos lá... Mas, antes de respondermos, especificamente, as indagações do Sr. JOSÉ GALVÃO, gostaríamos de fazer um preâmbulo sobre o conceito de obsessão e sobre algumas noções do seu mecanismo de produção, que nos são dados pela Doutrina dos Espíritos...
Que é obsessão? No início do capítulo 23 de O Livro dos Médiuns (OLM), de ALLAN KARDEC, referindo-se à obsessão, no item 237, diz o Codificador: “(...) Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar” (o grifo é nosso).
Logo, não é razoável dizer-se que o Espírito obsessor seja “nosso amigo”
e que ele, às vezes, nos atrapalha “sem intenção” , como já ouvimos de
alguns confrades expositores, que confundem Espíritos familiares, os
“amigos da casa”, estes sim, muitas vezes bem-intencionados, com
Espíritos obsessores. Ora, um Espírito pode não ser totalmente mau, mas a
intenção de um Espírito obsessor é sempre má. A propósito, aquela
argumentação de alguns confrades lembra-nos um adágio, com sabor
sarcástico, muito conhecido no Brasil: “A estrada para o inferno é
calçada por bem-intencionados”...
Enfim, a ação dos obsessores sobre os obsidiados é basicamente moral, embora possa atuar também diretamente sobre o físico da pessoa na subjugação e há entre obsessor e obsidiado uma afinidade “fluídica”, quanto a isto parece não haver dúvidas...
Obsessão e Doença Físicas. Na subjugação o que o obsessor consegue é um simulacro de doença, pois se fosse uma doença verdadeira, também o obsessor ficaria contaminado pela mesma, devido à afinidade “fluídica” entre ambos. Não obstante, a ação pertinaz, e durante muitos anos, de um obsessor poderia levar a sintomas muito semelhantes da “loucura”, isto é, da esquizofrenia e a Espiritualidade Superior alertava a este respeito na resposta à questão 6.a do item 254 de OLM, quando é perguntado: A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como conseqüência a loucura? E a resposta é bem esclarecedora: “Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornam verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com duchas.” Acrescentamos que naquela época os tratamentos para os doentes mentais eram à base de duchas...
A distinção entre o que KARDEC denominou loucura obsessional e loucura patológica é explicada, dentre outros locais, na Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos, de ALLAN KARDEC, na qual ele diz: “É necessário, pois, distinguir a loucura patológica da loucura obsessional. A primeira é produzida por uma desordem nos órgãos de manifestação do pensamento. (...) “Na loucura obsessional NÃO HÁ LESÃO ORGÂNICA [o destaque é nosso]. É o próprio Espírito que se acha afetado pela subjugação de um Espírito estranho que o domina.(op.cit. , abril /1862, EDICEL, trad. JÚLIO ABREU FILHO, p. 110).
Portanto, se não há lesão orgânica nas “loucuras obsessionais”, como detectar através de aparelhos tal “loucura”?!... Um obsessor poderia produzir a Tuberculose Pulmonar ou intestinal, doenças estas infecciosas, produzidas pelo bacilo de KOCH?! Não. Poderia acontecer que o obsessor induzisse a pessoa a se alimentar mal e levando o organismo do obsidiado a uma situação de quase exaustão, sem defesas imunológicas, e aí a pessoa poderia adquiria, facilmente, a Tuberculose, pela ação quase livre do bacilo de KOCH, que é um tipo de bactéria. Semelhantemente, um obsessor poderia induzir uma pessoa a ter uma vida desregrada sexualmente, promíscua, e então ela , eventualmente, se contaminaria por um vírus – o HIV, por exemplo, o vírus da SIDA ou AIDS (Adquired ImmunoDeficiency Syndrome). Mas, em todos esses casos haveria doença verdadeira e não obsessão, ou seja, a doença poderia ser conseqüência da obsessão e não a obsessão mesmo, porque o processo obsessivo é de natureza espiritual, e não física!
Há, ainda, uma determinada neurose, antigamente chamada histeria, hoje denominada transtorno conversivo, em que a pessoa acredita estar sofrendo de um mal físico: cegueira, paralisia, anestesia, etc., teatralizando tais situações, com uma sugestionabilidade muito aumentada. Esta doença seria um morbus sine materia (doença sem base material, sem base física), que pode ser confundida com a obsessão, pois o exame médico não constata alteração física, real... Mas, também aqui, como nos outros casos não haveria a detecção dos sintomas por “aparelhos”.
Respostas ao Sr. leitor. 1- A nosso ver, os “sintomas do obsessor” (ou do obsidiado seria o mais correto) não aparecem nos exames complementares tradicionais, nos aparelhos de diagnóstico (Raios X, Eletroencefalograma, Ressonância Magnética, Tomografia computadorizada, etc.) porque a ação dos obsessores sobre o obsidiado radica-se no ESPÍRITO (e não no corpo), além disso não temos conhecimento de que haja aparelhos para detecção da ação de um obsessor, especificadamente... No entanto, há conceituados espíritas brasileiros que advogam, fundamentadamente, que a captação da presença de um Espírito, mesmo em casos de materializações de Espíritos, pode ser realizada, através de aparelhos denominados “espectrômetros de campo”, como é o caso do nosso querido amigo, prof. CARLOS DE BRITO IMBASSAHY... Mas, até hoje, nunca tive informações de achados específicos quanto à presença de Espíritos, através de aparelhos e, a fortiori, como poderíamos captar, através de aparelhos as conseqüências produzidas espiritualmente?!... 2- Não concordamos com uma expressão que vem se generalizando no Movimento Espírita: “doenças espirituais”. Ora, o Espírito não adoece, quem adoece é o corpo; se o Espírito adoecesse, ele morreria e o Espírito é imortal! As obsessões seriam “doenças espirituais”? Como força-de-expressão sim, mas não como doença verdadeira em nosso conceito atual de doença. Na época de HIPÓCRATES (século IV antes de Cristo) é que se conceituava doença como “desequilíbrio dos fluidos”, mas, contemporaneamente, não! Até porque, temos repetido: não conhecemos a estrutura íntima dos “fluidos”, aos quais o prof. CARLOS DE BRITO IMBASSAHY prefere denominar “campos” de energia... 3- Não temos experiência nesta área de exames complementares (detecção da ação de Espíritos em aparelhos) com meus pacientes. Talvez, o nosso confrade, Dr. LUÍS DE ALMEIDA, possa acrescentar algo, pois é um “expert” em Ciências Físicas e, através da Física Moderna, é possível que possa explicar para os Srs. Leitores e leitoras do JDE como se processa a captação, por aparelhos, não tradicionais, a ação dos obsessores ou como ocorrem os sintomas dos obsidiados; além disso, a Transcomunicação Instrumental (TCI) tão divulgada atualmente teria alguma contribuição para este assunto? Tomo a liberdade de sugerir, publicamernte, a ele que escreva algo sobre este assunto no nosso jornal de espiritismo, seria muito útil e proveitoso. Eu digo amém, espero que o Dr. LUÍS DE ALMEIDA também o diga...
Epílogo Consideramos mais importante do que captar as conseqüências deletérias produzidas por um obsessor, que se reconheça o modo de atuação desses Espíritos invejosos e maus, que ficam transtornados com o sucesso alheio. Ressaltamos que há obsessores tanto encarnados quanto desencarnados!... Comentando a diferença entre a obsessão simples e a fascinação, disse KARDEC: “Para chegar a tais fins [agarrar-se à pessoa], preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos – caridade, humildade, amor de Deus – lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber.” (os grifos são nossos, exceto o último).
Sem dúvida, é importante a pesquisa científica através de aparelhos, sem isso a Ciência Espírita não avançará, mas que os Srs. e Sras. médiuns fiquem atentos à linguagem e intenção dos Espíritos e os nossos leitores portugueses, em geral, não se deixem fascinar por aqueles que só têm JESUS e DEUS nos lábios e que na vida quotidiana suas ações não condizem com aquelas verdadeiras virtudes de caridade, humildade e amor de DEUS apregoadas pelos fariseus do mundo de hoje.
Obrigado ao Sr. leitor JOSÉ GALVÃO pela pergunta sucinta, mas de conseqüências importantes quanto ao estudo, conhecimento e esclarecimento doutrinário espírita.
Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira
Uso de aparelhagem electrónica na detecção do espírito
Face à proposta colocada pelo ilustre colunista do Jornal de Espiritismo, o professor universitário e médico psiquiatra Dr. Iso Jorge Teixeira relativamente à questão colocada pelo leitor José Galvão da cidade de Vila Nova de Gaia, atrevo-me a citar um amigo comum e investigador de renome também destes fenómenos, o engenheiro e professor de física, Carlos de Brito Imbassahy que pessoalmente nos transmitiu no Rio de Janeiro: “Novos aparelhos, como os espectrógrafos* osciloscópios que o dr. Harold Saxton Burr, emérito professor da faculdade de medicina de Yale, EUA usou para dar prosseguimento aos estudos da Pesagem da Alma (21 grama) feitos pelos suecos – e que lhe deram o direito de dizer que a vida é comandada por um campo, life’s field, que nada mais seria do que o perispírito de Allan Kardec – estão aí para nos permitir uma pesquisa mais segura, em que a fraude não mais terá vez porque pode ser detectada por eles. Imparciais em seus registros e seguros em seus resultados insofismáveis, esses aparelhos decretam o fim do empirismo. Ninguém mais poderá pregar um princípio sem a prova, nem mesmo serão aceitas mensagens mediúnicas que não encontrem respaldo nas experiências.” Inúmeras experiências vêm sendo efectuadas em laboratório por físicos, engenheiros e médicos utilizando os mais modernos instrumentos de análise que parecem confirmar a hipótese espírita defendida por Allan Kardec há cerca de 150 anos, sobre a existência de um corpo espiritual a que denominou perispírito. Estamos diante de um “campo de experimentação” extraordinário: a comprovação da imortalidade de alma e da comunicabilidade entre os dois planos. Convidamos os nossos engenheiros e físicos a defender uma tese de doutoramento neste campo, já que seria inédito. Professor, ou seja, orientador da Tese de Doutorado já têm. Finalizamos com as palavras do engenheiro e investigador francês Gabriel Delanne (1857-1926): “O perispírito não é concepção filosófica imaginada para dar conta dos factos, é um órgão indispensável à vida física, reconhecível pela experimentação.” Assim e face aos meus fracos conhecimentos nesta área em particular, convidamos também o distinto Prof. Carlos de Brito Imbassahy a tecer seus comentários para o Jornal de Espiritismo.
Luís de Almeida
O que se pode dizer a respeito de controlo electrónico em comunicações
mediúnicos é o uso de espectrógrafos capazes de medir os campos
bioenergéticos, ou sejam aqueles produzidos pelos nossos organismos.
Carlos de Brito Imbassahy
Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"
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