Início Fundação Instituição Objectivos Actividades

Orgãos Sociais Sócios Localização Links Contactos

 

Artigos

 

Entrevistas

 

O médico responde

 

Reportagens

 

Personalidades

 

Notícias

 

O médico responde

 

 

TRANSTORNO DE DÉFICIT DA ATENÇÃO / HIPERATIVIDADE (THDA)

Conceito, possíveis causas e tratamento

 

 

No dia 27 de maio/2005 recebemos o seguinte mail, com o Assunto: PEDIDO DE ESCLARECIMENTO: "Dúvida: Tenho um filho com 8 anos que sofre de hiperactividade. Está sendo acompanhado por uma psiquiatra que lhe receitou Ritalina. Será que este problema de hiperactividade é hereditário, ou poderá ser provocado pelo facto de ser filho de pais separados? Será que tem a ver com algum «carma» de vidas passadas? Também gostaria de saber se não seria melhor levar o meu filho a um centro espírita (embora talvez seja um pouco complicado, pois ele não pára quieto muito tempo no mesmo lugar) para tomar passes e água fluidificada, e talvez a sessões de desobssessão. Será que ele deve continuar a medicação? Tenho lido muita coisa negativa a respeito da Ritalina... Aguardo resposta. Obrigado."

 

Cariberto

 

Respondemos, preliminarmente, ao Sr. leitor e, no dia seguinte ele voltou a escrever-nos, dizendo dentre outras coisas: "Caro Dr.Iso Jorge: Antes de mais muito obrigado por aceitar publicar este tema no jornal de Espiritismo,(...) Permita-me apenas discordar do seguinte: afirmou que sendo eu passista posso dar passes em minha própria residência. Isso quanto a mim e de acordo com o que aprendi no curso de passes que freqüentei é totalmente errado e pode até ser prejudicial para o "paciente". De facto aquilo que aprendi é que o passe somente deve ser dado no centro espírita e sempre no dia e hora em que é habitual. Desculpe se estou errado e mais uma vez muito obrigado pelo seu esclarecimento."

 

Cariberto – Porto – Portugal

 

 

O tema solicitado é extremamente importante, tanto do ponto de vista “médico” quanto do ponto de vista “social” e “espiritual”...

 

Prevalência, conceito e possíveis causas do Transtorno Hiperativo . Segundo o pediatra Dietrich Schultz o Transtorno Hiperativo, hoje, “é diagnosticado em um número significativamente maior de pacientes: de acordo com a rigidez dos critérios utilizados, a freqüência do diagnóstico pode variar entre 1% e 15% ! “. Segundo G.J. BALLONE (2003) “a prevalência do Déficit de Atenção e Hiperatividade está entre 3% e 5% em crianças em idade escolar e costuma ser mais comum em meninos do que em meninas. Em adolescentes de 12 a 14 anos, pode ser encontrado numa prevalência de 5,8%.”

 

Além da freqüência relativamente alta, o tema envolve algumas polêmicas médicas, principalmente quanto à etiologia, isto é, a(s) causa(s) e, há quase 4(quatro) décadas, um autor chegou a dizer, satiricamente, que a disfunção cerebral mínima constituía a "confusão neurológica máxima" (GOMES, A .R. Minimal cerebral dysfunction (maximal neurological confusion) – (Clin. Ped. 6:589, 1967). Hoje, parafraseando este autor, diremos nós: A DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA É A IGNORÂNCIA NEUROLÓGICA MÁXIMA; porque, desconhece-se DETALHES das causas.

 

Em conseqüência, várias denominações foram propostas para o distúrbio e hoje a expressão “disfunção cerebral mínima” não é mais usada. Disfunção cerebral mínima? Lesão cerebral mínima? Transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH) ou Transtorno hipercinético (TH)? O Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana (APA), em sua 4ª edição, o DSM-IV de 1994, vigente, denominou o transtorno como Transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH). A Classificação Internacional de Doenças e do Comportamento, da Organização Mundial de Saúde, na sua 10ª. Edição, a CID – 10, classificou-o como Transtorno Hipercinético (TH).

 

Quadro clínico do TDAH ou TC. O DSM-IV assim caracteriza o “Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade”, em dois grupos: (1) INATENÇÃO: Pelo menos seis sintomas de inatenção devem persistir pelo menos por 6 meses em grau desadaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento; (2)- HIPERATIVIDADE - IMPULSIVIDADE: Pelo menos seis sintomas de hiperatividade e impulsividade devem persistir por pelo menos 6 meses, em grau desadaptativo ou inconsistente com o nível de desenvolvimento da criança. Os sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos de idade.

 

Enfim, são crianças extremamente inquietas, com atenção dispersa e impulsivas, e o diagnóstico baseia- se, a nosso ver, no exagero do componente psicomotor e por isso, concordamos com a CID-10, quando denomina o distúrbio como “Transtorno Hipercinético” (TH).

 

Além disso, o paciente com transtorno hipercinético apresenta, freqüentemente, alterações no eletroencefalograma (EEG), embora não seja a regra. Para complicar ainda mais o problema, muitas vezes, o TH se associa com “deficiência mental”, “epilepsia” e até com “autismo infantil” - o caso do filho do Sr. CARIBERTO parece NÃO apresentar associação com outros distúrbios...

 

Aspectos Fisiopatológicos do TH – O fator “genético”. O TH caracteriza-se, a nossa ver, fundamentalmente, por uma alteração funcional do cérebro como um todo, há uma “excitação” da “formação reticular”, uma região do cérebro responsável pelo despertar, pela “vigília” (ver ESQUEMA DO ENCÉFALO). Isso pode ser comprovado por alterações eletroencefalográficas freqüentes nestes pacientes; muitos, além da disfunção, são epilépticos, isto é, apresentam alterações eletroencefalográficas específicas, enquanto que o TH revela alterações inespecíficas, freqüentemente ondas sharp, que são ondas reveladoras de sofrimento cerebral. Enfim, não há dúvida de que o TH é um quadro predominantemente orgânico-cerebral, físico...

 

Estudos recentes sugerem que no Transtorno Hipercinético (TH) haja uma transmissão “genética” da doença, embora não se saiba precisamente como. Um estudo realizado na Colômbia (cf. MAURICIO ARCOS – BURGOS. “Discriminación de factores geneticos en el déficit de atención (DDA)", in site da Internet, 29/01/00, op. cit.) concluiu que "existe um gen maior que explica mais de 99,9% da variância do genótipo DDA" e que este gen é de "características dominantes e co-dominantes e tem uma penetrância de 30%.(...) quer dizer, uma estimativa próxima de 6% da população geral."

 

Aspectos psicológicos do TH – Tratamento farmacológico. Com o melhor conhecimento da bioquímica cerebral dos portadores do distúrbio, surgiram medicamentos para o tratamento.

 

O destaque do quadro clínico–psicológico do Transtorno hipercinético (TH) refere-se à “hiperatividade”, isto é, à “hipercinesia e à impulsividade” e, a nosso ver, o déficit de atenção é secundário à hiperatividade e à impulsividade.

 

Julgamos importante controlar tais sintomas através de medicamentos e, obviamente, eles só devem ser usados sob acompanhamento médico especializado e com DIAGNÓSTICO RIGOROSO. Tem sido usado, com muito sucesso, o “metilfenidato” ( Ritalina® ), uma substância paradoxalmente excitante da região cortical do cérebro, com isso inibindo a excitação sub-cortical, núcleo primário do distúrbio (não entraremos em detalhes, pois isto envolve aspectos fisiopatológicos difíceis de explicar num trabalho pequeno como este que estamos apresentando ao público). Infelizmente, o metilfenidato costuma levar à DEPENDÊNCIA química, daí talvez o temor do Sr. leitor, além de artigos alarmantes lidos por ele, escritos por pessoas sem base científica no assunto, por exemplo, a Dra. MARY ANN BLOC. É PRECISO SABER DIAGNOSTICAR o Transtorno Hiperativo e duvido que alguém fique curado dele sem o uso de medicamentos, farmacológicos, como afirma a "naturalista" Dra. MARY ANN BLOCK, que faz afirmações, sem comprovação científica, por exemplo, que o TH seria provocado por “hipoglicemia, alergias, fatores ambientais e hipertiroidismo” no site sugerido pelo Sr.leitor...Ora, todas estas condições constituem DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL em relação ao Transtorno Hiperativo(TH)...

 

Os “neurolépticos” também dão bons resultados, temos uma casuística, pequena, neste particular. Também os “tricíclicos” e a “clonidina” em particular têm sido usados com sucesso. Soubemos do relativo benefício medicamentoso no caso do filho de uma leitora nossa, através de um “tricíclico”, como informado por ela posteriormente ao nosso artigo publicado alhures...

 

O diagnóstico de TH estaria correto? Há patologia associada (co-morbidade) ? Faltam-nos elementos para explicar este informe do Sr. leitor...

 

Aspectos Sociais do TH. O paciente com TH sofre, com certeza, diversos “preconceitos”, pois a Sociedade, em geral, tende a excluir uma pessoa com transtornos de comportamento, por não entendê-los, e passa a estigmatizar o paciente como "mal educado" (na infância) ou "mau caráter" (quando adulto). Quando os pais estão em desajustes conjugais, então, o problema se agrava, posto que só um deles em geral cuida do caso... Os pais de pessoas com tais transtornos que conseguirem vencer o bom combate, certamente, ao desencarnarem, observarão a grande evolução espiritual atingida. Mas aqueles pais que, por preconceito, negarem inconscientemente a doença de um filho, julgando-o uma nódoa na família, ou mesmo um filho mal-criado e por isso espancarem-no, ou, ainda, aqueles que abandonarem o filho, também serão atingidos pela “lei de causa e efeito”, e aqui retornarão, com certeza, para pagar seus débitos, terão de reassumir seus “compromissos reencarnatórios”...

 

Aspectos espirituais do TH. Como vimos, o TH é uma disfunção cerebral, física, que compromete o indivíduo levando-o à “hiperatividade”, isto é, à hipercinesia e à impulsividade. Ora, o livre-arbítrio dessa pessoa estará comprometido pela doença, portanto, o corpo não será dócil ao seu pensar, querer e sentir...Disseram os Espíritos Superiores em resposta à questão 122 de O Livro dos Espíritos, na sua parte inicial: "O livre-arbítrio desenvolve-se à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo....".

 

Sabendo que o comprometimento encefálico no TH é quase imperceptível, inclusive nos exames tomográficos, acreditamos que este distúrbio é uma oportunidade importante para a PROGRESSÃO ESPIRITUAL, tanto do paciente quanto da família... Dizem os Espíritos Superiores na resposta à questão 779 de O Livro dos Espíritos: "O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que OS MAIS ADIANTADOS AJUDAM OS OUTROS A PROGREDIR, PELO CONTATO SOCIAL." (o grifo é nosso). Ou seja, é obrigação dos pais ajudar seus filhos e, principalmente, um filho com uma PROVA de difícil cumprimento, posto que o Espírito terá de agir num cérebro excitado.

 

A questão da aplicação de passes na própria residência. Não entraremos em polêmica com o Sr. leitor, pois ela envolve, a nosso ver, aspectos distorcidos em relação à função do Centro Espírita... Só vou dizer o seguinte: uma pessoa acamada, com uma doença extremamente debilitante ficará desprovida dos benefícios do PASSE? O PASSE NÃO É UM RITUAL, QUE NECESSITE DIA E HORA MARCADOS... Os Espíritos estão à nossa volta, diuturnamente, e não somente dentro dos Centros Espíritas. JESUS não escolhia lugar para “curar” os enfermos, nem dia , nem hora, JESUS TAMBÉM CURAVA AOS SÁBADOS, o que era proibido pelos DOGMAS judaicos...

 

EPÍLOGO. O caso citado pelo Sr. CARIBERTO não é sugestivo de “obsessão”, a nosso ver; por isso sugiro que continue educando seu filho dentro da Pedagogia Espírita e minha “intuição” diz que todos nós encarnados na Terra temos compromissos a saldar e que a pessoa que apresenta o Transtorno Hiperativo é um Espírito que sofre o constrangimento da carne, não pode agir e reagir plenamente, em função de uma excitação cerebral. Por isso, ela é testada para controlar os MOVIMENTOS e IMPULSOS e, a HIPERCINESIA está bem clara no caso do filho do Sr. CARIBERTO... Embora corporalmente esteja predisposto a agir turbulentamente e com déficit de atenção, a experiência na carne serve para desenvolver o seu livre-arbítrio. É uma experiência semelhante àquela pessoa nas primeiras encarnações, onde o Espírito está muito próximo da simplicidade e ignorância, das quais nos fala a Espiritualidade Maior na resposta à questão 133 de O Livro dos Espíritos... Enfim, é oportunidade para o paciente e os pais progredirem, cumprindo aquele comentário de KARDEC à questão 132 de O Livro dos Espíritos: "(...) tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza".

 

DEUS conduz essas pessoas “relevando” muitas falhas do Espírito, pois, conforme disse JESUS num trecho da PARÁBOLA DOS TALENTOS: "(...) Pois aquele que tem lhe será dado e lhe será dado em abundância, mas ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." (Mt 25,29). Aqueles, como o Sr. leitor, que estão abertos para a verdade, DEUS dará em abundância... Essa é a nossa “opinião pessoal”.

 

A determinação, a ternura e o amor de muitas mães são admiráveis, especialmente nas provas mais cáusticas. Não o sabemos se o filho do Sr. leitor as teve, mas como estão “separados” (e não o sabemos o porquê), é preciso que se ressalte este aspecto – a importância da figura materna para o bom desenvolvimento da criança problemática...

 

 

Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira

 

Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto

que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"

 
 

Topo

 

 

 

Páginas optimizadas para visualização igual ou superior a 800x600, cor a 16-bits e com 'javascript' activado.

Web Design e Desenvolvimento:
© 2004-2006 AME PORTO. Todos os direitos reservados.

www.ameporto.org