![]() |
|
|
O médico responde
CRIMINALIDADE como destino e Autodeterminação Herança genética como causa de assassinatos e banditismo à luz da Doutrina Espírita
Em 20 de junho passado, recebemos a seguinte questão de uma leitora da nossa página: "Estimado doutor Iso Teixeira, como psicóloga conhecemos alguns estudos da área de Psicopatologia, e segundo os mesmos, dizem que um assassino ou bandido, estaria relacionado com a sua genética. Seria isso possível, visto sabermos que é o espírito que comanda o corpo? Será que a genética é mais forte que a nossa vontade, como espíritos que somos?"
Cristina Carvalho - Gondomar
As indagações da psicóloga portuguesa dá-nos a oportunidade de divulgar o que deixamos consignado em nosso livro Agressividade: de Caim ao Serial Killer (Editora DPL, São Paulo, Brasil, 2003), no capítulo 7, intitulado Os Serial Killers e a Criminalidade como Destino...
O criminoso-nato. Bem, caríssima Sra. CRISTINA, as concepções psicológicas afirmando que um "assassino ou bandido" seria levado a esta condição por influência genética, nasceu, histórica e cientificamente, através dos estudos de CESARE LOMBROSO. Ele foi o pioneiro na Antropologia Criminal, na Criminologia, isto é, no estudo científico que busca as causas do crime. Em 1876, com o seu célebre trabalho publicado em Milão, intitulado L´uomo delinqüente in rapporto all´antropologia, giurisprudenza e disciplina carceraria, ele assentou as bases do que considerava como o criminoso-nato... LOMBROSO convenceu-se de que a criminalidade seria inata, ou seja, para ele, os fatores biológicos seriam preponderantes nas causas do crime; e chegou a descrever alguns estigmas físicos e psíquicos de criminoso-natos, que seriam específicos da degenerescência humana...
Tais estigmas físicos seriam: particularidades de forma da calota craniana e da face, bem como detalhes quanto ao maxilar inferior, fartas sobrancelhas, molares proeminentes, orelhas grandes e deformadas, dessimetria corporal, grande envergadura de braços, mãos e pés. Os estigmas ou sinais psíquicos caracterizariam o criminoso nato, como sensibilidade à dor diminuída, crueldade, leviandade, aversão ao trabalho, instabilidade, vaidade, tendências a superstições e precocidade sexual. Porém, mais tarde, LOMBROSO concluiu que nem todos os criminosos mostram tais características, ele distinguiu, como pseudocriminosos, os ocasionais e os passionais. Manteve porém, a idéia de que a maior parte dos criminosos, formavam um tipo antropológico unitário e este seria o criminoso verdadeiro.
Obviamente, as dimensões dos lóbulos das orelhas, particularidades da calota craniana, maior envergadura de braços, mãos e pés, etc., pressuporiam alterações biológicas, endócrinas, por exemplo... Ora, do ponto de vista estatístico os achados de LOMBROSO possuíam alguma validade, mas o perigo estava na generalização e no materialismo, a nosso ver. Não obstante, ele abandonou sua tese de criminoso-nato, tese Materialista, rendendo-se ao Espiritualismo, ao tocar na sua mãe materializada, quando pesquisou os fenômenos mediúnicos da extraordinária EUSÁPIA PALADINO... Vale a pena transcrevermos um trecho da Apresentação do livro Hipnotismo e Mediunidade de autoria de CESARE LOMBROSO (Editora FEB, 3 ed., Rio de Janeiro, 1983, p. 35), sobre este: "Em 1902, na casa da condessa Celesia, reúne-se a um pequeno grupo de amigos, entre eles os Drs. Celesia, Morselli e Porro e obtém novas e valiosas confirmações experimentais dos fenômenos mediúnicos de Eusápia. Neste mesmo ano, entre surpreso e emocionado, vê o espírito materializado de sua própria mãe, ouve-lhe a voz e sente-lhe o contato (...)".
Sem dúvida, caríssima Sra. CRISTINA CARVALHO, é o Espírito que comanda o corpo, não obstante, o homem deve ser analisado em sua estrutura global – bio-psico-sócio-cultural e espiritual . Não devemos realçar os aspectos físicos em detrimento do espiritual, porém, devemos admitir o valor exato dos fatores genéticos, cientificamente demonstrados...
A criminalidade como destino. Em 1929, J. LANGE escreveu um livro que marcou época, intitulado A Criminalidade como Destino (Verbrechen als Schicksal)... LANGE estudou 13 (treze) pares de gêmeos univitelinos (isto é, provenientes da fecundação de um só óvulo e, portanto, com igual material genético), destes, 10(dez) haviam praticado crimes da mesma espécie; ao passo que, de 17(dezessete) outros, bivitelinos (isto é, gêmeos provenientes da fecundação de dois óvulos e, portanto, com material genético semelhante), somente 2(dois) haviam cometido delitos congêneres.
Esses achados de LANGE, muito interessantes, fariam com que psicólogos supusessem, ou mesmo corroborassem, a tese de criminoso-natos preconizada inicialmente por LOMBROSO, mas não é bem assim, vejamos o que nos ensina, a respeito disso, o nosso saudoso Mestre da Psiquiatria brasileira – prof. A. L. NOBRE DE MELO – em seu primoroso livro Psicologia Geral e Psicopatologia: "A verdade, porém, é que nem mesmo em tais casos a herança biológica se mostra assim tão soberana e inelutável, quanto os fatos parecem indicar. Haja vista percentagens de exceção consignadas, isto é, de não-concordância para os univitelinos e de concordância para os bivitelinos, o que é suficiente para deixar subentendido, que nada é aqui tão categórico e absoluto, quanto se faz acreditar" (op. cit., Civ. Brasileira /MEC, Rio de Janeiro, 1979, p. 289).
O projeto genoma e a criminalidade. Em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, 25/03/2001, p.16, MAE-WAN HO, pesquisadora da Open University de Londres, diretora e fundadora do Isis (Institute of Science in Society) disse: "A conclusão do mapeamento do genoma humano foi publicada na primeira metade de fevereiro. (...). Os cientistas se declaram "surpresos": o "livro da vida" tem apenas 30 mil genes. Craig Venter, cuja empresa, a Celera, estava na corrida contra um consórcio de pesquisa bancado por verbas públicas para completar primeiro o mapeamento, foi o único a perceber as implicações corretamente. O número de genes é muito inferior ao necessário para sustentar as extravagantes alegações feitas ao longo da última década quanto ao fato de que genes individuais determinam não só como nossos corpos são construídos e que doenças contraímos, mas também nossos padrões de comportamento, nossa capacidade intelectual, nossa preferência sexual e nossa eventual propensão à criminalidade. "Nós simplesmente não temos genes suficientes para que essa idéia do determinismo biológico esteja correta", disse Venter".
Agora, estabelece-se o debate: que seria mais importante na gênese da criminalidade, o genoma humano ou o ambiente ? Mas, não se cogita da influência espiritual, numa época em que predomina o materialismo. O projeto genoma ainda não pode estabelecer correlações seguras entre um determinado gen e um comportamento criminoso, e mesmo se pudesse estabelecê-las, não seria um "golpe de morte" para as pretensões do Espiritualismo...
Epílogo. Prezada leitora, respondendo à sua primeira pergunta, diremos: sim, é possível... A genética pode ser um aspecto, parcial, importante na criminalidade, pois o nosso corpo traz disposições herdadas; não obstante, o livre-arbítrio é todo nosso, não há determinismo, nem fatalismo biológico no comportamento humano, todos temos autodeterminação. O Espírito é o senhor do nosso próprio destino.
Não, não, Sra. leitora, a genética não é mais forte que a nossa vontade e isto fica bem claro na exortação feita pelo Espírito Protetor GEORGES (Paris), em 1863: "(...) Amai, pois, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que lhe são peculiares por força da própria natureza, é desconhecer as leis de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o faz cometer, e pelas quais ele é tão responsável como o cavalo mal dirigido o é, pelos acidentes que causa" (cf. item 11 – cap. XVII, de O Evangelho segundo o Espiritismo, de ALLAN KARDEC).
Assim, caríssima psicóloga, por mais fogoso que seja um cavalo é sempre possível ao bom cavaleiro dirigi-lo de maneira correta, de modo que nem o cavalo nem o cavaleiro sejam molestados; ambos trilharão, então, seu caminho de progresso. Sem dúvida, o Espírito comanda o corpo, o que não impede que em nossos corpos venha gravada a predisposição hereditária, pois, o corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito; e isto está explicitado na segunda frase da resposta à questão 207 de O Livro dos Espíritos, de ALLAN KARDEC...
Enquanto formos imperfeitos estaremos sujeitos a reencarnações probatórias; enquanto não ultrapassarmos as provas, ficaremos estacionados espiritualmente. Se conseguirmos ultrapassá-las, subiremos degraus na nossa ascensão espiritual, rumo à regeneração – próximo estágio do nosso planeta Terra. Assim é a Lei Divina para nós, e nos assassinos e bandidos há, antes de tudo, infração desta Lei...
Muita PAZ a todos os Srs. leitores.
Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"
|
|
![]() |
Páginas optimizadas para visualização igual ou superior a 800x600, cor a 16-bits e com 'javascript'
activado.
Web Design e Desenvolvimento:
© 2004-2006 AME PORTO. Todos os direitos reservados.
www.ameporto.org