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O médico responde
CLONAGEM Os embriões congelados têm Espírito?
Recebemos mail de um leitor português, que faz parte da Associação
Cultural Cristã Espírita, em Oliveira de Azemeis; disse-me ele, em 31 de
janeiro de 2005: Em relação à doença de Alzheimer, o espírito fica como no coma, parcialmente liberto?”
Joaquim Figueiredo – Santa Maria da Feira – Portugal.
Respondemos, preliminarmente, ao Sr. leitor, agradecendo o seu interesse
pelo jornal de espiritismo e, em particular, pela nossa página de SAÚDE.
Bem, o tema CLONAGEM ou COLONAGEM é bem polêmico, porque envolve aspectos
considerados controvertidos , principalmente, científicos, éticos e
espirituais. Não obstante, a controvérsia do ponto de vista espírita ainda
existe, porque, a nosso ver, há distorção da Doutrina dos Espíritos por
alguns confrades e confreiras, talvez, por leitura desatenta das obras da
Codificação, de ALLAN KARDEC...
Que é colonagem ou clonagem? A palavra clone, tem origem etimológica grega
– klón – que significa broto, ramo. O clone é um ser vivo, que tem a mesma
constituição genética de outro; é o “broto” da planta que, ao ser
destacado, pode se desenvolver como a planta-mãe. De acordo com os
microbiólogos, o termo clone é aplicado a uma população de microorganismos
geneticamente idênticos. Nos animais, inclusive no Homem, pode ocorrer um
processo de clonagem natural, que leva à formação de gêmeos “idênticos”. É
preciso ressaltar-se que no clone natural humano os gêmeos são idênticos
genotipicamente, isto é, com características corporais semelhantes, mas o
fenótipo será diferente, pois dependerá de condições ambientais (inclusive
sócio-culturais) diversas, além disso, os Espíritos são diversos nos
clones humanos naturais.
A ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado de célula somática.
Naturalmente, a maioria dos organismos desenvolve-se da união de um do
sexo masculino com outro do sexo feminino (reprodução sexuada), ou seja,
um espermatozóide que contém n cromossomos fecundando um óvulo, também com
n cromossomos, dando origem a um indivíduo com 2n cromossomos.
A clonagem de animais foi realizada cientificamente pela primeira vez em
1952, com girinos, embriões de sapos, por ROBERT BRIGGS e THOMAS KING...É
importante destacarmos que antes de 1952, a clonagem em vegetais foi
amplamente realizada, sem nenhuma repercussão internacional maior, apesar
de tratarem-se de seres vivos, também... Por que? A nosso ver, porque os
vegetais não têm alma, quase todos concordam, entretanto, alguns espíritas
distorcem o que os Espíritos Superiores disseram, claramente, na obra O
Livro dos Espíritos (OLE), de ALLAN KARDEC, nas respostas às questões 71,
136-A, 585 (incluindo-se o comentário de KARDEC), 586, 587, 588, e
permanecem num pieguismo e num falso evangelismo tolo. Mas, voltemos ao
nosso breve histórico:
Em 1970 clonaram embriões de ratos. Bem antes de DOLLY, em 1979, foram
clonados embriões de ovelhas e, em 1980, embriões de gado. A partir de
então, este tipo de clonagem penetra como tecnologia avançada em
Veterinária e reprodução pecuária.
A ovelha DOLLY foi o primeiro mamífero clonado por transferência nuclear
de células somáticas, isto é, com 2n cromossomos do indivíduo original, ou
seja, de uma célula da glândula mamária de uma ovelha de 5-6 anos
denominada BELLINDA, da raça Finn Dorset.
A clonagem da ovelha DOLLY produziu grandes debates internacionais,
principalmente, sobre a possibilidade de clonagem humana artificial e a
chamada “eutanásia” dos embriões, além da criação de “monstros”...
É preciso que se ressalte que ao se falar em “clonagem humana”, hoje,
referimo-nos à modalidade reprodutiva , que produz bebês como cópias
físicas de seres já existentes (clonagem natural) e a clonagem
terapêutica, que elabora embriões humanos, que são congelados, com a
finalidade de fabricar tecidos orgânicos diversos, tratar infertilidade,
etc...
As células-tronco, também chamadas por alguns de “sementes da vida”
estariam presentes nos primeiros 14 dias do desenvolvimento embrionário.
Por serem células indiferenciadas, estão sendo utilizados em alguns países
para tratamento da Doença de Parkinson, Diabetes, músculo cardíaco
enfartado, etc., com resultados promissores. Porém, ao serem retiradas as
células-troco de embriões, estes ficam danificados, transformam-se em um
“amontoado de tecidos”, como teria dito o prof. JAN WILMUT...
A primeira pergunta do nosso leitor JOAQUIM FIGUEIREDO é: “Nessas
experiências de embriões existe algum espírito atribuído aquele embrião?”,
bem, é o que tentaremos responder, a seguir:
Portanto, Srs. leitores e Sras. leitoras, não conseguimos conceber que um
embrião permaneça congelado, nos seus primeiros 14 dias, e um Espírito ali
permaneça ligado a ele nestas condições!! E há até uma classe de
espíritas, contrários a tais experiências, que dizem que “o espírito
sofreria muito, pois ficaria congelado”!!! Ora, Espírito não é líquido
para ser congelado e, muito menos matéria!...
Não obstante, o Sr. leitor ou leitora poderia argumentar: E se aquele
embrião for implantado no útero de uma mulher e vingar, ele teria um
Espírito? Responderíamos: Obviamente, sim, se nascer vivo, sem
dúvida!... O que desejamos argumentar é que a Providência Divina a tudo
provê; o Espírito será atraído para o feto por poderosas forças, cuja
natureza ainda desconhecemos... Alguns falam em força “magnética”... É
possível, mas o fato é que tal força é DESCONHECIDA cientificamente. A
propósito, lemos no item 18, Capítulo 11, do livro A Gênese, os milagres e
as predições segundo o Espiritismo, de ALLAN KARDEC:
“Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação,
um laço fluídico, que mais não é do que a expansão do seu perispírito, o
liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível [o grifo é nosso],
desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço
de encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o
perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a
molécula, ao corpo em formação(...)”
Outros diriam: Mas, a estrutura do feto não é determinada pelo
perispírito, através do Modelo Organizador Biológico (MOB), e, portanto,
antecede a formação do embrião?!... Diremos nós: não aceito as teses
contidas na teoria humana do MOB, por ser fatalista e por conceber o
perispírito como se fosse matéria. Sim, o perispírito é semimaterial, mas
a matéria aqui é quintessenciada... O que me parece é que haja uma
Diretriz Organizadora Biológica (DOB), através de uma força ainda
desconhecida por nós, seres humanos ainda imperfeitos, até porque
desconhecemos COMO nasce o Espírito! A propósito, na resposta à questão 78
de OLE, a Espiritualidade Superior enfatiza para KARDEC, e para nós:
“(...) mas quando e como cada um de nós foi feito, eu te repito, ninguém o
sabe, isso é um mistério.”
Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um
Espírito?
A resposta a essa pergunta é fundamental para entendermos que o que dá
vida a um corpo é o “fluido vital” e não o Espírito. Conhecemos vários
casos de vida vegetativa de vários seres humanos, sem que necessariamente
ali exista um Espírito. A propósito, leia-se nosso artigo A SUBLIMIDADE DA
MORTE (jornal de espiritismo, janeiro / fevereiro 2005, Coluna SAÚDE,
p.4).
Parafraseando ALLAN KARDEC: as fantasias científicas de hoje podem ser uma
realidade amanhã, antes que chegue o amanhã, fiquemos com a realidade de
hoje! Respondendo à segunda pergunta do nosso leitor, em relação à doença de ALZHEIMER, se o Espírito ficaria como no coma, parcialmente liberto, diremos que a situação é ligeiramente diferente da anterior (no embrião), pois o Espírito precisaria, eventualmente, concluir suas PROVAS, e o desprendimento mais ou menos rápido irá depender da elevação intelectual e moral do Espírito. A este respeito, os comentários de KARDEC sobre a resposta da questão 155-A de OLE, quase “in fine”, são esclarecedores:
“(...) Por outro lado, a atividade intelectual e moral, a elevação dos
pensamentos, operam um começo de desprendimento, MESMO DURANTE A VIDA
CORPÓREA e quando a morte chega, é quase instantânea” – o destaque é
nosso.
A Doença de ALZHEIMER é um quadro demencial, irreversível, com
solapamento, progressivo da memória e outras funções cognitivas da pessoa,
é uma doença de evolução crônica. A Doença de ALZHEIMER é uma prova
duríssima, cáustica para os familiares, mas também pode ser prova e
expiação para o doente; contudo, em todos os casos, parece-me, o Espírito
estará parcialmente liberto do corpo, semelhantemente ao coma, concordamos
com o Sr. leitor e a ele agradecemos perguntas tão pertinentes e
interessantes para o nosso estudo doutrinário.
Texto: Dr. Iso Jorge
Teixeira Texto publicado no "Jornal de Espiritismo" e oferecido por um membro da AME Porto que é responsável pelo espaço jornalístico da coluna "Medicina e Espiritualidade"
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