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Entrevistas

Zalmino Zimmermann
PROFESSOR CATEDRÁTICO E JUIZ FEDERAL BRASILEIRO
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O Juiz Federal e professor catedrático Zalmino
Zimmermann. |
Zalmino Zimmermann, com formação superior em Direito e Psicologia, é
magistrado Federal e ex-Professor Titular da Faculdade de Direito e do
Instituto de Psicologia da PUCC - Campinas. É ainda Presidente da
Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas, escritor e expositor
espírita, tendo sido entrevistado em exclusivo no Brasil pelo Jornal de
Espiritismo.
O que é a ABRAME – Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas?
Zalmino Zimmermann - A ABRAME, criada em outubro de 1999, é hoje uma instituição nacional,
reunindo centenas de magistrados espíritas brasileiros, dos vários graus
de jurisdição, com sede em Brasília (DF) e Delegacias em todos os Estados
do Brasil.
Quais os objectivos?
ZZ - O objectivo básico da ABRAME é operar ativamente no sentido da
espiritualização do Direito e da humanização da Justiça, atendendo à
natureza espiritual, interexistencial e multiexistencial do ser humano.
Que actividades?
ZZ - A ABRAME desenvolve atividades tanto no plano regional, como em nível
nacional. Nos Estados realiza Encontros e palestras, reuniões de estudos,
sempre em recintos forenses ou em Associações de Magistrados.
Periodicamente, acontecem Encontros nacionais, onde são discutidas teses
que dizem com os objetivos da ABRAME. O último, o 3º Encontro Nacional dos
Magistrados Espíritas, ocorreu em Goiânia, com a duração de três dias. A
instalação aconteceu no auditório do Tribunal de Justiça do Estado de
Goiás e as plenárias, na Associação dos Magistrados de Goiás.
Quantos sócios têm?
ZZ - Chegamos, já, aos seiscentos associados, mas as perspectivas
apresentam-se muito promissoras.
Existem Ministros dos Tribunais Superiores como sócios?
ZZ - A ABRAME reúne, como associados, Ministros do Superior Tribunal de
Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho, Desembargadores, Juízes
Federais, Juízes de Direito, Juízes Trabalhistas e Auditores Militares.
Qual a sua importância no cenário sócio-politico?
ZZ - A actuação da ABRAME no cenário político – Senado e Câmara dos
Deputados –, nas esferas judiciárias, na imprensa, nas Universidades,
promovendo campanhas que interessam ao futuro espiritual da Nação, tem
atraído, cada vez mais, o respeito da sociedade brasileira.
UNIVERSIDADE
Como Professor Catedrático e espírita, como conjugava a doutrina
espírita nas aulas que leccionava aos futuros magistrados da Republica do
Brasil?
ZZ - Respeitando sempre as convicções alheias, buscando sempre ressaltar os
valores superiores, dignificadores da condição humana.
Os seus alunos quando formados saíam com alguns conhecimentos de
Espiritismo?
ZZ - Aos que, sabendo de nossas convicções, nos buscavam, prestávamos,
fraternalmente, como possível, as informações desejadas.
Como é visto o espiritismo na Universidade?
ZZ - Hoje o Espiritismo é plenamente conhecido e respeitado no meio
universitário. Seminários e conferências realizam-se continuamente e teses
de mestrado e doutorado, associadas aos temas espíritas, são apresentadas
nos diversos Cursos.
SOCIEDADE
Que é ser um Juiz Federal?
ZZ - A Justiça Federal, no Brasil, tem competência específica. Diz respeito
às questões que interessam à segurança social e econômica do País. Na área
criminal, compete-lhe o julgamento de vários tipos de delito, desde a
sonegação e o contrabando, até crimes financeiros e o tráfico
internacional de entorpecentes. Julgar os envolvidos é a missão do Juiz
Federal.
Como concilia as “Leis Morais” contidas n’O Livro dos Espíritos com as
“Leis dos Homens?”.
ZZ - As Leis Morais comentadas por Kardec, na Parte Terceira de “O Livro
dos Espíritos” dizem muito com o Direito Natural, matriz do Direito
Positivo, que se expressa nas Constituições e Códigos dos diversos povos.
A Justiça deve espiritualizar-se?
ZZ - Sim. A partir da sua humanização, a significar significativa mudança
de avaliação e procedimentos.
TRIBUNAL
O espiritismo trouxe alguma mais valia para o acto de julgar?
ZZ -
Sem dúvida alguma. Um juiz espírita consciente compreende que está diante
de um irmão seu, em evolução, a necessitar, não de um “castigo da
sociedade”, propriamente, mas de uma oportunidade de reeducar-se – não sem
dor, muitas vezes –, antes de retornar ao convívio social.
Existiu algum julgamento em que mudou o seu veredicto, pelo facto de
ser espírita?
ZZ -
Não, exatamente. Ao compulsarmos um processo, desde o início, já o
fazíamos com o cuidado que se impunha e, temos certeza, assistidos pelos
mentores espirituais.
PRISÃO
O que sente um espírita que é juiz quando envia alguém para uma prisão?
ZZ -
A tarefa de julgar, principalmente na jurisdição criminal, na maioria das
vezes é provação. Condenar não traz alegria, ainda que se saiba que a pena
representa a oportunidade de recuperação espiritual de quem a sofre.
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Revista dos magistrados espíritas da ABRAME. |
Na óptica espírita qual a finalidade das prisões?
ZZ -
Na óptica espírita, e temos muito discutido a respeito nas reuniões da
ABRAME, inexiste razão para a existência das prisões, como as
conhecemos. Na maioria dos países, os sistemas prisionais ainda são
medievais, verdadeiras fábricas de criminosos e revoltados. No Brasil, a
doutrina de execuções penais refere-se à reeducação e ressocialização do
sentenciado, mas, na prática, com poucas exceções que agora se contam, a
realidade é dolorosamente outra.
Esperamos, e esse certamente é o pensamento dos juízes espíritas, que em
tempo não muito distante, os sistemas de reeducação dos que erraram, os
reeducandos, possibilitem, com base em projetos humanistas, a recuperação
dessas almas para uma vida digna e produtiva.
O que a doutrina espírita oferece aos presos e suas vitimas bem como
aos directores e guardas prisionais?
ZZ -
Para todos, a Doutrina Espírita oferece valiosos recursos de entendimento
em relação à responsabilidade individual pelos atos praticados e a seus
efeitos no tempo, tanto na dimensão física, como na espiritual. O
conhecimento da Lei da Causalidade Espiritual e do processo da
reencarnação, desperta-nos decisivamente para uma realidade que, nos leva,
quase sempre, a uma notável mudança de comportamento.
ABORTO
Como avalia uma decisão judicial que despenaliza o aborto?
ZZ -
No Brasil, com a Constituição de 1988, que categoriza o Direito à Vida
como um Direito fundamental absoluto, toda decisão judicial que autorize o
aborto é totalmente ilegal. Embora decisões existam favorecendo a prática
abortiva, elas têm sido contestadas, mesmo porque, a rigor, não existe em
nosso ordenamento jurídico nenhuma norma que o faculte, uma vez que o
dispositivo penal, de 1940, que previa a exclusão de criminalidade ou de
penalidade em certos casos, já não mais existe, uma vez que não foi
recepcionado pela atual Constituição.
Este ano, será referendado a «despenalização do aborto». Em principio a
pergunta que será colocada aos portugueses é: «Concorda com a
despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por
opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde
legalmente autorizado?». Como analisa?
ZZ -
Falta-nos melhor conhecimento da Constituição Portuguesa, mas, em
princípio, há que se considerar que um plebiscito diz com a democracia e o
Estado de Direito.
Nesse caso específico, entretanto, há que se ter presente que o Direito à
vida é um direito supraestatal que, a rigor, existe independentemente de
qualquer lei; é o primeiro dos Direitos Naturais, como bem sublinhou
Kardec, um Direito originário que condiciona todos os outros.
Outro aspecto: no eventual caso de um plebiscito favorável ao aborto,
mesmo que, por hipótese, se convocasse uma Constituinte só para isso, é
impossível imaginar que o Direito à vida possa ser apagado da Lei Suprema
de uma Nação.
O aborto não será a pena de morte, com uma agravante, a de que o “réu”
não tem direito a defender-se?
ZZ -
O aborto é verdadeiro genocídio que se perpetra contra milhões de pessoas
não nascidas, sem qualquer possibilidade de defesa. Descriminalizar ou
despenalizar o aborto – que corresponde à sua descriminalização – é um
retrocesso a eras pré-constitucionais, aos primórdios do processo
civilizatório, como lembrou Kardec.
ESPÍRITOS
Existe algum caso em que os espíritos ao se comunicarem alterassem a
decisão da Justiça?
ZZ -
Hoje, no Brasil, são diversas as absolvições com base em provas
mediúnicas. A primeira, ocorreu na década de 70, quando um magistrado, Dr.
Orimar Bastos, ainda, não espírita, então, impronunciou um réu acusado de
homicídio, com fundamento numa mensagem da própria vítima, recebida pelo
notável médium Francisco Cândido Xavier.
Como foi possível os magistrados aceitarem como prova uma comunicação
proveniente do mundo dos espíritos?
ZZ -
A idoneidade do médium e a riqueza de detalhes, na comunicação mediúnica,
apontando datas, nomes e circunstâncias, todos absolutamente desconhecidos
do médium, que, quase sempre, reside em região distante do local da
ocorrência, concorre para a admissibilidade da mensagem como prova robusta
e insofismável.
Como a Sociedade e Justiça viram estes casos?
ZZ -
No Brasil, como se sabe, o Espiritismo é muito conhecido. Afinal, no
Movimento Espírita, já são cerca de dez mil Centros Espíritas operando
ativamente no País e milhares, as instituições que se dedicam à
assistência social e à promoção humana. Assim, decisões como essas, com
base em prova mediúnica, não causam maior estranheza, sendo aceitas e
respeitadas, como, aliás, não poderia deixar de ser.
Gostaria de deixar uma mensagem aos magistrados espíritas de Portugal?
ZZ -
Agradecendo a oportunidade desta entrevista, saudamos, fraternalmente, os
nossos ilustres Colegas portugueses, na expectativa de que, em breve,
possamos ter a notícia do surgimento de uma Associação que reúna, também,
os magistrados espíritas em Portugal, para juntos lutarmos por um mundo
melhor.
Seja-nos lícito, no ensejo, indicar nossos endereços para eventuais
contatos e onde estaremos à inteira disposição: site: www.abrame.org.br;
e-mail: presidencia@abrame.org.br; telefone: 0055 (19) 3241-1080; fax:
0055 (19) 3243-9040.
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal
de
Espiritismo” de Portugal

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