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Ulisses Lopes

PRESIDENTE DA ADEP - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL

 

Site da ADEP (Associação de Divulgadores de Espiritismo). Link: http://www.adeportugal.org

Site oficial da ADEP.

Portugal tem uma Associação de Divulgadores de Espiritismo. A carta das entidades oficiais portuguesas chegou em 26 de Julho de 1999. A primeira opção do nome desta nova associação estava autorizada: Associação de Divulgadores do Espiritismo em Portugal. O processo para os responsáveis tornou-se irreversível. Ulisses Lopes, o presidente da ADEP, esclarece ao movimento espírita brasileiro.

 

 

Jornal Espírita - O que é a Associação de Divulgadores de Espiritismo (ADEP)?
Ulisses Lopes - É uma associação que reúne gente interessada em contribuir para melhorar a divulgação do Espiritismo dentro e fora do movimento espírita. A ADEP é uma instituição especializada em comunicação. Para melhor atingir o seu público, actua junto das instituições espíritas, Federação incluída, oferecendo assessoria, desenvolvendo sempre que possível actividades em conjunto. Saliente-se notar que toda a divulgação que se preze deve começar de dentro para fora. Mesmo assim, a ADEP trata também da actividade informativa dirigida ao exterior do movimento em que se insere.
 

JE - Qual a sua estratégia?
UL - A estratégia da ADEP serve de orientação, a fim de que os objectivos estejam sempre presentes.
Assim, todos se podem agregar em torno de um horizonte de trabalho bem definido, nada vago ou obscuro, sem que ninguém precise de estar a inventar a roda para seguir adiante nas tarefas em que pode colaborar, se quiser. Um projecto que possa enfrentar tempestades em qualquer frente tem de partir favorecido por uma boa planificação e por uma razoável equipa. Levar adiante um trabalho com o risco de ele se esboroar por vontade alheia passado pouco tempo não serve. O tempo corre rápido e escasseia. Módulo após módulo, é possível construir, levantar, erguer, completar, aperfeiçoar, juntar. Quanto a improvisos, nesta área não os pode haver, nem para uma fé cega baseada em inspirações ou para "o pouco que fazemos já é bom". A vida pede-nos sempre algo mais. Como a flor, que além de ser bela exala perfume. Progresso é lei feliz. E quando a meta, próxima, se parece distanciar além dos próprios passos, autoaperfeiçoamento, sempre, é o melhor lema.
 

Ulisses Lopes, presidente da ADEP

Ulisses Lopes, presidente da ADEP

JE - E seu compromisso?
UL - Temos um compromisso claro com o projecto universal de unificação do movimento espírita. O fito é o de colaborar no esforço de unificação atendendo a áreas que de outra forma dificilmente seriam abordadas, a não ser de vez em quando por impulsos quase sempre desorganizados. De acordo com a estratégia da ADEP, é elemento fundamental ela não se tornar nem concorrente nem sombra para a FEP. Interessa é intercolaborar. Os espaços de trabalho que a ADEP aborda são campos Interassociativos. Existe a actividade clássica do centro espirita. Existem outras formas de servir que não se encaixam nem funcional nem pragmaticamente aí, seja por falta de conhecimentos técnicos ou de interesse pessoal dos dirigentes dos centros. Outro facto é que esta associação, aberta a toda intercolaboração - desde que não comprometa o que define como essencial (a identificação clara com a óptica de Kardec) - vai facilitar o crescimento e amadurecimento de um trabalho que diversas pessoas têm desenvolvido nos últimos anos.
 

JE - Em que coordenadas se baseia a ADEP?
UL - As duas características básicas da mensagem espírita são conhecimento e amor. O centro espírita é a célula de eleição do movimento. Um facto histórico inegável destaca-se: não há Espiritismo senão a doutrina codificada por Allan Kardec. Allan Kardec é a bússola indispensável em matéria de actividade espírita. A ADEP trabalha dentro destas coordenadas.
 

Jorge Gomes, Luís de Almeida, Ulisses Lopes, Francisco Curado, Augusta Airosa, Isaías Pinto, José Luís Pinto, Maria José Cunha, Noémia Margarido, José Carlos Lucas, David Pires, Henrique Vieira, Filipe, Cândida Vieira, Patrícia, Reinaldo Barros, Teresa Dias

Fundadores da ADEP: Jorge Gomes, Luís de Almeida, Ulisses Lopes, Francisco Curado, Augusta Airosa, Isaías Pinto, José Luís Pinto, Maria José Cunha, Noémia Margarido, José Carlos Lucas, David Pires, Henrique Vieira, Filipe, Cândida Vieira, Patrícia, Reinaldo Barros, Teresa Dias… (na foto vê-se alguns dos fundadores).

JE - Que objectivos persegue?
UL - Os serviços da ADEP pretendem apoiar, sugerir, contribuir para a melhoria técnica da comunicação nas áreas de actividade espírita. Quer aprimorar a divulgação, diversificando-a, sob a hegemonia da qualidade. Assim, a ADEP visa promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências que contribuam para a divulgação doutrinária; deseja contribuir para a melhoria dos meios de comunicação; aprecia apoiar eventos que favoreçam a divulgação. No percurso destas metas, a ADEP promove a criação de apostilas para um Curso Básico de Espiritismo via Internet e via postal, bem como a Agencia de Noticias Espiritas, minicursos de especialidade (sobre a chamada fluidoterapia, atendimento, palestrar, etc.); promove colóquios regionais, assim como investigação e outras actividades exteriores ao movimento. Uma mensagem tão viva e actual como o ideal espírita não pode continuar a passar para os destinatários macerada, amolgada com os caprichos do ego, empoeirada com a incapacidade técnica de quem não sabe nem quer aprender. Algumas formas de fazer chegar a outrem uma mensagem espírita, que deveria ser sempre generosa e correcta, espartilha-se por vezes, neste movimento, em aventureirismo. Conteúdos são menosprezados, meios técnicos ficam estropiados. Quem paga? Não são as pessoas em causa - é o Espiritismo. Não é novidade: tem pago forte e feio desde fins do século passado. As ideias erróneas do vulgo sobre a doutrina provam-no. É tempo de mudar. Não se estudando este assunto, sem procura de melhoria e reciclagem, fica-se num plano de indigência cultural, uma das piores entre as conhecidas neste mundo. Porque apenas boa vontade é muito pouco: não chega. Diz-se que de boas intenções está o inferno cheio. O cenário tem que mudar. Ao abraçar-se uma tarefa, antes tem que haver preparação; senão a tarefa sofre... E este pode ser o momento, para todos os que aceitarmos este convite de autocrítica, de busca de soluções lógicas, esclarecidas. Assim, diante deste projecto que se apresenta, a ADEP, seria difícil que, alguém com perfil para colaborar, deixasse de se sentir motivado para este tipo de trabalho. O facto de se tentar sempre laborar em equipa propicia fraternidade, troca de ideias, debate útil, respeito pelas opiniões diferentes, exercícios de bom senso. Cada equipa engajada neste sistema encontrará no processo de servir alegrias intensas. Com elasticidade para enriquecer o plano de trabalho, há que manter contacto sempre que possível, a fim de incrementar recursos e facilitar a concretização desses mesmos objectivos.
 

JE - Quais os meios que emprega para atingir essas metas?
UL - Todos os acessíveis: emite um boletim informativo que é distribuído pelas diversas associações; dispõe de página na Internet (
http://www.adeportugal.org), é contactada por instituições para desenvolver tarefas específicas que lhe proponham, etc.
 

JE - Fora isso, que acções estão mais próximas?
UL - De momento, estamos na fase de arranque. O importante é organizarmo-nos para estudar as actividades a concretizar no próximo ano. Inobstante, de imediato, nas várias áreas de trabalho, estamos a fazer o seguinte: construção e aperfeiçoamento da nossa página na Internet, que incluirá, a seu tempo, apostilas de formação, e até de ensino à distância; aguardamos material que ficou de nos ser entregue para construirmos um CD-Rom de evangelização espírita infanto-juvenil; está já em preparação uma apostila dirigida a candidatos a serem entrevistados na TV e rádio em nome do Espiritismo; estamos a reunir uma equipa para digitalização de um programa de rádio espírita que durou três anos até terminar, há uma década; eventualmente iremos reeditar trabalhos de música espírita. Há outros projectos, mas de momento são essencialmente estes.
 

JE - Em concreto, quais os seus níveis de actuação?
UL - No centro espírita: palestras, atendimento, formação de colaboradores. No futuro criar-se-á um núcleo de monitores de Curso Básico por região, que estariam disponíveis para implementar as turmas nas associações que o desejassem. No ciberespaço (Internet): um grande potencial, a escasso preço.
Na comunicação social: imprensa, rádio, TV. Eventual edição de livros/CD. Na arte: pintura, desenho, música, etc. Porém, note-se que há uma deontologia: o compromisso que temos com o espírito de unificação. Somente a união dos indivíduos leva à unificação das Sociedades. Unificação, todavia, não é, conforme apregoam alguns, Uniformização, desde que o objectivo vital da mesma é o apoio mútuo, por todos os meios exequíveis. Exaltando a Fraternidade, que é um dos elementos básicos da proposta de Allan Kardec e que se completa com o Trabalho e a Tolerância, não há como se possa compreender desunião, separação, luta, na qual tenha prioridade o personalismo e se destaque o egoísmo individual em detrimento do grupo social. Destaque-se também que divulgadores são todos os que desenvolvem actividades relacionadas com a comunicação dentro e fora do movimento, tais como: expositores; articulistas; entrevistadores; publicistas; jornalistas; maquetistas; técnicos de edição, de bancos de dados, programadores; radialistas; escritores; editores de livros, jornais e boletins; bibliotecários, livreiros, etc. A ideia é criar uma intercolaboração e estudos que permitam subsidiar um melhor desempenho em termos qualitativos. Somar a sua experiência, ideias e capacidade de trabalho em benefício do aprimoramento dos meios de comunicação e da divulgação do conhecimento é fundamental.
 

JE - Há alguma história que tenha conduzido ao surgimento da ADEP?
UL - De alguma forma sim. Hoje, ao revermos todos estes anos em que temos colaborado no movimento, damo-nos conta de que reunimos um grupo de pessoas interessadas na área da comunicação, quaisquer que sejam os seus canais. Seja na rádio ou na imprensa, nas conferências ou na Internet, reunimos várias experiências que apontam um único sentido: para passar uma mensagem, há que aprimorar a capacidade técnica, e os conteúdos, para não desmerecermos um ideal tão nobre como o que o Espiritismo nos inspira. Hoje, compreende-se a importância de criar uma instituição capaz de agregar essa experiência, esse conhecimento, ampliá-lo e especializá-lo, com a colaboração de uma vasta equipa que se irá formando à medida que mais acções forem desenvolvidas. Iremos dando conta disso no boletim Informativo Espírita, na página da Internet da ADEP, e não só.
No campo interassociativo, onde há tanto espaço deixado à incúria, torna-se imperioso destacar as vantagens desta instituição aglutinadora. A actividade clássica dos centros, por falta de especialização e organização técnicas, por estar vocacionada para outras preocupações, deixa áreas de serviço em branco. Por exemplo: os diversos sectores da comunicação, numa óptica técnica, dentro e fora das paredes da casa espírita. É possível reunir um elemento capaz dali, outro de acolá, outro de mais além, juntar capacidades, organizá-las e propor-lhes o desafio de uma tarefa, a que se pode seguir outra, e outras... A ADEP não ameaça nem concorre com a Federação, pelo contrário: a ADEP é mais uma ferramenta à disposição do espírito de unificação, à luz de A. Kardec. Compete aos diversos sectores do movimento espírita português rejeitá-la, ignorá-la ou aproveitá-la.
 

JE - Quem preenche os seus órgãos sociais?
UL - Pessoas bem conhecidas do movimento espírita português, do norte ao sul do País - Braga, Viana do Castelo, Porto, Caldas da Rainha, Lisboa, Sines, etc.: José Carlos Lucas, Noémia Margarido, Luís de Almeida, Jorge Gomes, Teresa Dias, Luís Pinto entre outros. Porém, o trabalho desenvolve-se em equipa, de forma aberta, e envolve muitos mais colaboradores do que os já mencionados.
 

JE - Como fazer para contactar a ADEP?
UL - Poderá contactá-la através do correio — Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Apartado 161 - 4711-910 Braga, Portugal , ou para o celular nº 96 161 04 57 ou ainda pelo e-mail
adep@adeportugal.org.
 

JE - Deseja deixar-nos uma mensagem?
UL - O movimento espírita português não tem nem pode ter estrutura hierárquica, seja ela vertical ou horizontal: deixaria de se ligar com o Espiritismo se o fizesse algum dia. Contudo, a nível de coordenação, as associações espíritas portuguesas, quase todas, se agregaram e constituíram a Federação Espírita Portuguesa. Assim, de acordo com funções mais específicas, há o movimento espírita local (associação ou centro espírita), o movimento espírita regional (uniões espíritas) e um órgão nacional (a Federação). Servir o Espiritismo. Este é o objectivo principal da ADEP e estamos certos de que todos os que estão ligados a esta Associação sentem uma profunda vontade e necessidade de o fazer. "Mas fazê-lo como?" - perguntar-se-ão aqueles que agora tomam conhecimento desta nova Associação. É simples, pondo-se ao dispor da Doutrina e isto implica pondo-se ao dispor do movimento espírita - nacional e mundial - em todas as suas vertentes, quer a nível interno, de todas as associações e da FEP, como a nível externo, nos mais variados veículos onde a divulgação do Espiritismo se possa fazer, tudo isto fora de qualquer tipo de presunção, sentimento este que não anima de forma alguma qualquer elemento da ADEP. Assim, apenas queremos retribuir à doutrina tudo aquilo que, muitas vezes nas nossas vidas, lá encontrámos, em forma de conforto, amparo, conhecimento, etc. Isso só poderia ser feito, colocando ao dispor de todos a experiência adquirida ao longo do tempo, por parte dos elementos constituintes da ADEP, de todos aqueles que a ela queiram recorrer.

 

 

Texto oferecido pelo autor, que é membro da AME Porto,

e publicado no "Jornal Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

 

 
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