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Maria Teodora Ribeiro Guimarães

SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA DE VIDA PASSADA

 

Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães

Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães

 

 

 

Maria Teodora Ribeiro Guimarães, é medica psiquiatra e presidente da SBTVP * - Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada -, tendo sido entrevistado em exclusivo no Brasil pelo Jornal de Espiritismo.

 

 

 

 

O que é a Terapia de Vida Passada?
Maria Teodora Ribeiro Guimarães – TVP é uma psicoterapia que tem como preceito básico considerar a hipótese da reencarnação como ponto de partida para o entendimento dos problemas humanos. Na Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada trabalhamos com quatro enfoques:
- O carácter pré-mórbido do individuo tem que ser identificado, denunciado, aceito e modificado (ex: não adianta se pretender tratar de um paciente depressivo se não se compreende que por trás de toda depressão existe uma tendência daquele espírito em querer tudo do jeito dele, ou seja, um carácter prepotente – na medida que o mundo não atende suas expectativas sua reacção é irritar-se e, simplesmente, querer afastar-se dele: “não brinco mais”); a SBTVP desenvolveu toda um entendimento da psicopatologia das diversas dores humanas considerando a hipótese da reencarnação (com o que já trazemos de outras vidas).
- A existência de “presenças” do passado interferindo em nossas decisões (intuições negativas) e manipulando nosso ectoplasma, causando um sem numero de problemas físicos não identificados em exames clínicos e não curados pela medicina tradicional (que costuma classifica-los de psicossomáticos, receitando calmantes).
- O ectoplasma (também conhecido como fluido universal de cura). Tanto o terapeuta quanto o paciente precisam saber identifica-lo e saber o que fazer com ele. Temos hoje mais de 100 moléstias e sintomas relacionados com ele (falamos mais sobre esse assunto no livro Tempo de amar – a trajectória de uma alma).
- Reprogramação. Não adianta a pessoa identificar os personagens do passado para os quais suas dores actuais fariam mais sentido se não aprender a libertar-se deles, num processo que chamamos de reprogramação de vida. TVP não é uma pílula mágica que funciona por si só sem o esforço e trabalho diário do paciente.
 

TVP e regressão de memória são a mesma coisa?
M.T.R.G. – Não. A regressão de memória é apenas uma das técnicas usadas durante o processo de TVP. Todos os pressupostos básicos enumerados acima são igualmente importantes. Não adianta fazer regressão de memória sem saber trabalhar os conteúdos (alem do mais mesmo a regressão de memória precisa ser bem conduzida, para que os conteúdos não fiquem soltos e passem a prejudicar o cliente em vez de ajuda-lo).
Costumamos dizer que em TVP, muito antes de você saber quem você foi ontem, você precisa saber quem você é hoje.
 

Como se interessou pela TVP?
M.T.R.G. – Sempre desejei ser médica e psiquiatra, mas quando me encontrei nessa situação percebi que não conseguia curar meus pacientes (nem no hospital psiquiátrico, com remédios, nem com a técnica psicoterápica que trabalhava na época). Nascida numa família espírita e acreditando na reencarnação passei a buscar uma proposta que se adequasse ao meu entendimento particular da vida. Sempre acreditei que somos a continuação de nós mesmos e não vítimas de nossos pais e da criação que tivemos, por exemplo.
Desta forma comecei a desenvolver uma técnica de regressão de memória e depois, nos anos 80, tive noticias de um movimento que evoluía na Europa e, principalmente, nos EUA, chamado de terapia de vida passada. Mudei-me para lá, onde permaneci dois anos estudando e pesquisando com as diversas vertentes de TVP. Na volta fundamos a primeira associação brasileira de TVP com alguns amigos e com o tempo fomos deixando de usar técnicas estrangeiras (que eram frias e pontuais), na medida que não há lugar como o Brasil, onde a reencarnação é aceita em cada esquina, para o desenvolvimento de uma técnica que acolhesse os princípios da espiritualidade e das leis de causa e efeito.
A SBTVP foi fundada, anos depois, para acolher este movimento dentro da TVP, com o intuito de levar para a ciência, a proposta da reencarnação e da conseqüente existência das “presenças”.
 

Que tipo de doentes vos pede ajuda?
M.T.R.G. – Todo tipo de pessoas, com todas as formas de dores possíveis vem em busca de auxílio. Tanto com dores físicas, como emocionais ou espirituais. É no entanto preciso que se considere que a TVP não é uma panacéia ou a cura para todos os males. É sempre necessário o exame médico criterioso para se descartar causa orgânicas, como numa dor de cabeça, por exemplo. Podemos achar que o cliente é uma pessoa irritadiça, que quer tudo do seu jeito e que isso estaria abrindo brechas para a actuação de “presenças”; estas então estariam manipulando o ectoplasma da pessoa e causando a dor de cabeça; mas e se a pessoa tiver um tumor cerebral? Tudo precisa ser considerado.
 

Quem pode exercer a TVP? Porquê?
M.T.R.G. – Na SBTVP apenas médicos e psicólogos formados podem se candidatar para uma vaga no curso de formação de terapeutas; não apenas pela constituição brasileira não permitir que leigos exerçam funções clínicas, mas por acreditarmos que o terapeuta de vida passada precisa ter uma sólida experiência no entendimento de ser humano para poder exercitar suas atribuições. TVP não é uma técnica de laboratório onde se apertam botões; alias nenhuma psicoterapia o é e, portanto, em nosso entender não deveria ser exercida por terapeutas que venham de graduações fora da área.
 

Sugerem aos vossos pacientes o apoio de um centro espírita idóneo? Porquê?
M.T.R.G. – Sim, sempre que necessário. A necessidade se dá quando o cliente apresenta sinais de mediunidade. Desenvolvemos uma relação compreensível de sintomas e sinais que demonstram os mais variados tipos de mediunidade. Encaminhamos porque não podemos ser prepotentes a ponto de achar que devemos ou ainda pior, podemos desenvolver mediunidades dentro de um set terapêutico.
Hoje em dia, com o aparecimento da apometria (técnica de tratamento espiritual que muito admiramos e inclusive dirigimos um grupo), existem muitos terapeutas de vida passada que se acham habilitados para fazer apometria sem o necessário preparo e estudo (inclusive dentro do consultório), como vice-versa. Espíritas leigos de boa vontade que trabalham esplendidamente bem com a apometria e se consideram, portanto, credenciados a virarem terapeutas de vida passada. Ambas as atitudes nos parecem equivocadas.
 

Quando verificam que o excesso de ectoplasma nos pacientes é a causa do desequilíbrio, o que fazem no centro espírita?
M.T.R.G. – A bem da verdade o excesso de ectoplasma e os sintomas decorrentes não são, geralmente, a causa do desequilíbrio e sim, sua consequência, especialmente quando geram sintomas importantes (geralmente aqueles que não estão situados na região do abdomem).
Mas o que verificamos é que dificilmente existe apenas um excesso, sem ser acompanhado de uma manipulação espiritual pelos desafectos do passado.
Temos alguns problemas:
- mediunidade de cura para ser desenvolvida num centro espírita e utilizada na caridade.
- processo de obsessão espiritual que necessita ser tratado num centro espírita (dentro do set terapêutico, as vezes, a “presença” se manifesta pela vidência momentânea que o estado alterado de consciência em que o cliente está pela regressão, tornando possível um breve dialogo para um inicio de uma reconciliação).
- distúrbios de carácter (temperamento difícil) que estão permitindo que o cliente entre na faixa vibratória das “presenças” e devem, estes sim, serem tratados no consultório.
De qualquer forma, entendemos que para que qualquer tratamento de certo, a pessoa precisa não só aceitar seu problema como também querer se tratar (tanto no centro espírita como no consultório). Ninguém melhora de sua dor se não abrir mão de alguma coisa (especialmente de seus defeitos). Como se vê a TVP não é um instrumento mágico de prover felicidade, da mesma forma que não o é o centro espírita, ou os amigos nunca ouviram frases como esta: “Este centro é fraco! Não curou a minha dor“.
 

Tem algum caso interessante para contar?
M.T.R.G. – Teria muitos, mas já que falamos em coisas espirituais, sempre existem aquelas pessoas que não percebem quando estão sendo mal intuídas, por exemplo. Hoje em dia é relativamente comum pessoas casadas arranjarem amantes fora do casamento e acharem que está tudo muito bem, ou porque o caso não é sério ou porque o cônjuge é chato ou ficou desinteressante e não há mais o amor de antigamente. Dificilmente elas vêm ao consultório por este motivo. Vem porque estão frustrados, irritados ou deprimidos porque a vida não é exactamente como sonharam.
Uma cliente, tempos atrás, muito deprimida, queixava-se de desânimo, inapetência, nervosismo, insónia e dor de cabeça (este ultimo apenas um entre inúmeros outros sintomas de manipulação de ectoplasma). Durante a entrevista percebemos que tudo havia começado quando começou a ser pressionada pelo amante (fato este tido como corriqueiro e normal para ela, já que o marido só queria saber de assistir futebol na TV, tendo-se tornado apenas um amigo meio gordinho e feiosinho, apesar de ser bom para com ela. Dizia coisas do tipo ...”um pouquinho de emoção e paixão é bom para variar”...), seu chefe e também casado, para encontros mais frequentes, viagens, etc.
Não percebia que parte de suas dores eram causadas pela insatisfação crônica que tinha com a vida, porque, no fundo, queria não só tudo do seu jeito, o que seria uma prepotência (pois o mundo e as pessoas não existem para atender nossas expectativas; alem disso toda contrariedade causa insatisfação e por decorrência gera irritação, que por sua vez abre brechas para a actuação das “presenças”, que não se fazem de rogadas para dar intuições negativas e colocar mais “lenha na fogueira”), como também pelo fato de querer dois em um (a segurança do marido e a paixão do amante).
Neste caso custou a compreender também que por trás de suas dores estava seu egoísmo, na medida que, de forma inconsciente ou não, não estava se importando se alguém viesse a sofrer se descobrisse sua relação extraconjugal, como o marido ou filhos, ou ainda a esposa do amante, por exemplo. Só pensava em mesmo e em seu bem estar. Espantou-se muito quando o problema foi denunciado pelo terapeuta.
Espírita, doutrinadora de um centro, imaginava que o que fazia era apenas um passatempo sem maiores consequências. Alem disso também pensava que quando tinha razão numa contenda qualquer, tinha o “direito” de se irritar (como se os obsessores fizessem qualquer distinção do motivo que abriu a guarda de seu desafeto). Custou a admitir que tinha muitas intuições negativas; que não tolerava ser contrariada e que era egoísta.
Quando, finalmente, percebeu o que estava acontecendo suas sessões de regressão começaram.
Entre as varias vidas que vivenciou se lembrou, entre outras, daquele cavaleiro feudal que participou das Cruzadas e passou por cima de tantos quantos se colocaram no seu caminho, contrariando seus desejos; lembrou-se também do poderoso fazendeiro senhor de escravos, que não titubeava em mandar para o tronco os renitentes, tendo o poder de vida e morte sobre as pessoas.
Percebeu com as vidas deste tipo, rapidamente, de onde vinha a tendência de seu espírito a querer tudo do seu jeito e não tolerar contrariedades, muito se irritando quando isso acontecia. Também descobriu, sem fazer muito esforço, de onde vinham alguns dos desafetos de seu passado que ora atormentavam sua vida, pois muitos morreram por sua causa.
De outras vivências compreendeu de onde vinha sua tendência a só pensar em si mesma, como a história da mocinha bonita e sensual que abandona a casa humilde do pai para se prostituir porque queria ser rica. Torna-se a bem sucedida dona do prostíbulo que, num segundo momento, casa-se com o freguês rico e deixa a cidade para viver na fartura em outro lugar.
Em nenhum momento se lembrou dos pais ou dos irmãos menores, que jamais a censuraram ou deixaram de ama-la, mesmo nos momentos em que toda vila falava mal dela, e que passavam todo tipo de necessidades; nunca mais os procurou e na verdade sequer se lembrava deles.
Sua terapia durou 12 encontros, findos os quais havia reprogramado o suficiente para abandonar o amante e ter se tornado uma pessoa mais tolerante, paciente e flexível. Deixou o orgulho de lado e pediu tratamento espiritual no centro que frequentava, tratando de começar nova fase de sua vida, com mais responsabilidades com aqueles que amava ou auxiliava, mas também com mais felicidade e paz de espírito.
 

Para quando o V Congresso Internacional de Terapia de Vida Passada?
M.T.R.G. – Embora ainda não tenhamos definido uma data (por termos convites de diversos lugares quanto ao local, que deve ficar entre as cidades de S.Paulo ou Campinas), tradicionalmente os congressos se realizam no segundo semestre. Assim que tivermos noticias definitivas enviaremos a programação completa. Gostaríamos de convidar nossos amigos e irmãos portugueses para participarem.
Terapeutas de vida passada que tenham um trabalho interessante e queiram vir dividir connosco ou mesmo leigos com propostas de trabalho diferenciadas na seara espiritual, uma vez que o congresso é aberto a todos (não apenas aos médicos e psicólogos), pedimos que entrem em contacto por e-mail. Em nosso site estão todas as informações sobre a SBTVP, inclusive as listas de livros que disponibilizamos em nossa biblioteca virtual e informações sobre os congressos anteriores.
A SBTVP também se coloca a disposição para cursos de formação de terapeutas em Portugal, de onde sempre nos chegam muitas solicitações. Agradecemos e nos colocamos a disposição para qualquer informação adicional que os amigos desejarem. Muita paz a todos!
 

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Endereço para correspondência:

* SBTVP – Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada
Rua Conceição, 233 – sala 1107, 11º andar – Centro
Campinas - SP
CEP:13010-050
Brasil

Tel. e Fax: (00 55) 19 3234-9315
E-mail: sbtvp@sbtvp.com.br
Site: www.sbtvp.com.br


 

Texto oferecido pelo autor, que é membro da AME Porto,

e publicado no "Jornal de Espiritismo” de Portugal

 

 
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