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Entrevistas
Roger Perez IV CONGRESSO ESPÍRITA MUNDIAL EM FRANÇA
O movimento espírita em terras gaulesas, nas palavras de Roger Perez - presidente da USFF, União Espírita Francesa e Francófona, compõe actualmente 15 centros espiritas, representando também os países ligados à Aliança Francesa.
"Depois de surgir pelo Codificador, o Espiritismo entrou em decadência.
Hoje melhorou bastante, mas ainda não está colocado nos trilhos. Não está
sendo correctamente estudado como deveria de ser, contudo, em alguns
centros como não se pretendem reestruturar, não terão qualquer hipótese no
futuro que se avizinha", afirma Perez.
Possuem a reconhecida "La Revue Spirite", fundada em 1858 por Allan
Kardec, sendo um órgão trimestral de difusão espírita da USFF, dirigida
actualmente pelo próprio, com enorme entusiasmo e energia. Afirmando mesmo
que este foi um projecto de enorme trabalho e luta jurídica e legislativa,
durante alguns anos, em que a revista esteve suprimida e adulterada pelo o
secretario geral da União Espírita Francesa - André Dumas - decretando que
o Espiritismo de Kardec tinha terminado e assim prevaleceu durante 15
"longos" anos. Modificando o nome para "Renaitre 2000", bem como o órgão
máximo de França, para a, "União Cientifica Francesa e Francofona de
Pesquisa da Sobrevivência". Sendo o seu ilegítimo proprietário e
corrompendo os postulados espiritas, manipulando toda a comunidade
francesa. Apesar de a Comunidade Espírita Internacional, ter apelado ao
seu bom senso, Dumas, recusou, porque tinha interesses menos dignos para o
"seu" jornal, e assim não ser detectado pela comunidade espírita
internacional. Perez comentou mesmo, "que Kardec não gostaria de saber,
que nós suprimimos a sua Revista". Em 1990, deu-se continuidade à sua
reedição, tal como foi concebida por Kardec. Existe da comunidade espírita
internacional, depois que o Espiritismo obteve novamente sua seriedade,
graças ao espírito lutador e enérgico de Roger Perez e sua equipe.
"Existem muitas pessoas em França que têm mediunidade, e é objectivo da
USFF primeiramente levar de forma sistematizada ao seu estudo e educação,
ao contrário do que se tem feito. O estudo em primeiro lugar, alicerçado
na codificação, é a prioridade máxima da USFF", e continua, "Actualmente
muita gente vem aos centros espiritas por curiosidade, sendo fundamental,
que encontrem um lugar devidamente ordenado e metódico", sustenta R.
Perez.
Existem obras de Chico Xavier, traduzidas para a língua francesa, bem como
artigos de inúmeras personalidades do movimento espírita mundial em que a
abnegada equipe da USFF os traduz. Possuindo também obras editadas pela
própria USFF.
O túmulo de Allan Kardec é visitado por inúmeras pessoas, que colocam
velas, oferendas etc. transformado num culto e tipo "capela". Como este
fica na França, a responsabilidade da USFF é enorme, para proteger os
valores intrínsecos do Espiritismo. Tem sido uma "luta" muito grande e
corajosa, por parte da USFF. Utilizam-se de vários meios para evitar essa
"romaria", um dos quais o mais nobre "La Revue Spirite", esclarecendo de
forma clara estas praticas supersticiosas e ritualistas.
"Apesar da França ser um país rico, no movimento espirita as
dificuldades são exactamente iguais, como em outros países mais pobres",
completa Perez.
Na sociedade francesa, têm fortes opositores contra o Espiritismo: na
religião - a igreja católica; na política - a direita e a esquerda
marxista; nas sociedades secretas - a maçonaria.
Por mais paradoxal que possa parecer, os livros editados pala USFF são os
mais baratos que conhecemos até então. É bom que as restantes editoras
meditem.
Devido à diversidade das línguas, R. Perez declara, "a enorme
importância que o Esperanto terá neste novo milénio. No 4º Congresso
Espírita Mundial, em 2004, bicentenário de Allan Kardec, em que a USFF já
está se preparando, irá ser apresentado pela primeira vez, também nesta
língua universal; cultural, filosófica e humanitária. Para que todo o
mundo possa entender, e não somente aqueles que conhecem o português".
Roger Perez, apela aos espiritas, desde já, que comecem a estudar essa
língua fraternal; fácil, rápida e eficaz.
"A Europa tem 14 idiomas, e os países americanos bem como o resto do
mundo, necessitam urgentemente dessa unificação linguistica, claro que
para os países de língua oficial portuguesa, não têm esse problema,
contudo a grande família espírita, muitos, nada entenderam do que foi e é
dito na integra, recorrendo aos tradutores, mas mesmo assim, fica muito
difícil. O próximo passo da USFF é editar a revista, também em Esperanto".
Conclui, R. Perez, "Quando os problemas são difíceis, mais as soluções
são fáceis".
Texto oferecido pelo autor, que é membro da AME Porto, e publicado no "Jornal Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”
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