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Entrevistas

Óscar García Rodríguez
HISTÓRIA DO JORNALISMO
ESPÍRITA EM ESPANHA: DE KARDEC À GUERRA CIVIL
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Óscar García Rodríguez
nas IV Jornadas Andaluzas de espiritismo. |
Óscar Garcia Rodrigues,
espírita das Ilhas Canárias fez um trabalho pioneiro na Península Ibérica
ao fazer uma pesquisa sobre o jornalismo espírita espanhol desde o tempo
de Allan Kardec à Guerra Civil.
Como surgiu a ideia desse trabalho?
Comecei desde as pesquisas que tinha realizado faz alguns anos na
elaboração de meu livro “Historia del Espiritismo en las Islas Canárias
(Ediciones Alternativas, La Palma 1997).” Durante a pesquisa encontrava
informações preciosas para adiantar em minha pesquisa, – iniciada,
curiosamente, quando soube da existência de um antigo jornal espírita na
Ilha de Tenerife entre 1881 e 1892, aproximadamente, que se chamou La
Caridad – fui descobrindo, em paralelo, interessantes dados, referencias e
pistas relativas a publicações de carácter espírita que surgiram em solo
espanhol, tais como ensaios, monografias, novelas, literatura mediúnica
diversa, folhetos, apólogos, assim como também publicações periódicas. Fui
anotando todos estes dados prevendo futuros trabalhos e posteriormente
comecei uma busca mais exaustiva que me levou ao presente a dispor de
abundante documentação inédita.
Quanto tempo demorou essa pesquisa?
Nesta linha de pesquisa demorei a investigar quase oito anos, não de
maneira continuada, mas segundo as circunstancias e minhas ocupações
laborais que me iam permitindo.
Onde pesquisou?
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Enrique Pastor y
Bedoya (ou Alverico Perón, seu pseudónimo) fundador do El Criterio
Espiritista (um dos grandes pioneiros do espiritismo espanhol
juntamente com José Mª Fernández Colavida. Alverico Perón chegou a
visitar em varias oportunidades Allan Kadec, que segundo parece
considerava um de seus mais inteligentes discípulos. |
Onde podia. Melhor dizendo; em arquivos e bibliotecas de toda a índole,
tanto nacionais, como municipais, comarcas, privados, centros de
investigação, universidades, catálogos antigos de livrarias, nos fundos de
livrarias antigas, nas associações de livreiras, catálogos on-line de
bibliotecas nacionais de vários países europeus e quase todos os
americanos, em biografias de obras especializadas monografias, estudos da
literatura e jornalismo do século XIX e primeiras décadas do século XX, de
todas as regiões espanholas, através da consulta directa de colecções
completas de jornais das referidas épocas, em obras de história nacional
ou local, em revistas espíritas que pude localizar, em obras de historia
nacional ou local, teses universitárias inéditas… Repito, pesquisei onde
podia e continuo procurando onde possa. Tudo isto se pode comparar a um
trabalho de detective que consiste em encontrar pistas que se tem que
rastrear até se dar com os documentos ou informações ocultas, perdidas ou
esquecidas.
Quantos jornais e revistas espíritas existiam antes da ditadura do
general Franco?
Cataloguei um total de 104 periódicos que existiram em Espanha entre 1868
e 1936, no começo da Guerra Civil. Este número poderá variar ligeiramente,
acima ou abaixo, atendendo ao avanço das investigações ou por outras
circunstâncias, como podem ser critérios de catalogação. Tive, por
exemplo, revistas que se fundiram dando lugar a novas publicações;
periódicos que deixaram de existir, surgindo outros em poucos anos com o
mesmo nome que se autoproclamaram continuadores de seus antecessores
homónimos, etc. Três ou quatro casos considero-os duvidosos por suas
escassas referencias encontradas o que, incluindo, algum poderá estar
confundido em seu titulo… Em fim, varais causas poderiam alterar levemente
o numero anteriormente mencionado.
E depois da ditadura quantos foram os jornais que sobreviveram?
Nenhum O drama fratricida da Guerra Civil espanhola levou ao afogamento
praticamente total do movimento espírita espanhol, cujos rescaldos
passaram a sobreviver a duras penas nas catacumbas, iniciando uma
prolongada agonia na maior parte dos casos, ou sobrevivendo
“milagrosamente” em outros, que logo, a partir da chegada da democracia,
fertilizou o ressurgimento actual do movimento espírita espanhol.
Podemos concluir que a ditadura destruiu completamente a imprensa
espírita?
Evidentemente, sim. Encontrei slogans usados na época franquista donde se
dizia que os três grandes inimigos contra o que se havia de se lutar eram
“a maçonaria, o comunismo e o espiritismo.” Isto pode dar uma ideia das
condições em que ficaram os espíritas espanhóis após a guerra, ainda
segundo as zonas do país que se considerem, as coisas foram mais ou menos
duras.
Quantos periódicos espíritas existiram desde o aparecimento do
espiritismo em Espanha até aos dias de hoje?
Meu estudo só abarca desde Kardec até à Guerra civil espanhola, é dizer
até ao ano de 1936, e nesse período, como disse antes, cataloguei 104
revistas ou jornais espíritas mais outras três publicações que eu
denominei “afins”. Ao mesmo tempo (princípio de 1887) verifiquei a
existência de 15 periódicos, como numero mais avultado.
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Óscar García
Rodríguez, África y Charo na sede do Grupo Espírita de La Palma
(Canarias-Espanha). |
Qual e onde surge o
primeiro periódico espírita espanhol?
Coube a honra de ser a primeira publicação espírita espanhola à revista
““El Criterio Espiritista”, fundada em Madrid em Novembro de 1868, por
Alverico Perón (pseudónimo de Enrique Pastor y Bedoya) cujo primeiro
numero viu a luz em princípios do mês de Novembro do referido ano. Não
obstante Alverico Perón e seus companheiros da Sociedade Espírita de
Madrid já vinham trabalhando para a edição de uma revista espírita desde
meados de 1867, a ponto que confeccionaram o primeiro numero que
presentearam ante as autoridades, mas que a censura eclesiástica proíbe.
Os espíritas madrilenos, não obstante não renunciam e dão à luz a
publicação periódica denominada “El Criterio”, sub-titulada “revista
quinzenal cientifica” donde se fazia alguma alusão ao espiritismo, teria
que ser de forma muito velada. Esteve dirigida por Joaquín Huelbes
Temprado e se manteve assim até Setembro de 1868, em que cessa para dar
lugar a “El Criterio Espiritista”.
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Página principal do
primeiro número do 'El Criterio Espiritista' que saiu em 1 de Novembro
de 1868. |
Existiu algum factor determinante para esse primeiro surgimento?
Sem duvida. Isso só foi possível pela mudança da situação politica do país
em consequência da revolução de Setembro de 1868 em Espanha, chamada “La
Gloriosa”, que inaugurou uma época de maiores liberdades.
Num breve tempo – antes de finais de 1869 – já existiam quatro periódicos
espíritas em Espanha, desde “El Criterio Espiritista” seguiram-no,
sucessivamente, “El Espiritismo”, de Sevilha (Março de 1869), fundado por
Francisco Martí Bonneval, “La Revista Espiritista, periódico de estudios
psicológicos”, de Barcelona (Maio de 1869), fundado por José Mª Fernández
Colavida, y “El Alma” (Novembro de 1869), que foi o órgão do Centro
Magnetológico-Espiritista de Madrid.
A que conclusões chegou?
A várias. Em primeiro lugar, que hoje em dia o movimento espírita espanhol
padece de um grande risco para seu desenvolvimento sobre bases seguras, e
o enorme desconhecimento que tem do seu próprio glorioso passado, surgido
em grande parte por um enorme vazio que se fez sentir na época da ditadura
franquista.
Em segundo, pude constatar a impressionante perdida documental que a
guerra e o trabalho inquisidor da férrea ditadura que se seguiu pôs fim,
fim suposto para a história das ideologias não consoantes com o
nacional-catolicismo, adoptado como ideal oficial pelo regime franquista,
ou derivadas de destruições levadas acabo por medo. Apesar de tudo, meu
propósito com este trabalho é ser uma ponte entre o passado e o presente
do Espiritismo hispânico, contribuindo a recuperar sua memória histórica.
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado na "Revista
Internacional de Espiritismo”
Nota:
O entrevistado, o Sr. Óscar García Rodríguez ofereceu o seu trabalho de
pesquisa à nossa associação, donde o leitor poderá consultar em formato
PDF toda a
«História do Jornalismo Espírita em Espanha: de Kardec à Guerra Civil».

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