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Entrevistas

Eugénio de Souza Carvalho
PADRE FALA SOBRE ESPIRITISMO

Eugénio de Souza Carvalho é padre. Capelão do Cemitério e da Igreja Templo
Ecuménico da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Natural de
Juazeiro do Norte – Ceará, Formado em Ciências Religiosas pela
Universidade do Estado Vale do Acaraú, Bacharel em Teologia e Graduado em
Filosofia é, ainda, professor de História na cidade de Florianópolis, onde
concedeu uma entrevista exclusiva ao «Jornal de Espiritismo”.
A comemoração do aniversário de uma associação espírita da cidade do
Porto foi divulgada no Jornal de Notícias. Na sua sequência, o senhor
padre deixou a seguinte mensagem: «parabéns pela obra de amor... Que o
espírito Santo de Deus habite sempre em vossas missões. Sou padre, admiro
muito o trabalho espiritual de vocês. Conheci há pouco tempo a doutrina,
tanto recriminada... Agora propago de forma discreta... Trabalho com curas
espirituais e Psicanalítica. Deus é paz e Ordem.» Qual a razão de deixar
essa mensagem a um centro espírita português?
Padre Eugénio – Quero ser solidário e ao mesmo tempo tentar conciliar
razão e fé. Diferenciando ambos de maneira que possamos viver em harmonia.
Pode explicar o que entende por “Deus é paz e Ordem.”?
P. E. – Deus é Criação e Criador. Natureza viva presente em espírito e
essência e para isso Ele é a Paz que mantêm toda Ordem; Física, Razão,
Alma e Filosofias que no fundo tudo se volta para Ele.
O que o levou a ser um sacerdote?
P. E. – A vontade de servir melhor. Tenho a dádiva de poder levar a paz,
conciliar e reconciliar o mundo. Faço a minha parcela...
O que é ser padre?
P. E. – É ser honesto comigo mesmo e a vocação que exerço. É ser um
cidadão do mundo, mesmo globalizado, com suas indiferenças e
multiplicidades de opiniões, filosofias e ideologias sem amor. È também
ser mais humano entre os humanos. Jesus Cristo fez esse papel
perfeitamente.
Como vive a sua fé?
P. E. – Minha fé se baseia no sentir a energia verdadeira que vem de
maneira natural. É o que me movimenta. Eu sei o que é milagre e Fé.
Como conheceu a doutrina espírita?
P. E. – Através de uma amiga na Faculdade. Parece-me que ela nem é mais
Espírita. Ela se diz “convertida agora". Na infância, eu ouvia falar mas a
cultura do "catolicismo Popular” era pejorativo no meu meio.
O que pensa da proposta apresentada pelos espíritos a Allan Kardec?
P. E. – Uma proposta de AMOR e serviço ao próximo.
Tem conhecimento do padre Miguel, de Sobradinho, Brasília, que
frequenta o Centro Espírita Chão de Flores, todas as quintas-feiras às
20H00 como médium psicofónico?
P. E. – Infelizmente Não.
Entre os inúmeros colaboradores dos nossos centros espíritas,
conhecemos as mais variadas profissões e ocupações. Conhecemos sacerdotes
que, em privado, procuram trabalhadores de casas espíritas para dialogar a
respeito da doutrina, porém não o fazem publicamente. Como o senhor padre
vê os sacerdotes frequentarem centro espíritas como um trabalhador normal,
como o padre Miguel?
P. E. – É a necessidade do Espírito humano buscar um equilíbrio da alma.
Nós Padres somos privados desses assuntos, então "alguns” se revelam e
buscam... Eu particularmente vejo um lado positivo. Somos corpo e
espírito. Acho que cada um que tenha sua manifestação, deve ser
respeitada.
Conhece algum centro espírita?
P. E. – Perto de minha casa. Mas não frequento.
Pensa frequentar algum centro espírita?
P. E. – Quero me preparar melhor para frequentar.
O senhor escreveu na mensagem ao CECA (1), que a doutrina espírita é
perseguida e recriminada. Qual a sua opinião sobre a perseguição a
qualquer das várias sensibilidades religiosas?
P. E. – Eu fiz um curso em uma Universidade que durou 5 anos, quase. O que
mais eu aprendi é que: a Religião é o motivo de toda "graça” e desgraça no
mundo antigo e actual.
Será que o fazem por algum receio?
P. E. – Ignorância mesmo ou alienados...!
O senhor disse-nos em off-record que divulga a doutrina
espírita. Pode explicar como?
P. E. – Sempre manifesto que temos que respeitar a religião dos outros.
Quando eu era criança os meninos do meu bairro tinham uma "brincadeira” de
mau gosto; eles utilizavam os copos para brincar e falar com espíritos, eu
nunca tive coragem... Mamãe dizia que os mortos têm que ser respeitados, e
os vivos mais ainda. Divulgo sempre nos meus sermões que os espíritos
merecem sempre oração para confortar as dores do passado. Eles também
podem nos ajudar.
Consegue identificar nos princípios da doutrina espírita os valores
universais propostos por Jesus?
P. E. – Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amo.
Que tipo de curas espirituais tem realizado?
P. E. – As pessoas testemunham muitas, que eu até fico surpreso. A
depressão e outras dores físicas.
Em sua opinião, existem espíritos?
P. E. – Tem que existir. Não é justo ser apenas uma volta ao pó....! Ou
tudo seria "meras” coincidências…?
Eles se comunicam connosco?
P. E. – Espero que me escutem.
Acredita na reencarnação?
P. E. – Não tenho segurança para confirmar minha tese pessoal.
E na pluralidade dos mundos habitados?
P. E. – Para cada um é dado um ofício.
Como o senhor padre concilia o seu sacerdócio com a doutrina espírita?
P. E. – Discreto, poucas pessoas não entende. Alguns são hipócritas. Todo
"CATÒLICO” gosta de recorrer aos SANTOS, e Eles são espíritos. Pela lógica
do espiritismo, pessoas que atingiram um grão de luz
Gostaria de deixar alguma mensagem aos espíritas de Portugal?
P. E. – Façamos o bem. Muita gente precisa de ajuda mais espiritual do que
física. Podem contar comigo nas orações e Preces, mesmo distante, aqui no
Brasil.
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal
Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

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