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Divaldo Franco

ORADOR, ESCRITOR E MÉDIUM ESPÍRITA

 

Divaldo Pereira Franco e Luís de Almeida

Divaldo Pereira Franco e Luís de Almeida

 

 

 

"Acredito na proposta da unificação"
 

Tribuno distinto, desde a sua juventude,
discurso erudito e iluminado. Aqui fica a entrevista.

 

 

 

 

Jornal Espírita - O que retirará a Humanidade desta era tecnológica?
Divaldo Franco - A Humanidade vem-se beneficiando largamente da tecnologia e da ciência, que têm sido responsáveis pela constante mudança de paradigmas para melhor e de amplas quão importantes possibilidades de progresso. Em toda parte acompanhamos as conquistas do engenho contemporâneo e contatamos os largos passos na direção da edificação de um mundo mais feliz. Todavia, como esses valores não têm sido acompanhados daqueles que correspondem aos de natureza ético-moral, vivemos o despautério, o desequilíbrio e o sofrimento disso decorrentes, que as provas excelentes do Espiritismo, convidando o homem à razão e à ação da sua valorização, conseguirão realizar.
 

JE- Existe em nosso Universo "algo" que ultrapasse a velocidade da luz, contrariando assim a teoria da relatividade de Einstein?
DF- Acredito pessoalmente que só o pensamento é mais veloz do que a luz, desconhecendo outra qualquer afirmação nessa área.
 

JE- O que pensa do planeta ser atingido por uma catástrofe em segundos de avultada propulsão, conforme alguns pensadores o afirmam?
DF- Aprendemos com a Doutrina Espírita que as catástrofes são fenômenos naturais, que dizem respeito aos processos transformadores que levam à evolução. Sejam essas de natureza geológica, físicas, morais todas trazem uma finalidade adrede estabelecida pelas Soberanas Leis da Vida, impulsionando o ser humano ao desenvolvimento dos valores espirituais que lhe dormem em germe.
Assim, mesmo que a Terra experimentasse grandes alterações na sua estrutura ou mesmo a desarticulação molecular, isso em nada alteraria a realidade da vida, que prosseguiria na sua grandiosidade em outros campos de energia.
 

JE- Um terço da população ativa mundial não tem emprego, ou seja, cerca de um bilião de pessoas. Nunca tal aconteceu à humanidade. Quais as ilações que podemos tirar?
DF- Verificamos que a predominância do egoísmo de homens e Nações responde pelo caos dessa natureza. Em uma sociedade justa, o indivíduo deve dispor de meios para viver com dignidade, cabendo ao Estado prover-lhe as carências e ampará-lo nas necessidades. Como o Estado é construído por cidadãos, quando todos entendermos os nossos deveres em relação ao próximo e à vida se alterarão as paisagens morais e todos poderemos viver com equilíbrio e justiça.
Em uma sociedade onde predominam os interesses hedonistas-materialistas, não vigem oportunidades para todos, senão para aqueles que são gananciosos, imediatistas e que perderam o contato com o Eu profundo e com Deus.
 

JE- A Terra está sendo agredida pelo homem. Serão esses efeitos uma causa pré-estabelecida pelo Mundo Maior?
DF- De maneira nenhuma. O homem dispõe do livre-arbítrio, e às ações praticadas lhe correspondem consequências equivalentes. Desse modo, a sua imprevidência tem-no levado aos distúrbios de que hoje experimenta os efeitos inevitáveis. São da Divindade as leis do progresso, e elas, apesar da negligência humana, se farão executar alterando os próprios mecanismos conforme as circunstâncias.
 

JE- Neste início milenar a Humanidade anda muito agitada, estressada, não raciocina. Qual o motivo?
DF- Não podemos manter uma visão pessimista em torno da sociedade hodierna. É verdade que há muito desequilíbrio, no entanto, jamais houve tanto amor quanto hoje, quando vemos Organismos Internacionais trabalhando em favor de todos, quais a ONU a UNESCO, as Organizações dos direitos do homem e da mulher, das minorias étnicas, grupais, sociais, das Organizações de saúde e saúde mental, os Lyon, os Rotary Clubes, a Maçonaria, apenas para citar alguns... Em época alguma anterior, tantos indivíduos se interessaram por outros tantos como agora. Verificamos o progresso em todas as áreas, estando ainda o ser humano tateando nas sombras de si mesmo, afim de sair do túnel da ignorância e encontrar as esplendorosas regiões da luz.
Sucede que o progresso se dá por etapas: em uma, o Espírito desenvolve o intelecto, noutra o sentimento, até que conquiste a sabedoria, isto é, a harmonia de ambos, identificando-se com a Vida.

 

 

"Unificação, entretanto, não é, conforme pensam alguns desinformados, Uniformização..."
 

JE- O amigo Divaldo referiu-se, oportunamente, em Portugal, que "é melhor não ter religião e ser bom um bom cidadão, do que tê-la e não possuir dignidade". Poderia explicar-nos melhor?
DF- A religião, normalmente, é uma disciplina educativa que vincula o indivíduo a Deus. Sua meta essencial é a transformação moral do indivíduo. Quantos de nós porém, que nos vinculamos a esta ou àquela doutrina religiosa, tornando-nos excelentes teólogos e péssimos vivenciadores dos seus postulados!
Conhecemos pessoas agnósticas portadores de nobres sentimentos de solidariedade, compaixão, dever e fraternidade. Não tendo metas futuras para o Espírito, já que não crêem na imortalidade, atendem aos deveres humanos e sociais com elevação e nobreza. Por outro lado, quantos amigos que, não obstante, pontifiquem na Doutrina Espírita, por exemplo, são cruéis no julgamento das pessoas, impiedosos na análise crítica em referência ao seu próximo, ou cuja conduta moral está bem distante daquela que exigem dos outros!
Certamente o Espiritismo reúne os valores hábeis para atender as exigências da inteligência e do sentimento, propondo a todos os homens e mulheres a autoiluminação, a transformação moral para melhor, os sentimentos de fraternidade, de caridade, de amor e perdão, elucidando os enigmas desafiadores da razão.
Dia virá, no entanto, no qual, essa mensagem chegará ao conhecimento de toda a humanidade, facultando aos que "não crêem adquirirem a fé" e aos "que já a possuem, ampliarem-na", dando lugar ao mundo melhor pelo qual todos anelamos.
 

JE- Como vê o Movimento Espírita Português?
DF- Estive em Portugal pela primeira vez no mês de agosto de 1967 quando, em companhia dos confrades Srs. Casimiro Duarte e Eduardo Simões de Mattos, proferimos palestras pelo país, desde o Algarve até ao Norte, visitando cidades, comarcas e aldeias. Naqueles dias, quando vicejava a ditadura salazarista e o Espiritismo era proibido quão perseguido pela Polícia Internacional de Defesa do Estado - PIDE, todas as conferências foram realizadas em verdadeiras catacumbas, às ocultas, com raras exceções, como em Lisboa, que foi realizada na Casa da Comarca de Arganil, na Rua da Fé...
Desde então, e logo após o 25 de Abril, o Movimento espírita se expandiu e coroou-se de realizações no atual momento do IIº Congresso Espírita Mundial, promovido pelo Conselho Espírita Internacional e pela Federação Espírita Portuguesa.
 

JE- Quais as consequências para a unidade dos espíritas?
DF- O Espírito Dr. Bezerra de Menezes utiliza-se de bela parábola de Jesus, a fim de considerar a necessidade de união dos espíritas e de unificação das Entidades Espíritas, que é aquela que diz respeito ao feixe de varas. Separados, seremos frágeis, atingíveis, facilmente vulneráveis a todas as situações menos felizes, enquanto que, unidos, poderemos dirimir nossas dificuldades em conjunto, cooperando uns com os outros de forma edificante, e, ao mesmo tempo, fortalecendo-nos para os combates inevitáveis da evolução.
Através de mensagem de que fui objeto na Federação Espírita Brasileira, durante a reunião do Conselho Federativo Nacional oportunamente, ele se referiu à necessidade de sermos unidos como irmãos, a fim de que as Instituições pudessem permanecer unificadas. Somente a união dos indivíduos conduz à unificação das Entidades. Unificação, entretanto, não é, conforme pensam alguns desinformados, Uniformização, desde que o objetivo essencial da mesma é o auxílio recíproco por todos os meios exequíveis.
Pregando a fraternidade, que é um dos elementos básicos da tríade proposta por Allan Kardec e que se completa com o trabalho e a tolerância, não há como se possa compreender desunião, separação, luta, na qual tenha prioridade o personalismo e se destaque o egoísmo individual em detrimento do grupo social.
Acredito, portanto, que se torna inadiável a proposta da unificação dos espíritas, assim como de todos os indivíduos, nos mais diferentes segmentos da sociedade e especialmente no nosso.
 

 

Texto oferecido pelo autor, que é membro da AME Porto,

e publicado no "Jornal Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

 

 
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