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Entrevistas

Daniel Gomez Montanelli
PSICÓLOGO CLÍNICO, INVESTIGADOR E PROFESSOR NA UNIVERSIDADE DE BUENOS
AIRES NA ARGENTINA, EM BUSCA DA PSI
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Luís de Almeida e Daniel Gomez Montanelli |
Presentes no 3.º Simpósio da Fundação Bial, ocorrido em Abril de 2000 na
cidade do Porto, entrevistámos um dos muitos bolseiros, o psicólogo
clínico, investigador e professor na Universidade de Buenos Aires,
Argentina, Daniel Gomez Montanelli.
Uma das conclusões aqui fica: "Nas experiências relatadas, há vários casos
que sugerem a hipótese de alguma intervenção espiritual e de experiências
místicas ou transpessoais". Uma outra conclusão a retirar dos dados é a de
que as pessoas estudadas não apresentam padrões de doença psíquica só pelo
facto de terem experiências paranormais".
O psicólogo clínico, investigador e professor da Universidade de Buenos
Aires, Argentina, Daniel Gomez Montanelli fala ao JE, na cidade do Porto,
das conclusões da sua investigação apoiada pela Fundação Bial.
Jornal Espírita - O trabalho apresentado em que consiste?
Daniel Gomez - Estamos fazendo um estudo que tem duas partes: na primeira
estamos explorando as experiências psi, mais comuns dentro da população
geral argentina. Que tipo de experiências? Com que frequência se
apresentam? Quais as reacções emocionais e corporais que as pessoas têm?
Qual o grau de conflitualidade que essas experiências podem produzir nas
pessoas? E que tipo de consultas ou tratamentos essas pessoas têm
efectuado. Se têm consultado o médico, psicólogo, o terapeuta alternativo,
o ministro religioso? Esta é a primeira parte do estudo, um estudo
epidemiológico - estudo feito à população através de um questionário que a
nós publicamos em revistas e jornais como "O Clarim", "La Nación" etc.,
sobre temas ditos paranormais, para chegar a toda a população.
Na Segunda parte do projecto foi trabalhar directamente com as pessoas que
tiveram essas experiências.
JE - A que conclusões chegaram?
DG - Temos 260 questionários, entre as conclusões que surgem com os
fenómenos mais representativos: a telepatia com 82%; a precognição com
72,3%; outros menos representados como a psicocinese com 47,3 %. Neste
ponto pesquisamos os casos de poltergeist: objectos que se movem, que se
quebram, sem causa física conhecida. Ou objectos que se queimam por eles
próprios - combustão expontânea. Temos experiências relacionadas com a psi
por exemplo experiências relacionadas fora do corpo temos, 75,7%;
experiências de contactos com seres espirituais, 75,3%. Experiências
relacionadas com a psi menos, ou seja, perto-da-morte, - foram
identificados 15,7%.
Depois estudamos o grau de conflitualidade - as experiências mais
conflituosas para os pacientes, foram as relacionadas com os fenómenos de
psicocinese, com 16,4% e as experiências perto-da-morte com 83,8%. A
percentagem de pessoas que se diziam possuídas, por entidades espirituais
foram de 34%.
Também estudamos a frequência que surgem estas experiências, a telepatia
tem uma percentagem alta. Entre 7 e 10 vezes experimentadas pela pessoa
tem uma percentagem de 30%. Dentro das experiências relacionadas com a psi
- cura acção, as pessoas dizem ter tido mais de 10 vezes essas
experiências, com uma percentagem de 38,8%. As experiências de mediunidade
a percentagem foi de 40%, dizendo as pessoas terem tido mais de 10 vezes.
Com respeito às consultas a população informou que 31% foram feitas com
amigos e familiares. 20,6% consultou médicos, 9% com parapsicólogos, 8%
com ministros religiosos e 7,8% com psicólogos ou psiquiatras. 22,3%
consultaram mais que uma pessoa.
Ate aqui foi a primeira parte do trabalho.
A Segunda parte do projecto foi trabalhar directamente com as pessoas que
tiveram essas experiências. Formamos um grupo de reflexão, com as pessoas
que tiveram esSas experiências. O enfoque está posto nas experiências psi,
não em outros tipos de conflitos. Este trabalho do grupo tem três
momentos. O primeiro momento as pessoas falam de suas experiências e de
suas reacções emocionais. No segundo momento pedimos que a pessoa que teve
a experiência, que diga a sua interpretação bem como a sua analise. O
grupo também opina sobre o que poderia ter acontecido. E finalmente nós
que estamos a coordenar o grupo damos a nossa interpretação. Nas duas
primeiras partes, fazemos testes de personalidade para avaliar as
características psicológicas de personalidade e características
psicopatológicas. No terceiro momento no trabalho com os grupos fazemos um
estudo das pessoas e dos resultados dos testes, bem como falar do projecto
em geral, da sua localização do trabalho que fazemos com eles.
JE - Qual a vossa conclusão, como investigadores?
DG- Nosso trabalho não esta orientado à verificação das experiências, mas
somente as vivências emocionais que as pessoas tiveram. Dentro das
experiências informadas há vários casos que sugerem a hipótese de alguma
intervenção espiritual, de experiências espirituais ou transpessoais.
JE- Face a esses experiências, bem como a tua experiência como clínico
e investigador de fenómenos ditos paranormais, será que a vida continua?
DG- A nível pessoal não tenho quaisquer dúvidas.
JE- Tua resposta tem por base uma crença, ou é alicerçada em
comprovações científicas?
DG - Este é um tema pelo qual sempre tive muito interesse, ao ponto de me
levar a me formar em psicologia para aprofundar melhor estes casos.
Existem evidencias muito fortes a favor da sobrevivência do espírito. Pelo
qual eu pessoalmente também partilho. Mas no meu trabalho com as pessoas
procuro não interferir, pois nem todos os pacientes aceitam tal.
Simplesmente acompanho as pessoas e respeito as crenças das pessoas.
Lembro que sou dum pais fortemente católico onde existe muitas crendices.
JE- Quando existe claramente um agente espiritual o que fazes?
DG- Quando são evidentes a intervenção de um componente espiritual, eu aí
digo o que penso como clínico, e a liberdade da pessoa fará o resto. Tudo
depende de cada um. Não me compete obrigar ninguém.
As pessoas sentem-se muito bem compreendidas quando elas já têm essa
percepção de um agente espiritual - um espírito, e recebem a nossa
confirmação como clínicos. Obviamente nem toda a gente é assim, mas existe
um determinado grupo que podemos mais facilmente elucidar.
Texto oferecido pelo autor,
que é membro da AME Porto,
e publicado no "Jornal
Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

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