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Virgílio Raitzin de Távora

CÔNSUL DO BRASIL NO PORTO

 

Virgílio Raitzin de Távora, Cônsul do Brasil na cidade do Porto, com Luís de AlmeidaNatural da cidade do Rio de Janeiro, Cônsul do Brasil na cidade do Porto à cinco meses. Diplomata de carreira há mais de vinte anos, exercendo durante alguns anos em Brasília no Ministério, tendo sido Cônsul em Singapura, Chicago, Rivera, etc., formado em Direito pela actual Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Filho do professor universitário brasileiro, um cientista brilhante - Elysiário de Távora Filho, e de Adolfina Raitzin de Távora, senhora argentina de nascimento, professora de música clássica, foi aluna do grande guitarrista espanhol Andréz de Cegóvia, actualmente é professora dos mais brilhantes violinistas clássicos brasileiros, como os irmãos Abreu, etc., uma grande autoridade em música clássica, tendo um irmão quatro anos mais velho - Ruy Alejandro de Távora - Diplomata de carreira há mais de 30 anos, actualmente desempenha o cargo de Cônsul do Brasil na cidade de Chuí no Uruguai. Descendente dos Marqueses de Távora séc. XVIII - Portugal.
 

Jornal Espirita - Divaldo P. Franco, o maior tribuno espírita de todos os tempos, disse-nos: "É melhor não ter religião e ser nobre, do que ter religião e não ter dignidade". O que sua Exª. pensa desta afirmativa?
Virgílio Raitzin de Távora - Concordo totalmente com essa postura, e cito o meu próprio exemplo. Formalmente sou uma simples pessoa, que não professo nenhuma religião em particular, embora minha origem seja por parte de mãe - Judia e por parte de pai de cristãos nobres - os Távora - católicos. Em principio eu teria condições de adoptar alguma das duas religiões e no entanto não o fiz, talvez pelos grandes ensinamentos que recebi de meus pais, tenham sido suficientes para me encaminhar de uma maneira correcta, simples e altruísta, pelos caminhos da vida. Até hoje, digo com toda a minha sinceridade. Hoje, não tenho dúvidas que Deus existe, e de que tudo isso implica. No entanto, não sinto necessidade da prática regular de uma religião para buscar o meu aperfeiçoamento pessoal, a minha paz de consciência, e estar à altura de Deus, e também à altura, porque não, de meus pais, que foram os meus primeiros, e mais fieis e mais leais guias ao longo do meu trajecto evolutivo. Esta colocação de Divaldo P. Franco me parece correcta, não sou dono da verdade nem pretendo sê-lo, mas acho que o caminho é por aí. Cada um tem que descobrir o melhor de si mesmo, usando modelos, e que sejam modelos edificantes, cultivando valores. Valores que realmente sejam indiscutíveis.
 

JE - A Obra de Divaldo e a "Mansão do Caminho", assim como a assistência a todos os níveis da FEESP, no qual assiste mais de 4000 pessoas por dia, e outras tantas instituições, só é possível devido ao enorme potencial saturado de Amor, preenchendo seus corações, e levando-O a todo o mundo incluindo Portugal. Como Diplomata, o que sua Exª. pensa destas actividades filantrópicas do Espiritismo, onde se trabalha simplesmente porque se ama?
VRT - Estou de acordo com essa postura, eu acho que é um imperativo do ser humano, que queira merecer ser chamado de ser humano, é ter essa atitude de entrega, de doação, de respeito, de compaixão pelo seu semelhante. Estas atitudes são individuais, nascem da própria solidão inerente ao ser humano. É entender que ele não está sozinho no mundo e que ele não é de forma alguma, o ser mais importante que existe no mundo, muito pelo contrario, é atribuir essa importância ao bem estar desse outros seres humanos, então, eu acredito que o ser humano que tenha algo a oferecer espontaneamente, sem qualquer outra motivação que não seja a vontade de se doar, de dar de si para os outros e justificar sua existência neste planeta, pelo menos, eu acho que o caminho é esse. É a maneira mais digna mais provável de se atingir o estado mais perfeito do ser humano, que é o estado da Paz consigo mesmo, com sua Consciência e com o mundo que o rodeia. O caminho é o da doação. É o caminho da entrega, pessoal, emocional, intelectual, cultural, em todos os níveis, ao seu semelhante e a todas as formas de seres viventes. Insisto, independente de se seguir uma linha ideológica, religiosa, política, filosófica, isso aí é algo que diz respeito à Alma Humana, ao seu Sentimento, em que o ser humano tem que ter pelo seu semelhante e pelos restantes seres.
 

JE - O médium espírita Divaldo P. Franco foi galardoado com o titulo honorifico de cidadania de S.Paulo. Sr. Cônsul, como diplomata, o que pensa desta condecoração, assim como tantas outras - Doutor "HONORIS CAUSA" por várias Universidades?
VRT - Por tudo o que eu tenho reconhecido e ouvido a respeito do Sr. Divaldo Pereira Franco, cuja a longa trajectória e todas as obras nela incluídas, me autorizam a dizer que o titulo honorifico de cidadania de S. Paulo, concedida pela Câmara Municipal de S. Paulo é uma homenagem extremamente merecida, a uma pessoa que a soube conquistar de uma forma inegável, sendo uma das mais conceituadas condecorações do poder político. É uma honraria, sem dúvida alguma.

 

 

De "Casualidades" em "Casualidades"...
 

JE - A aprovação foi publicada no Diário Oficial do Município, no dia 25 de Abril (dia da Liberdade do povo português), través do Dec. Lei Nº19, de 17 de Abril. Sendo este Homologado no dia 18 de Abril - dia do Espírita. Dia da publicação do Livro dos Espíritos. Sr. Cônsul o que pensa destas duas extraordinárias coincidências?
VRT - Eu acho que é mais do que uma simples casualidade, que realmente nos faz meditar a todos, em outros desígnios superiores que possam ter vindo a ter influencia nestas datas.
Eu próprio nunca fechei as portas às possibilidades que a ciência não explica. Mas se fosse uma simples casualidade, não tenho duvidas que Divaldo chamaria a atenção. Muito feliz estas duas extraordinárias datas. No entanto, é necessário retirar essas valiosas informações, que poderão nos querer dizer algo.
 

JE - Por falarmos em "casualidades", o Sr. Cônsul, juntamente com o seu staff, marcou amavelmente esta honrosa entrevista para a tarde de 29 de Agosto. Hoje no Brasil, em Portugal e não só, comemora-se o aniversário de um dos maiores vultos da humanidade e do Espiritismo - Dr.º Adolfo Bezerra de Menezes - o grande discípulo de Jesus, dedicando toda a sua vida ao auxilio de seus semelhantes, como médico e como espírita. Considerado justamente o médico dos pobres e o Pai do Espiritismo no Brasil. Lutando abnegadamente pela unificação de uma sociedade. A quem todos nós devemos imenso. O actual Patrono Espiritual da FEESP, pelo qual o Sr. Cônsul está a ser entrevistado para o J.E. Mais uma "casualidade"?
VRT - Realmente de "casualidades" em "casualidades", e esta em particularmente, me deixa muito emocionado, uma vez que eu não conhecia esse facto, cercado de citações por tão brilhantes virginianos recebam então o agradecimento, o cumprimento e o respeito deste germiniano, Cônsul do Brasil no Porto, que se sente honradíssimo, por esse desígnio deliberado de alguém superior, que está justamente concedendo esta entrevista, que me deu tanto prazer, num dia como hoje 29 de Agosto, e que eu espero com estas muito humildes e simples palavras e considerações, venham servindo aos propósitos desta entrevista. Me sinto muito emocionado mesmo...
 

JE - Neste dia, 29 de Agosto, mas no ano de 1553 o Padre Manuel da Nóbrega, o primeiro jesuíta português a tocar em solo de Terras de Santa Cruz, fundou a aldeia de Piratininga, outrora, S. Paulo de Piratininga, hoje S.Paulo. Como tantos outros feitos históricos e humanitários ao longo da sua missão. Desencarnou no Rio em 18/10/1570 como primeiro Superior Máximo. Outra coincidência?
VRT - Como falei anteriormente, não acredito que existam tantas "casualidades" (sorrisos...!) desse jeito. É evidente que tudo tem uma razão de ser, e este caso assim como os outros, apenas evidencia a existência de 'não casualidades', mas sim de desígnios. Desígnios estes que acabam, justamente por transformar estes factos, que já ocorreram inúmeras vezes, em algo muito simbólico, expressivo, emblemático de diversas coisas, que ocorrem num plano Superior ao nosso. E nós somos instrumentos, eu diria no melhor sentido da palavra, desses desígnios - desses planos - que foram concebidos justamente duma forma superior. Realmente estas coincidências, que não são coincidências, e que também pouco não é casualidade, eu diria melhor, não é casualidade mas causalidade. É mais um facto, o Luís poderá citar muitos outros, assim como tantas outras pessoas. Nós temos que ter a nossa mente, os nossos corações, as nossas almas muito abertas para isso. Nós somos instrumentos e desta forma teremos que o sê-lo eficientes, no melhor e mais nobre sentido da palavra, daqueles entidades mais evoluídas, e fazer o melhor possível ao longo das nossas vidas. Manuel da Nóbrega certamente é um personagem que deixou a marca da sua passagem por esta vida, com o seu exemplo, que até hoje é cultuado no Brasil, e em todos os lugares que conhecem a sua trajectória.
 

JE - Hoje este notável Homem, é um dos maiores educadores da humanidade, tendo como prioridade a Grande Unidade Fraternal. Este iluminado agora de seu nome espiritual - Emmanuel, transmite-nos os maiores ensinamentos através da mediunidade psicografica do venerável Chico Xavier. O que sua Exª. pensa da Obra impar de Chico Xavier?
VRT - Chico Xavier é um homem de infinita bondade. No início da minha juventude eu dizia apenas vendo aquelas multidões que a ele recorriam em desespero ou até em actos de pura simpatia; é infinita a paciência de Chico Xavier. Obviamente eu não tinha entendido quem era Chico e quem é Chico Xavier. Hoje aos 48 anos de idade acredito que finalmente estou a entendendo quem é Chico Xavier. Que é enormemente complexo dentro da sua simplicidade, e da sua infinita bondade. É um ser humano feito exclusivamente de bons sentimentos. Acho que não serei um herege, se disser que para mim, hoje, ele, como pessoas como Teresa de Calcutá, Ghandi e outros, poucos mas bons exemplos, de até que ponto o ser humano tem condições de se superar, na busca duma face mais próxima do Ente Superior. Tudo isto é uma prova viva que o ser humano tem armas, tem instrumentos, tem meios de se superar permanentemente, do ponto de vista sobretudo espiritual, que é o que a humanidade mais se recente, justamente pela falta de valores espirituais - a falta de uma vida mais rica nesse tipo de experiência fundamental para todos nós. Chico Xavier, insisto, é um exemplo, independente de qualquer "coincidência" com relação à proposta dele, mas a pessoa dele é inegável, ela existe, ela é assimptosamente positiva para todos nós como exemplo vivo. Talvez não como meta, pois muitos dirão; 'não é isso que pretendo', mas como exemplo de ser humano digno desse nome e de uma pessoa que está realmente a cima da média, embora não se proponha a isso. Ele pessoalmente não se propõe a ser melhor que ninguém, ele é apenas infinitamente generoso. É um grande ser humano, já não pertence ao Brasil, há muito tempo que ele pertence à humanidade. E é aí que ele merece estar. Ali no seio da humanidade. Que Deus permita que o seu exemplo não se encerre nele mesmo.
 

JE - Em 1758 surge em Portugal um atentado contra o Rei D. José I. O Marquês de Pombal, que não gostava dos jesuítas, pois metiam-se em todos os negócios e política da época, contrariamente aos humildes missionários em Terras do Cruzeiro, como Manuel da Nóbrega, António Vieira e outros, pois seu único objectivo era somente amar - servindo em nome do Mestre da Galileia. Entretanto o Marquês de Pombal acusa entre outros o Marquês de Távora e toda a sua família. Um deles, D. Frei Miguel de Távora, Arcebispo de Évora, foi expulso da Ordem dos jesuítas. E a Ordem foi extinta. O espírito de Humberto de Campos na obra mediúnica psicografada por Chico Xavier "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" diz-nos que os Távoras estavam inocentes. Sebastião José de Carvalho e Melo - Marquês de Pombal - instaura um processo cheio de tramóias e condenou-os à morte. Os Távoras sofreram as maiores barbaridades, a própria marquesa foi decapitada. Sr. Cônsul, como descendente dos Marqueses de Távora o que pensa da narrativa do espírito de Humberto de Campos, na obra citada Cap. XIII?
VRT - Nestes episódios envolvendo meus antepassados, procuro ter uma visão um pouco mais abrangente disso. Não me considero directamente atingido, embora tudo indica comprovadamente uma injustiça que foi cometida, como alias o espírito Humberto de Campos o narra tão bem nesta extraordinária obra. Nada mais nada menos do que, mais uma das inúmeras injustiças causadas ao longo dos anos, pela intolerância de qualquer natureza.
O simples registo desse erro ou barbaridade, que foi perpetrada contra a minha família, não me tira, insisto, a perspectiva de que antes daquela época, naquela época e depois daquela época, e até aos nossos dias somos testemunhas, às vezes omissas de barbaridades do mesmo teor, da mesma natureza e realmente isso daí me faz pensar, se existe realmente algum conteúdo espiritual permeando as relações de hoje em dia. Mas eu me pergunto se particularmente neste final de século que espécie de humanidade é esta que nos faz compartilhar o nosso tempo, a nossa razão, a nossa emoção, com demonstrações de barbáries, de selvajaria, de insensibilidade, de mesquinhez e de tantas outras imperfeições. Que espécie de humanidade é esta? Esta é a reflexão que esta história de meus antepassados me sugere. É saber se realmente o ser humano evoluiu, assim como a ciência evoluiu, será que o ser humano evoluiu na mesma proporção? É uma pergunta que todos nós nos fazemos, penso eu. Que espécie de mundo é este, a quem nós vamos legar a nossos filhos, a nossos netos? Será que é só isso? Será que não existe algo mais para oferecer? Esta colheita até agora não está muito boa não... Que todos nós meditemos e actuemos.
 

JE - Estas narrativas históricas, são novas para sua Exª.? E a sua autenticidade?
VRT - Estes relatos particulares não. Embora aja muito para ler e estudar. Além do mais Chico Xavier através do espírito de Humberto de Campos confirma o que eu já tinha investigado.
No Brasil ainda era menino, tudo isto já era devidamente noticiado e sabia como todos, através dos media e de obras publicadas e de testemunhos pessoais de pessoas que conheci. A Obra de Chico Xavier, no sentido total da palavra, já me é familiar, não intimamente, no sentido de que não sou um absoluto conhecedor dessa Obra, porque ela é tão vasta e tão profunda que não tenho a petulância de afirmar que conheço. Mas já estou familiarizado com Chico Xavier há muitos anos. Chico Xavier é Chico Xavier.
 

JE - Sr. Cônsul, a sua família é proveniente de Terras entre Douro e Minho, assim como o Padre Manuel da Nóbrega - Emmanuel. Outra Casualidade?
VRT - Aos meus olhos racionais, poderia ser uma "casualidade" (sorrisos...!). As estatísticas inclusive indicam que a maior parte dos brasileiros, que imigraram para o Brasil, a grande parte deles vem do Norte de Portugal. E em consequência poderia ser eventualmente considerado uma casualidade. O que talvez não tenha sido uma casualidade, digo eu, é talvez tenha havido algum contacto entre meus antepassados e Manuel da Nóbrega. Acredito que as relações são historicamente tão claras, cordiais e muito mais do que isso entre meus antepassados e os Jesuítas. Eu costumo dizer que meu pai professou completamente a fé pós-jesuíta. A sua vida é quase como um jesuíta, como um grande veiculo transmissor de conhecimentos, como Prof. Univ. e cientista. Não posso jurar que seja mais uma casualidade, mas vamos deixar essa porta aberta, pois é o mais sábio.
 

JE - Depois de todas estas "casualidades" e como Cônsul no Porto, o que sua Exª. pensa do - triângulo, Porto (capital do norte de Portugal) - Bahia -S.Paulo?
Mais do que um roteiro turístico dos mais interessantes. Eu acho que há uma ligação, tendo bases históricas muito claras e espirituais também, como se pode dizer ao longo desta entrevista. Não há duvida que este roteiro está bem alicerçado e fundamentada no movimento de seres humanos extraordinários em todos os níveis da actividade humana, mas sobretudo no nível da espiritualidade. Transitaram por esse trajecto vários seres humanos absolutamente extraordinários, e felizmente ainda transitam, física e espiritualmente nesse trajecto. De facto, o Luís me chamou a atenção para esse facto que eu, do ponto de vista da minha apreensão pessoal, jamais teria atinado ao olha-lo com outros olhos, seria para mim, como o é ainda para muitos seres humanos, um belo trajecto turístico. Mas diante das evidencias, diante dos depoimentos, diante das leituras a respeito do assunto, feitas inclusive por pessoas muito mais ilustradas do que eu e muito mais conhecedores dessa temática não há duvida que o Porto-Bahia-S.Paulo, é uma rota de 'Santiago', para aqueles que realmente querem entrar em contacto com a "realidade" muito superior à nossa realidade quotidiana. Esse triângulo realmente nos conduz a poucos outros trajectos. Eu pediria se me fosse possível, que as pessoas atentassem para esse trajecto, e procurassem estuda-lo ainda mais, e tirassem as suas próprias conclusões. Com certeza nenhum de nós perderia com isso.
 

JE - Acredita na pluralidade dos mundos habitados?
VRT - Tenho várias testemunhas para isso, eu acredito piamente na pluralidade dos mundos habitados, ou seja, que existe vida em outros planetas. Permite-me Luis, mas eu sou absolutamente radical nesse sentido. Eu acho que seria muito atrevimento da espécie humana-terráquea, imaginar que nós somos os únicos privilegiados a povoar este grão de areia - Terra, perante o Infinito. A hipótese que alguns defendem, para mim ela é simplesmente absurda. Agora não deixo uma das portas abertas, mas todas. Não sei se isso ocorrerá no meu período de vida terrena, mas tenho absoluta certeza que esse contacto será feito. Assim eu sugiro, o que permeia toda esta gostosa entrevista, que as pessoas comecem a olhar para dentro de si mesmas, mas não num sentido egoísta, num sentido de se conhecerem melhor, de serem melhores, e quem sabe se estaremos preparados para recebermos todos os seres.
 

JE - "Qualquer efeito tem uma causa". Partindo desta premissa, nós somos responsáveis pelo que fomos, somos e seremos. Os nossos actos de ontem condicionarão o nosso presente, e este por sua vez, condicionará a nossa vida do amanhã, rumo a perfectibilidade. Concorda com esta afirmativa?
VRT - Esta tua afirmativa é consentânea com aquilo que eu penso, o que está de acordo com as respostas que eu alinhavei anteriormente. Desta vida, se leva a vida que a gente leva. Esta é a nossa grande herança para os nossos semelhantes e nós próprios, e é também a grande motivação que nós todos teremos que aprender, e apresentar na hora da verdade, como eu costumo dizer. Se todos se puserem a pensar com muito carinho, tenho a impressão, talvez quem sabe, cheguemos à mesma conclusão.
 

JE - Devido às minhas saudades e Amor por S.Paulo e Bahia, ou seja Brasil. O Sr. Cônsul "off record", durante as 5 horas que conversamos imenso, me disse que eu já tinha vivido no Brasil em outras vidas. Poderemos deduzir por estas suas palavras, que acredita na reencarnação?
VRT - Sem dúvida alguma. Sem dúvida alguma, inclusive por inspiração materna e não só, minha adorada mãe acredita piamente na reencarnação, sempre acreditou. E como é um ser humano iluminado, uma mulher inteligentíssima, sensível ao extremo, algumas pessoas dizem mesmo que ela é médium. Mas como eu não sou uma autoridade nesse aspecto, constato que minha mãe tem uma profunda e forte luz, e que irradia em volta dela e a todas as pessoas que com ela convivem, uma luminosidade surpreendente. Eu aprendi, primeiro por admiração e respeito a minha mãe e depois por convicção. Com as coisas que eu aprendi e aprendo com o decorrer da vida, é de tentar continuar sendo algo melhor, daí eu acreditar que sim.
 

JE - Quando nos disse que assistiu a psicografias e outros fenómenos mediúnicos com seriedade, pelos media, poderemos então deduzir que a comunicabilidade com o mundo espiritual é algo irrefutável?
VRT - De tudo aquilo que eu pude assistir através da media, realmente justificam essa minha posição actual, aliás já de bastante tempo, de manter as portas abertas. Independente de uma ou outra reportagem que tenha visto, de cuja insuspeição eu duvido, ouve outras, no entanto credíveis, além evidentemente de testemunhos de amigos meus ligados à imprensa, testemunhos que eu não tenho que duvidar da veracidade das coisas, que ocorreram em determinadas ocasiões. Eu não tenho quaisquer elementos para duvidar. E como eu acho que é mais positivo acreditar na possibilidade, é essa a minha postura actual. Eu acredito, até prova em contrario, é tudo verdadeiro e digno de bastante atenção, e de estudo, para não nos deixarmos levar.
 

JE - Depreendemos por suas palavras que a vida continua. Assim, nós como espíritos eternos, continuaremos o nosso aprendizado na longa estrada evolutiva, rumo ao nosso aperfeiçoamento moral, intelectual e cultural?
VRT - Sem duvida. Sem duvida alguma, pois eu já manifestei essa visão e trato humildemente, com toda a minha sinceridade, tenho tratado de fazer isso ao longo da minha vida, e hoje em dia o faço com mais convicção ainda, porque acho que a mim, sem modéstia, a vida não me tem feito mal, as experiências de aprendizado, por mais amargas que tenham sido, algumas, elas me tem feito crescer, e não me têm impedido de crescer.
Com humildade eu tento fazer o que posso, mas sem estabelecer limites para o que possa atingir em termos de aperfeiçoamento como ser humano. Eu não me traço limites, do ponto de vista do meu crescimento como ser humano. Eu quero mais. Eu posso não chegar a ser a pessoa mais culta do mundo, o maior sábio do mundo, o melhor e mais talentoso artista do mundo, mas eu quero isso sim, ser um ser humano integro, no sentido mais pleno da palavra integridade, é só o que eu quero.
 

JE - A existência do Criador, cheio de Amor, que somente sabe amar, é inato em seu coração?
VRT - Está bem claro nas respostas anteriores, o que me faz mover neste mundo. É essa percepção que existe algo Superior, mas que nós temos como chegar a essa dimensão através do nosso aperfeiçoamento do quotidiano. Através da percepção de que ninguém é melhor do que ninguém, e se o próprio Ser Supremo, é capaz de tanta doação de aturar tantas coisas amargas, ver tanta desgraça e apesar disso indicar o caminho. A resposta está aí. Eu acho que só não vê quem tem olhos de mesquinhez. Para eles fica o meu desejo que ainda estão a tempo, nunca é tarde. Eu mesmo longe da perfeição que sou, aqui estou, e nem por isso hei-de desistir, eu acho que escolhi o meu caminho, pagarei o preço que tiver que pagar com o maior prazer e confiança.
Talvez até por um motivo egoísta, de poder chegar na hora da verdade, e ir sem dor, quero dizer sem a dor moral, de não me considerar um ser humano integro. Eu penso que vale a pena, essa leitura do universo, do Ser Supremo, e nós pequenos pequenininhos, mas que podemos crescer muito.
Depende exclusivamente de cada um. Mas que vale a pena, vale.
 

JE - Sr. Cônsul, quer deixar uma mensagem amiga e fraternal a todo o povo brasileiro e português, que se encontram espalhados pelos quatro cantos do planeta, em que muitos deles, estão cheios de saudades da sua pátria?
VRT - A minha mensagem é aquela que poderia ser de alguém que vive essa situação, de estar, embora em Portugal, País Irmão, mais do que irmão, essa palavra já está inclusive um pouco batida. Mas encontrar-me noutro lugar que não seja a minha pátria, a minha palavra fraternal e não poderia ser de outra forma, é de esperança, de solidariedade, de pedir que todos estejam dentro do possível em paz consigo mesmos, e que possam fisicamente, emocionalmente, afectivamente e sobretudo espiritualmente continuar vinculados as terras que os viram nascer.
Tudo isto dentro de um espírito sadio, sem preconceitos, sem xenofobias, onde realmente o que se busque é o entendimento no mais alto nível espiritual entre os seres humanos. Sejam eles de língua portuguesa, ou quaisquer outras. Estamos todos, absolutamente todos neste mesmo barco, e cabe a nós todos indicarmos o rumo que esse barco vai tomar. Que suportem as saudades, se for o caso, de uma maneira sadia, construtiva, e que tratem de tirar das saudades o melhor ensinamento em termos de humildade, de optimismo, de trabalho, tudo o que fosse possível para justificar essas mesmas saudades. Vivam bem, no bom sentido da palavra, e vivam em paz. É isso aí... Viver é luz...
 

 

O distinto Cônsul, um homem simpático, simples, extraordinariamente culto e inteligente, recebendo-nos com enorme gentileza e amizade. Ficamos mesmo espantados.
Após leitura atenta do nosso J.E., ficou impressionadíssimo com a sua qualidade. Um colega seu - diplomata, até já o conhecia, dizendo mais, que era um dos jornais da Cultura Espírita mais conceituados do mundo e conhecedor da FEESP. É pena não podermos narrar algumas passagens e dissertações do nosso diplomata em "off record", mas foi impressionante para alguém que não é espírita. Fazendo-nos lembrar Divaldo, Emmanuel, Chico etc. em suas palavras, mas como diz o Codificador, o espírita é aquele que procura se aperfeiçoar e lutar contra suas imperfeições. Disse-nos que aquela casa estava ao meu dispor e passaría a ser minha também (como português). Vindo de quem vem é uma honra para mim bem como para o J.E. da FEESP. Ainda escorreram umas gotículas pelos nossos olhos, de ambas as partes. Depois de termos oferecido a Obra do espirito Humberto de Campos "Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho" ficou radiante e emocionadíssimo.
Dizendo que iria ficar em cima da sua secretária. Prontificando-se de imediato a tirar uma foto, em que fez questão de empunhar o livro que lhe oferecemos, e de tirar a foto comigo. E eu, apresentei "O Livro dos Espíritos". Foi uma experiência inimaginável. Um homem de bem este diplomata e nosso novo amigo. Sem dúvida alguma, um espírita no sentido amplo da palavra. É isso aí...
 

 

Texto oferecido pelo autor, que é membro da AME Porto,

e publicado no "Jornal Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

 

 
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