|






|
|
|
|
Entrevistas

Vitor Baía
INTERNACIONAL DE FUTEBOL

«Difícil
chegar ao nível de Divaldo Franco»
Surpreendido?! Também nós ficámos. Isso ocorreu pela primeira vez no Verão
de há dois anos. Uma revista publicava então declarações deste famoso
guarda-redes português em que ele dizia ter na sua mesinha de cabeceira
naquela altura um livro de Divaldo Franco.
Mais surpreendidos nos sentimos quando, da parte da tarde, vimos entrar
Vítor Baía, muito discreto, no auditório do Hotel Ipanema Park, onde
decorria o seminário sobre autodescobrimento, ministrado pelo
extraordinário tribuno baiano. E ora aí está um facto curioso: Baía, nome
do prestigiado profissional de futebol, e Divaldo natural da cidade
brasileira Bahia. Coincidência?! Mas não será por isso que Vítor Baía se
refere a este notável autodidacta laureado já com um Honoris Causa, da
Universidade de Montreal, do Canadá.
Mais recentemente, numa outra revista de grande tiragem, em Junho passado,
o actual guarda-redes do Barcelona declara estar a ler um outro livro
sobre a vivência espiritual de um homem, Divaldo Franco, depreendendo-se
nesse artigo que o encara como um modelo de comportamento. Sonhámos falar
com ele sobre isso.
Não foi propriamente fácil localizar Baía em Barcelona (Espanha), mas
conseguimos fazê-lo em cima da hora. Por telefone, demonstrou ser uma
pessoa simples no melhor sentido, acessível, gentil, disponibilizando-se
de imediato para responder às questões que lhe colocássemos. Homem de
coragem.
Para Vítor Baía, Divaldo Franco é «uma pessoa de quem sou amigo»,
disse-nos. Admira a «sua vivência espiritual, a sua obra de caridade, a
Mansão do Caminho», na Bahia, Brasil. Relembrou o seu encontro com ele em
Abril do passado ano, no Porto, quando ainda era o idolatrado — e agora
saudoso, para os portistas — guarda-redes do Clube dos Dragões (Futebol
Clube do Porto).
Definiu Divaldo Franco como «uma pessoa extraordinária, uma pessoa que
todos gostaríamos de ser um dia, dada a obra que realizou e aquilo que ele
faz... mas é muito difícil chegar ao nível a que Divaldo chegou», opina.
Isso lembrará aquela ideia antiga de destino? «Cada um faz o seu destino,
mas acho que isso está mais ou menos definido. Penso que tudo o que terá
de acontecer, acontece mesmo», embora «dependa de nós também contribuir
para que as coisas aconteçam, ficar à espera que elas cheguem não é
suficiente...». Assunto complexo.
O que importa é o que fazemos no presente. E aí a família avulta: «É uma
parte importante em todo o caminho, uma busca de harmonia. A vida é uma
constante aprendizagem. Acredito em Deus, na vivência espiritual, acredito
que seremos mais fortes consoante a nossa força de vontade».
«A prática do bem, da caridade - diz Vítor Baía - é algo que fortalece.
Faz-me mais forte. Não há nada melhor do que sentir que o que me rodeia em
dado momento seja algo de bom. Visitar escolas, hospitais, orfanatos, sou
sempre o primeiro a dizer que sim, sempre que o tempo me permite. Faço-o
com muito gosto, muito prazer». Vítor Baía faz uma breve pausa e continua,
tranquilo: «É uma satisfação, há um preenchimento interior ao fazer isso.
Sinto-me bem...».
Texto oferecido por Jorge
Gomes e publicado na
«Revista de Espiritismo» nr.
35, Abril-Maio-Junho 1997

|
|
|
|
 |
|