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João Xavier de Almeida e Jorge Gomes

II CONGRESSO ESPÍRITA MUNDIAL EM PORTUGAL

 

Está às portas o 2º. CEM, organizado pela Federação Espirita Portuguesa – FEP. Lisboa é a cidade que o vai albergar, entre 30 de Setembro a 3 de Outubro de 1998, na FIL (Feira Internacional de Lisboa), juntando amigos dos quatro cantos de nosso Planeta Azul, em torno da Cultura espírita. João Xavier de Almeida (Presidente da Direcção da FEP) e Jorge Gomes, (Vice-Presidente da Direcção da FEP, bem como, Director da "Revista de Espiritismo") opinaram para o JE.

 

Jornal Espírita - Quais os países que estão já inscritos?
João Xavier de Almeida - Portugal, Brasil, Colômbia, Guatemala, Venezuela, Porto Rico, Perú, Panamá, Argentina, Paraguai, África do Sul, Angola, Guiné, Cabo Verde, Checoslováquia, Áustria, Holanda, Itália, Noruega, Suécia, Suíça, Alemanha, Bélgica, França, Espanha, Grã-Bretanha, Austrália, Canadá e Estados Unidos da América. De momento são os que me lembro.
 

JE - Quantos congressistas espiritas estão inscritos, até que data?
JXA - No momento temos 2.100 reais, até à data de 25 de Maio, mas temos grupos para entrar espalhados por vários Países que ainda estão a enviar inscrições, é difícil fazer um cálculo exacto porque como este Congresso fica fora da área geográfica onde há a maior concentração de espíritas que é o Brasil, eles por lá têm-se agrupado em Agências de Viagem para aproveitar não só fazer um Tour pela Europa como fechá-lo a chave de ouro assistindo ao 2º CEM, último do decénio, século e milénio, assim sendo estamos permanentemente a receber pessoas até a data limite.
 

JE- Quantos congressistas Brasileiros?
JXA - Mais de 1200.
 

JE- Quantos congressistas Portugueses?
JXA - 830 inscritos.
 

JE - Qual a data limite para as inscrições?
JXA - Ainda não temos prevista, porque as inscrições vêm de Países muito distantes.
 

JE - Como poderemos recolher informações sobre o 2ºCEM?
JXA - Junto da Comissão Organizadora, pelos Boletins Informativos que se enviam aos Congressistas, nas Associações Espíritas espalhadas pelo País, pelo Jornal Espírita de Viseu e pela URL do Congresso na net.
 

JE - Como estão decorrendo vossos trabalhos, na preparação deste evento?
JXA - O trabalho é intenso, organizar um Congresso desta envergadura é complicado e exige muita atenção. Optamos por uma coordenação com poucas pessoas, propriamente dito as 6 pessoas que fazem parte da Comissão Organizadora, mas temos uma Sub-Comissão que tem como responsabilidade trabalhos específicos, ligados portanto a departamentos criados para esse fim.

João Xavier de Almeida, Presidente da FEP (1998).

Não esqueçamos que todo a parte criativa deste Congresso tem sido feita por equipas da Sub-Comissão, desde a criação do papel de carta com o Logotipo do Congresso a cores e o fundo com a imagem esbatida de Allan Kardec, aos boletins informativos, toda a parte informática é intensa e complicada, fichas de inscrição, envelopes para o selo do dia, porque durante 4 dias vai haver um envelope com um carimbo do dia e dedicado também aos Filatelistas e Coleccionadores, tudo é feito pela Sub-Comissão coordenada pela Comissão Organizadora e nas instalações onde se trabalha intensamente para este Congresso, tendo nós utilizado, só e unicamente, até ao momento duas vezes trabalhos feitos em tipografia, o próprio Cartaz anunciando o Congresso foi elaborado por nós. Só assim é que um Congresso como este pode resultar, é evidente que a sobrecarga de serviços é muito grande, mas compensa. Creio que estamos a dar com estas informações uma pequena ideia do trabalho que se tem desenvolvido há perto de dois anos para a feitura deste Congresso de fim de Milénio que coube a nós portugueses e com muita honra, e talvez porque não fechando nesta altura dos acontecimentos com aquela célebre frase de Fernando Pessoa “Falta cumprir-se Portugal...”
 

JE - Como analisar este 2º. CEM?
JXA - O 2º. CEM deverá ser mais uma grande afirmação pública, desta vez em Portugal, da pujança e vitalidade que o espiritismo veicula, como doutrina regeneradora e consoladora para a Humanidade. Muito provavelmente será também um vigoroso espanejar de equívocos e confusões da opinião pública com um incremento de responsabilidade e trabalho para as nossas instituições espíritas, sobretudo a Federação. Na verdade, atender o redobrado interesse pela doutrina espírita, que é de esperar, exigirá racionalização e metodização do trabalho, passando por muita união, cooperação e coordenação. Precisamente em matéria de união, espera-se que a organização e realização do Congresso ajudarão imenso a fomentá-la.
 

JE - Sendo A «EXPO 98» - A Grande Exposição Mundial de Cultura - de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998. Estando inscritos 147 Países o que corresponde a mais de 95% da população Mundial. E como sabemos, Espiritismo é Cultura. Terminando a EXPO98 quando se inicia o 2ºCEM. Como vê a correlação destes notáveis eventos e únicos deste final de milénio?
Jorge Gomes - São eventos independentes. Eventualmente a coincidência pode atrair alguns estrangeiros que, se, se interessarem pelo espiritismo, terão mais estimulada a sua vontade de vir.
Podemos considerar que, tratando-se a Expo 98 da última exposição mundial do milénio, e sendo o 2º. CEM o último do mesmo milénio, oportuniza-se uma reflexão sobre a história no sentido de aproveitar bem, logo de início, o próximo milénio, na certeza de que isso se faz através do que fazemos do dia a dia. De um ponto de vista mais romântico, Portugal teve na gesta dos Descobrimentos um passado heróico. Poderá ter na área da Espiritualidade uma contribuição interessante, mas isso só se tornará possível se os activistas espíritas derem cumprimento à advertência do Espírito de Verdade: «amai-vos e instruí-vos». O futuro o dirá...
 

Jorge Gomes, Vice-Presidente da FEP (1998).

JE - O que retirará do 2ºCEM todo o Movimento Espírita e toda a Humanidade, já que, hoje, o "facho" olímpico se encontra com o Homo sapiens, no terceiro milénio, o "facho" mudará de mãos para o Homo solidarius?
JG - Muitas vezes gostamos de atribuir a determinadas datas, a certos eventos ou a outras circunstâncias específicas uma valorização exacerbada, e tão exagerada que até parece que a evolução se faria a voo de super-homem. Mas a experiência diz que não é assim. Em «O Livro dos Espíritos» lê-se algures que «a Natureza não dá saltos», nem nenhum de nós, em termos de progresso. Um congresso é um ajuntamento de pessoas interessadas num determinado tema.

Neste caso, do espiritismo, será uma grande oportunidade de juntar e estimular vontades, de ter a alegria de conhecer mais gente (não apenas os que apresentam tema...), de anotar informações interessantes ou de reavaliar outras que tínhamos como definitivas e que não são. Contudo, falando de congressos e falando de trabalho quotidiano, o primeiro é só uma festa e o segundo é o autêntico motor da evolução.
 

JE - O poeta português Fernando Pessoa disse-nos: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, que o mar unisse, já não separasse." Como vê esta inspiração de Pessoa, na temática do 2ºCEM - «O Espiritismo Ante O Terceiro Milénio»?
JG - É uma expressão muito feliz. Na área do movimento espírita, essas frases imortais apontam para o conceito de unificação. Unificação que é urgente, mas que não deve ser apressada, segundo mensagem conhecida do espírito doutor Bezerra de Menezes. Precisamente porque unificar é como erguer uma obra de vulto. Pede arquitectos, engenheiros, outros especialistas de variada ordem; exige bons alicerces, boa planificação, entre outras coisas. Caso contrário vai-se definindo como um mamarracho qualquer, possivelmente sem atingir os fins previstos. Ora, se não há unidade de orientação entre os colaboradores, cada um puxa para o seu lado e nada é possível erguer que não tenha logo de se incompatibilizar com o plano global, e de imediato tenha que cair... Daí a inteligência, o bom senso, a gentileza que deve ser imperturbável característica de qualquer espírita que se preze. Porque, se não é para ajudar mais vale ficar quieto. Da elevação qualitativa do comportamento dos dirigentes espíritas depende o progresso do movimento que representam. Não há milagres, não há datas cabalísticas, nada substitui as tarefas que compete a cada um realizar.
Todos os transtornos, porém, são fugazes perturbações na organização geral destes universos, e temos sempre a vantagem de seguir adiante, sem nos prendermos aos equívocos alheios. Quanto aos nossos, isso já não é bem assim...
 

JE - Luiz de Camões In Lusíadas, Canto V e VII transmitiu-nos: «"Assim fomos abrindo aqueles mares que geração alguma não abriu...", "E se mais mundo houvera, lá chegara"». No entanto desta vez os "mundos" são a consciência de cada um de nós. Portugal, como País de navegadores e exploradores, "...por mares nunca dantes navegados...", já que estes conduziram e orientaram os exploradores portugueses, quando Portugal deu "novos mundos" ao Mundo. Assim, como o Espiritismo irá conduzir e orientar a nova civilização, dando "novos mundos" ao Mundo, mas, desta vez, os "mundos", são a consciência de cada um de nós. O Espiritismo presenteará ao novo homem milenar; uma nova mentalidade e postura, perante a Vida. Como ajuíza esta visão Espirita face à importância deste magnânimo acontecimento?
JG - A rigor, há quem diga que os portugueses poderão ser os pioneiros de uma cultura mais espiritualizada na Europa. Uma possibilidade não é uma realização, mas apenas o seu próprio projecto. Acredito que devemos esbater essa pretensão. Adornar o ego com glórias passadas ou eventuais júbilos futuros é repetir enganos antigos. Actuais dirigentes espíritas portugueses tiveram possíveis vidas passadas recentes em Espanha, França, Alemanha, ou até noutros continentes. O estudo da reencarnação veio esbater o ego nacionalista. Seria um erro querermos transportá-lo para o movimento espírita, já que a doutrina espírita não alinha nisso. Somos uma família universal de encarnados e desencarnados nesta casa grande e azul que é a Terra.

 

 

Texto oferecido pelo autor, que é membro da AME Porto,

e publicado no "Jornal Espírita da Federação Espírita do Estado de São Paulo”

 

 
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