|






|
|
|
|
Artigos
& Teses

ESTRUTURA DA GLANDULA
PINEAL HUMANA (Tese de Mestrado)
Sérgio Felipe de Oliveira *
Universidade de São Paulo
Estrutura da Glândula Pineal Humana
A Study of human pineal gland structure, using optic microscopy,
scanning eletron microscopy, x-ray spectrometry scanning microscopy and
x-ray difraction.
Sérgio Felipe de Oliveira - 1.998
"Estudo da Estrutura da Glândula Pineal Humana Empregando Métodos de
Microscopia de Luz, Microscopia Eletrônica de Varredura, Microscopia de
Varredura por Espectrometria de Raio – X e Difração de Raio – X"
Dissertação apresentada ao Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre em Ciências.
(1.998).
Área de Concentração:
Anatomia Funcional:
Estrutura e ultra-estrutura
Orientador:
Prof. Dr. ESEM PEREIRA CERQUEIRA
Descritores:
1 Glândula Pineal
2 Concreção Calcárea
3 Pinealócito
4 Microscopia Eletrônica
5 Difração de Raio-X
6 Biomineralização ICB/SBIB.052/98
RESUMO
Estruturas da glândula pineal humana foram estudadas empregando os
métodos de microscopia de luz, microscopia eletrônica de varredura,
microscopia de varredura por espectrometria de raio-X e difração de
raio-X. As peças para microscopia de luz foram fixadas em solução de
formalina a 10% durante 48h. e incluídas em parafina. Para a microscopia
eletrônica de varredura, as peças foram fixadas em solução de Karnovsky
modificada, sendo que parte das peças foram fraturadas em nitrogênio
líquido para o exame das características internas do corpo pineal. Os
resultados evidenciaram que o corpo pineal apresenta Formações calcáreas
distribuídas no interior do tecido conjuntivo. As formações calcáreas
possuem tamanhos e formas diferentes. As estruturas calcáreas apresentam
uma cápsula constituída pelo tecido conjuntivo. Na porção interna, a
estrutura calcárea é constituída por uma série de lamelas concêntricas,
com a porosidade de aspecto amorfo. Evidenciou-se pela análise de
difração de raio - x, a estrutura cristalina formada pelos átomos de
vários elementos que compõem a formação calcárea.
SUMÁRIO
RESUMO
1- INTRODUÇÃO
Anatomia
Aspectos evolutivos e morfofuncionais
Aspectos citológicos e funcionais
Metodos anatômicos de estudo da pineal
2- PROPOSIÇÃO
3- MATERIAL E MÉTODOS
Microscopia de luz
Microscopia eletrônica de varredura
Microanálise e difração de raio-x
4- RESULTADOS
Microscopia de luz
Microscopia eletrônica de varredura com espectrometria de raio - x por
dispersão de energia (EDS) Difração de raio-x
5- DISCUSSÃO
6- CONCLUSÕES
7- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
8- DEDICATÓRIA
ANATOMIA
A glândula pineal humana, segundo ERHART, E.B. (1.962) e MACHADO, A.B.M.
(1.983), está localizada na fissura formada pelo encontro do cérebro e
dos hemisférios cerebrais, medindo aproximadamente 8 mm de extensão.
Ocupa a depressão dos colículos superiores e é inferior ao esplênico do
corpo caloso, sendo separado deste pela coroídea do terceiro ventrículo
e pelas veias cerebrais nela contidas, estando envolvido pela camada
inferior da tela, que então reflete sobre o tecto. A base da pineal é
posicionada anteriormente e fixada por um pendúculo dividido
anteriormente pela lâmina superior e lâmina inferior, separados pelo
recesso pineal do terceiro ventrículo (GRAY'S ANATOMY, 1995); a lâmina
inferior contém a comissura posterior e a lâmina superior, a comissura
habenular, estruturas componentes da parte não endócrina do epitálamo.
Vale ressaltar que a comissura habenular faz parte do sistema límbico,
assim como todas as outras extruturas não endócrinas do epitálamo,
excetuando a comissura posterior, sendo portanto relacionadas com a
regulação do comportamento emocional. O recesso pineal é a área do
terceiro ventrículo cerebral onde o pendúculo da pineal se prende, sendo
revestido por células ependimárias (BINKLEY, S, 1.998). A pineal
juntamente com o órgão subcomissural constitui a parte endócrina do
epitálamo, sendo que este, conjuntamente com o tálamo, hipotálamo e
subtálamo constituem o diencéfalo. A base do diencéfalo é formada por
uma camada de células ependimárias recoberta por mesenquima vascular. A
combinação destes dois tecidos origina o plexo coróide do terceiro
ventrículo, e a parte mais caudal da base do diencéfalo origina o corpo
pineal (SANDLER, T.W., 1996). VOLLRATH, L. (1.981) propôs uma
classificação baseada na forma do arranjo do corpo pineal e suas
relações com o terceiro ventrículo. São distinguidos os seguintes tipos
essenciais: tipo A, quando o corpo pineal esta junto ao terceiro
ventrículo; tipo AB quando a pineal é alongada; tipo ABC quando a maior
parte da pineal está justaposta ao cerebelo; tipo C quando toda a pineal
está na superfície do crânio. Caso a pineal possua duas partes, a menor
é representada pela correspondente letra do alfabeto grego. A pineal
humana é do tipo A. Quanto a Inervação, ARENDT, J. (1.995) Afirma haver
evidências de que a pineal receba multiplos sistemas de inervação, seja
de origem exógena, como a inervação simpática periférica, seja direta
atravéz do sistema nervoso central, haja visto a detecção de
neurotransmissores como o peptídeo intestinal vasoativo,
arginina-vasopressina, oxitocina, entre outros. Antigamente pensava-se
que as projeções do sistema nervoso central iam até o pendúculo sem
atingir a pineal, passando para a comissura posterior, mas a presença
dos citados neurotransmissores na glândula evidencia a inervação
central. Constituindo-se no nervo do conário, único ou duplo, as fibras
nervosas periféricas vêm da região da tenda do cerebelo e penetram nas
faces dorsal ou dorso lateral da pineal. Estas fibras periféricas
simpáticas são originadas nas células do gânglio cervical superior e
correm subendotelialmente na parede do seio reto. Esta via parte da
retina ocular e pela projeção retino-hipotalâmica atinge o núcleo
paraventricular, sendo que este funciona como uma estação intermediária
neste circuito. CIPOLLA NETO, J. (1.996) esclarece que o circuito
neuroanatômico responsável pelo controle do metabolismo da glândula
pineal segue a seguinte seqüência: retina, via retino - hipotalâmica,
núcleo supraquiasmático, núcleo paraventricular hipotalâmico, fascículo
prosencefálico medial, medula espinhal torácica alta, gânglio cervical
superior, nervos conários e pineal, segundo estudos feitos em roedores.
O estudo da estrutura do corpo pineal e aspectos morfofuncionais podem
ser melhor esclarecidos a partir da compreensão do desenvolvimento
filogenético e ontogenético da glândula pineal, assim como de
características citológicas.
Aspectos evolutivos e morfofuncionais
ROMER, A.S. & PARSONS, T.S. (1.977) descrevem a anatomia do
epitálamo, em vertebrados inferiores. O teto do terceiro ventrículo é
fino em sua maior parte e é uma estrutura não nervosa. Nele
desenvolve-se a paráfise, um saco de paredes finas, presente no embrião
e ausente no adulto na maioria dos casos, cuja função, do que é
conhecido, está ligada à estocagem de glicogêneo, que é enviado ao
líquido céfalo-raquidiano. Adjacente à paráfise está a região do plexo
coróideo anterior, situado na parte anterior do teto do diencéfalo. Mais
para traz, no teto do diencéfalo podem desenvolver-se uma ou duas
estruturas medianas pedunculadas, semelhantes a olhos, os órgãos
parietal e pineal. Estas estruturas vão formar o olho mediano. Este
parece que não é formado sempre a partir da mesma estrutura, mas pode
desenvolver-se tanto do órgão parietal (ou órgão parapineal) como do
órgão pineal. Ambos podem estar presentes no mesmo animal e, embora
adjacentes, são imediatamente distinguíveis pela função de seus
pedúnculos. Encontramos olhos medianos bem desenvolvidos somente nas
lampreias e alguns lagartos; situados sob a pele, eles podem fazer um
pouco mais do que detectar a presença ou ausência de luz, apresentando
uma diminuta córnea, cristalino e retina. Estes desapareceram na
filogênese, estando ausentes na maioria dos peixes, nos modernos
anfíbios, na maior parte dos répteis, em todas as aves e mamíferos.
Apesar da perda de função do olho mediano, o órgão pineal persiste nos
vertebrados superiores como uma estrutura glandular. No entanto, em
alguns vertebrados, como nos tubarões e nas rãs, a pineal embora não se
abra na superfície, contém células e ainda atua como um fotoreceptor.
Isso já não mais ocorre nos mamíferos. KAPPERS, J.A. (1.971) estuda
aspectos evolutivos do órgão pineal. Em peixes e anfíbios o
desenvolvimento e estrutura da pineal é, em princípio, semelhante à
retina dos olhos, embora com diferenças. Possui células ciliadas, de
características neurosensoriais, fotoreceptoras, outros tipos de células
nervosas, também sensoriais e tecido conectivo. Em répteis, lacertídeos
e tartarugas há uma transformação evolutiva do órgão pineal, com
decrécimo da atividade fotoreceptora e neurosensorial, como demonstarm
experimentos de eletrofisiologia assim como desorganização ou
desintegração do tecido neurosensorial. Em aves, apesar de muitas
espécies de pássaros que ainda apresentam uma rudimentar função
fotosensória da pineal, os pólos fotoreceptores das células principais
já estão ausentes. Vale resaltar, no entanto, que a pineal de aves
exerce um papel nos efeitos da luz no sistema reprodutor. Vamos ter, na
pineal de aves, uma inervação por fibras noradrenérgicas, à semelhança
do que vamos observar e em roedores e mamíferos. Em mamíferos, o órgão
pineal não mostra vestígios dos aspectos fotosensoriais, embora
remanecentes do aparato ciliar possam eventualmente estar presente,
sendo constituído por células específicas, os pinealócitos. Analisando
aspectos morfológicos da pineal humana, ERHART, E.A.(1.962), esclarece
ser a pineal parte integrante do epitálamo. Há uma variação considerável
de um indivíduo para outro, e afirma-se mesmo, "que não existem duas
pineais iguais". Rica em vasos sangüineos, é constituída essensialmente
por elementos neuro-ectodérmicos, por células da glia e por elementos
parenquimatosos diversos. Ressalta a presença, principalmente em
indivíduos adultos, das concreções calcáreas denominadas acervuli (areia
cerebral). CAJAL, S.R. (1.995) conclui que o desenvolvimento massivo dos
plexos nervosos da pineal humana, advindos do gânglio cervical superior
"indica inequivocamente que a epífise é pura e simplesmente um órgão
endócrino". A glândula pineal é hoje aceita como uma glândula endócrina
reguladora da maior importância, modificando a atividade da
adenohipófise, neurohipófise, pâncreas endócrino, paratireóide, córtex e
medula adrenal e gônadas ( DE VRIES, R.A.C. & KAPPERS, J.A,!.971).
GREENSTEIN, B (1.994) ressalta que as funções atualmente estudadas, na
qual a pineal está envolvida inclui: efeito antigonadotrófico, mudanças
próprias da puberdade, relógio biológico, efeitos de "jet-lag",
escurecimento da pele e variações orgânicas sazonais. VOLLRATH, L.
(1.981) considera que, o fato do cérebro ser o maior alvo de atuação das
substâncias produzidas pela pineal, deve haver uma ligação vascular
direta entre a epífise e o cérebro. Um experimento com injeção de
corante índia ink em ratos, demostrou que a única ligação vascular entre
a pineal e o cérebro é via plexo coróide de ambos os recessos
suprapineais e o terceiro ventrículo via veia cerebral magna. Este fato
requer uma reversão de fluxo, o que é aparentemente incomum na região da
veia cerebral magna. Assim as secreções da pineal alcançam as células
alvo via líquido céfalo - raquidiano ( SHERIDAN, M.N. et al, 1.969;
KNIGHT, B.K. et al., 1973) ou pela circulação sangüínea. No entanto
KAPPERS, J.A. (1.974) esclarece que o recesso pineal é coberto por uma
camada de células ependimárias. Entre a camada de células ependimárias
do recesso e o parenquina da face dorsal do órgão, existe a pia máter.
Evidentemente, ressalta o autor, produtos do parênquima da pineal não
alcançam diretamente o líquido céfalo raquidiano que banha o recesso
pineal. GARTNER, L.P. & HIATT, J.L. (1.994) sintetiza aspectos
estruturais da glândula pineal humana. O tecido conectivo que recobre o
corpo pineal é pia máter, a qual envia trabéculas e septos para dentro
do parênquima pineal, subdividindo-o em lóbulos incompletos. Vasos
sangüineos suprem e drenan elementos do tecido conectivo do corpo
pineal. Os principais elementos celulares são pinealócitos e células da
glia. Os espaços intercelulares da pineal contém grânulos, calcificados,
material conhecido como areia cerebral ou corpora arenacea, "Cujo
significado é Deconhecido", ressaltam os autores. A pineal tem um rico
suprimento sangüineo, sendo que sua irrigação é derivada da artéria
cerebral posterior, que origina as artérias coroidais médio posteriores
direita e esquerda e as artérias pineais. Estas ramificações suprem
capilares fenestrados. Os capilares drenam em numerosas veias que
desembocam na veia cerebral interna ou na veia cerebral magna (
YAMAMOTO, I. & KAGEGAWA, N., 1.980). Quanto a Inervação, vindo do
gânglio cervical superior, fibras nervosas autonômicas pós ganglionares,
adentram a glândula pineal em associação com artérias que a suprem, ou
pelo nervo do conário, ou ainda, pela leptomeninge da superfície da
pineal. As fibras nervosas terminam nos espaços perivasculares entre os
pinealócitos ou fazem sinapses com estes. Outras fibras nervosas
localizadas no pedúnculo podem ser originadas do núcleo da habênula. Os
pinealócitos forman o parênquima da pineal; estendendo-se de cada corpo
celular, que podem ter núcleos esféricos, ovais ou lobulados, há um ou
mais processos basofílicos, tortuosos, contendo microtúbulos ( KNIGHT,
B.K. et al. 1.973). Estes processos terminam em botões próximos a
capilares, ou menos freqüentemente em células ependimárias do recesso
pineal. Estes botões terminais contém retículo endoplasmático rugoso,
mitocôndrias e vesículas elétron densas, que estocam monoaminas e
hormônios polipeptídicos, cuja secreção parece depender de inervação
simpática. Estes elementos são secretados por exocitose, conjuntamente
com fragmentos de membranas de vesículas. Estas membranas exocitadas
formariam complexos com o cálcio, cuja deposição concêntrica ao redor
dos fragmentos destas membranas formariam as conhecidas concreções
calcáreas da pineal. ARMSTRONG, S.M. & REDMAN, J.R. (1.993) afirman ser
a glândula pineal uma das três áreas anatômicas de localização do
sistema circadiano nos vertebrados; assim sendo, temos a pineal, as
retinas oculares e o núcleo supraquiasmático. A melatonina é o hormônio
efetor do ritmo na organização temporal do corpo, sendo importante para
a manutenção dos ritmos infradianos, cicardianos e ultradianos,
esclarecem os autores. ZUBAY, G. L. et al. (1.995) acentua que a
melatonina, hormônio produzido pela pineal, cuja estrutura química é N-
Acetil 5- Metoxitriptamina, tem a função de regulação dos ritmos
cicardianos. O âmbito médico, ROBINS, S.L. et al. (1.994) acentua que as
lesões clinicamente significativas de pineal são raras, constituindo
quase que exclusivamente de tumores. LEWY, A.J. (1.996), ressalta que a
pineal está fora da barreira hemato-encefálica. Assim, a produção de
melatonina pela pineal humana é deprimida por beta bloqueadores e alfa-2
agonistas. Neurônios pós ganglionares do gânglio cervical superior,
noradrenérgicos, estimulam receptores beta-ladrenérgicos dos
pinealócitos. Isto resulta em síntese e secreção de melatonina no
líquido céfalo-raquidiano e na circulação venosa.
Aspectos Citológicos e Funcionais
KAPPERS, J.A. (1971) ressalta que em pinealócitos adultos botões
sinápticos são observados, lembrando o primitivo aparato ciliar.
Pinealócitos são neurônios verdadeiros, sendo que as características da
pineal são típicas de um órgão endócrino. De acordo com o autor a pineal
mostra sinais de funcionmento precocemente na vida pré natal, devido à
ependimosecreção no sistema ventricular. As células comissurais aparecem
a partir de células ependimárias constituindo o lobo posterior da
pineal. A produção secretória destas células é jogada na circulação
sangüínea e não no terceiro ventrículo. A camada ependimária prolifera e
forma pseudofolículos, cuja luz não tem comunicação com o ventrículo
cerebral. Estes folículos desaparecem em estágios mais avançados do
desenvolvimento embrionário. Durante o desenvolvimento embrionário o
corpo pineal é invadido por tecido conjuntivo derivado da pia - máter
que forma a cápsula do órgão e penetra no seu interior formando septos.
A estrutura da pineal é, pois, complexa devido à existência de elementos
mesodérmicos derivados da pia-máter e elementos derivados do epêndima,
ou seja, neuroectodérmicos. Diversos autores atribuem um envolvimento
complexo de todas estas estruturas, parenquimatosas e de tecido
conectivo, na gênese das concreções calcáreas da pineal. KITAY, J.
&ALTSCHULE,M.(1.954) apud BINKLEY, S. (1.988) consideram que a
ocorrência de calcificação em pineal humana segue a seguinte proporção:
despresível no primeiro ano de vida; cerca de 25% na segunda década,
havendo um incremento gradual da terceira para a oitava década de vida.
Também colocam estes autores que nenhuma relação está estabelecida entre
a ocorrência de calcificação e estágios funcionais da glândula pineal
humana. ANGERVALL, L. et al. (1.958) identificaram como hidroxiapatita a
fase mineral presente na glândula pineal, num estudo com difração de
raio-x. Estes autores fizeram um estudo difratográfico comparativo de
diversos processos de calcificação, abrangendo esmalte e cemento
dentário, calcificações tumorais intracranianas, calcificações arteriais
e de linfodonos, além das concreções calcáreas em pineal humana.
Observou-se um grau de cristalinidade menor em pineal e outros tecidos,
comparativamente ao esmalte e cemento dentários, apesar da mesma
composição de hidroxiapatita. O que faz a diferença nestes casos é o
arranjo cristalino. EARLE, K.M. (1.965) observou que as concreções
calcáreas em pineal são constituídas por agregação de pequenos cristais
em forma de agulha, evidenciando por difração de raio-x que a
constituição destes é característico dos padrões de hidroxiapatita.
MABIE, C. T. & WALLACE, B. M. (1.974) estudaram as calcificações em
pineal humana por diversos métodos, quais sejam, a microscopia ótica,
microscopia eletrônica de varredura e de transmissão, difração de
raio-x, e análises químicas, corroborando os achados que evidenciam a
composição de hidroxiapatia das concreções calcáreas da pineal,
demonstrando as características camadas concêntricas, observáveis também
a microscopia ótica. O autor demonstra que as concreções podem ser
mononucleadas ou multinucleadas, sendo que em humanos são mais comumente
multinucleadas. JAPHA, J.L. et al. (1.976) estudaram calcificações em
superfície de glândula pineal de gerbil (Meriones unguiculatus),
observando que há similaridades no processo de calcificação neste animal
e na pineal humana, sugerindo que o gerbil possa ser o modelo
experimental ideal para estudos do fenômeno de calcificação da pineal.
Estes autores observam que as inclusões calcáreas localizam-se nas
porções superficiais da pineal, estando ausentes na pineal profunda.
Estudando a composição orgânica das concreções da pineal de gerbil,
demonstraram a presença de carbohidratos, pela reação PAS-positivo,
assim assim como as proteínas, pela digestão por tripsina. As reações
com alcian blue, neste trabalho indicaram que a estrutura de
carbohidrato é um ácido mucopolissacarídeo. A presença de lípides na
matriz orgânica das concreções foi demonstrada pelo método de sudan
black. JAPHA, J.L. et al. (1.976) ressaltam interessantes resultados que
indicam o envolvimento da glândula pineal no metabolismo de cálcio (
MENIGOT, M. et al., (1.970) e podendo ter relação funcional com a
glândula paratireóide ( KISS, J. et al., 1.969; REITER, R. J. et al.,
1.973). MOLLER, M. et al, (1.979) estudaram calcificações em tumores de
pineal humana, utilizando técnicas de microscopia eletrônica e difração
de raio-x, evidenciando que estes tipos de calcificação são de padrão
amorfo, diferindo da calcificação normal presente nas calcosferitas de
pineal, que caracterizam-se pelo padrão de arranjo cristalino da
hidroxiapatita. BINKLEY, S. (1.988) ressalta que a estrutura da pineal
humana é caracterizada pela presença de muitas inclusões calcáreas. Em
importante publicação, este autor acentua aspectos relevantes: quanto ao
desenvolvimento de concreções calcáreas, há relatos da presença destas
estruturas já dos 1 a 3 anos de idade, sendo que é alta incidência em
humanos; as concreções têm um formato curioso de amora e são compostas
por hidroxiapatita e traços de elementos como magnésio e estrôncio,
comparável à composição do esmalte dentário; o grau de calcificação da
pineal aumenta com a idade. SCHMID, H.A. & RAYKHTSAUM, G. (1.995)
realizaram importante trabalho com pineais humanas de homens de 14, 47,
62, 82 anos, procurando relacionar alterações estruturais das concreções
calcáreas de pineal com o envelhecimento. Ultilizaram microscopia
eletrônica de varredura e espectrometria de raio-X . Baseados em cortes
seriados de uma mesma concreção, com intervalos de 20 micrômetros e
utilizando reconstrução estereológica, ficou evidenciada a estrutura de
lamelas concêntricas em forma de anéis. O número de lamelas concêntricas
aumentam com a idade. Gradualmente, conforme aumenta o número de
lamelas, estas se tornam mais estreitas e tendem a sofrer ondulações que
dão um aspecto de zig-zag. Evidenciam-se diversas formas evolutivas, a
começar por concreções de morfologia esférica, evoluindo até a forma de
amora, devido à agregação de unidades, com proporções que vão de 30 a
100 micrômetros. Tais resultados são discutidos no trabalho quanto suas
implicações funcionais, dentre as quais ressaltamos alguns aspectos
discutidos por estes autores. A estrutura orgânica das concreções da
pineal contêm índoles, proteoglicanas e glicoproteínas ( PALLADINI, G.
et al., 1.965; LUKASZYK, A. & REITER, R. J., 1.975) assim como
carbohidratos e ácidos mucopolissacarídeos (JAPHA, J. L. et al., 1.976).
Este fato, tomando juntamente com a composição predominante de
cálcio-hidroxiapatita (AGERVALL, L. et al, 1.958; EARLE, K. N., 1.965;
KRSTIC, R., 1.986), aponta para uma relação patológica ou fisiológica
entre a biossíntese de melatonina, as etapas bioquímicas cálcio
dependentes ( MORTON, D.J. & REITER, R. J., 1.991) e o estoma matricial
da glândula pineal. A biomineralização é a manifestação físico-química
da programação genética do envelhecimento do tecido pineal humano
KLOEDEN, P. E., 1.990). Muitos sustentam que a mineralização reflete o
envelhecimento e alterações sequelares de processos patológicos. SCHMID,
H. A. & RAYKHTSAUM, G. (1.995), baseado em resultados experimentais que
demonstram alterações na composição de cálcio e fósforo, dentro de uma
mesma concreção, assim como variações características conforme a idade,
coloca que estas mudanças representam processos de remodelação da
estrutura mineralógica dentro da mesma calcificação ao longo da vida.
Sustentam estes autores, que a calcificação da pineal é uma expressão da
distrofia celular e está primária ou secundariamente associada ao
processo de envelhecimento. O arranjo molecular envolvido com a
biomineralização tem sido estudado em várias estruturas ( conchas,
dentina, ossos). A mineralização inicia-se intracelularmente a partir de
vesículas de gordura guiada e influenciada pelo citoesqueleto, assim
como, extracelularmente pelas fibras colágenas. Estas estruturas
organizam a fase inorgânica numa geometria precisa-lamelar, colunar ou
reticular; no entanto muitos passos destas construções são ainda
desconhecidos (MANN, S., 1.993). Distrofia de células da pineal
secundárias à deposição de cálcio nunca foi diretamente demonstrado.
Observação de um incremento das concreções em vacúolos de pinealócios de
gerbil sugerem fortemente que células em estado hipersecretório precedem
transformações distróficas ( JAPHA, L. et al., 1.976; LUKASZYK, A. &
REITER, R. J., 1.975; WELSH, M.G. & REITER, R. J., 1.978). A formação
das concreções clacáreas deve se dar secundariamente a estados celulares
hipersecretórios, considerando-se que a porção orgânica das concreções
contém índoles. O núcleo inorgânico de carbonato de cálcio e
hidroxiapatita é semelhante à dentina nas proporções cristalinas e nos
padrões de difração de raio-x. Considerando as múltiplas similaridades
entre as concreções da pineal e a dentina, ossos, esmalte ( BOCCHI, G. &
VALDRE, G., 1.993), o autor é levado a concluir que as concreções são um
produto fisiológico e não patológico. Muitos processos de
biomineralização, possivelmente, são engendrados por distrofia celular e
produtos de pedaços de membranas, que servem como estrutura para a
cristalização (WUTHIER, R. E., 1973; BOSKEY, A. 1.989). A distrofia
celular, por outro lado, não é o único mecanismo pelo qual os núcleos de
mineração são formados. Este processo pode ocorrer pela interação
eletrostática, estrutural e estereoquímica dada uma interface
orgânica-inorgânica. Como estudado na natureza a biomineralização
lamelar é universalmente observada por deposições episódicas sobre uma
matriz polimérica extracelular (freqüentemente fibras colágenas) que
servem como faces hidrofóbicas onde proteínas ácidas são agregadas. A
mineralização ocorre na interface entre proteínas ácidas e o ambiente
aquoso (MANN, S., 1.993). A deposição seqüencial de matéria orgânica e
inorgânica cria a aparência de bandas claras e escuras, lamelas ou
crescentes. Devido ao fato da mineralização ocorrer por aposição
entende-se a sucessão de estágios do globular para as formas em amora.
Assim, corroborando esta progressão, observa-se um grande número de
formas globulares em espécime de uma amostra de um adolecente de catorze
anos com uma mínima quantidade de estratificação e formação ativa de
cristais. SCHMID, H.A. & RAYKHTSAUM, G. (1.995) observam que a relação
cálcio-fósforo é menor nas camadas intermediárias entre o centro e a
periferia. Esta mesma relação é mais elevada em posições que se
distanciam do centro, da concreção, e isto pode estar ligado ao fato de
que os cristais são construídos dentro de formas supramoleculares das
hélices das fibras colágenas e que o crescimento do cristal é
anisotrópico. Esta combinação de formas pode resultar num crescimento em
espiral. Isto é corroborado pelos achados dos autores em que os núcleos
de cristalização ocorrem num centro ao mesmo tempo que a periferia,
sugerindo a formação em espiral. Observa-se uma relação maior de
cálcio-fósforo em idoso em comparação com espécime jovem. Este dado
somado ao fato de que as camadas de uma concreção tornan-se mais
estreitas com a idade, sugerem uma repetitiva aposição com um constante
remodelar ou reconstrução de todas as camadas. A observação de
calcificações precoces em muitas crianças, assim como pouca calcificação
em indivíduos velhos como demonstardos por alguns histologistas, como
(HEIDEL, G., 1.965; SCHARENBERG, K. & LISS, L., 1.965; WILDI, E. &
FRAUNCHINGER, E., 1.965; TAPP, E. & HUXLEY, M., 1.972; GALLIANI, I et
al., 1.989) pode ser explicado pelo fato do cálcio contido nas
deposições pode aumentar sem se tornar extensivamente visível. SCHMID,
H. A. & RAYKHTSAUM ,G. (1.995) enfatizam que não há uma correlação
positiva entre envelhecimento e depósito de cálcio na pineal (COMMENTZ,
J. C. et al., 1.986; BOJKOWSKY, C. J. & ARENDT, J., 1.990), nem tampouco
a relação inversa entre níveis de calcificação e produção de melatonina.
A teoria do envelhecimento e falência da pineal está sendo mudada pela
observação de pinealócitos obtidos de humanos de todas as idades são
capazes de sintetizar melatonina em iguais níveis in vitro, quando
apropriado substrato é fornecido. Similarmente estudos pós mortem de
pineais humanas não revelam mudanças nas enzimas necessárias para a
síntese de melatonina. A mais importante evidência explicativa para a
atenuação da produção de melatonina relacionada ao envelhecimentp, diz
respeito a alterações ligadas ao avanço da idade, em receptores beta
adrenérgicos. O cálcio tem importante papelno metabolismo da melatonina,
de tal sorte que distúrbios neste sistema poderiam acarretar a deposição
cálcica. Os autores hipnotizam que o pinealócito poderia chegar a uma
exaustão (distrofia), de tal modo que a regulação de cálcio poderia se
desorganizar, semelhantemente ao que ocorre no envelhecimento celular.
Poderia então haver uma precipitação juntamente com ésteres fosfatos
sempre presentes nos pinealócitos, comprometendo a biossíntese de
melatonina. HUMBERT, W. & PÉVET, P. (1.995) estudaram glândula pineal de
ratos envelhecidos, enfocando a localização intracelular de cálcio e a
variação do número de pinealócitos. Descrevemos a seguir, alguns
aspectos dos resultados obtidos e tópicos importantes discutidos pelos
autores. A glândula pineal de ratos é constituída de células
parenquimatosas, pinealócitos claros e escuros e células da glia. Os
resultados da análise por microscopia eletrônica de transmissão
demosntraram um relativo decrécimo de 12% no número de pinealócitos de
ratos envelhecidos (células claras e escuras). Uma análise detalhada
mostrou um decrécimo de 30% de pinealócitos claros típicos, conhecidos
por serem pinealócitos funcionais, assim como um aumento de 140% de
pinealócitos escuros observados no grupo de ratos velhos ( 28 meses ) em
comparação com o grupo de ratos novos (3 meses). A demonstração da
presença de cálcio é feita por método citoquímico. Assim os dois tipos
de pinealócitos podem ser distinguidos com base na distribuição e
concentração de cálcio. Pinealócitos claros são caracterizados por
poucos precepitados, localizados principalmente nas mitocôndrias, na
forma de grânulos intramitocondrias. Pinealócitos escuros, ao contrário,
são caracterizados por numerosos precipitados, espalhados pelo
citoplasma, assim como em mitocôndrias, retículo endoplasmático,
grânulos de lipofucsina e concentrados de lipídeos. Partículas
eletrodensas formam redes (clusters) na matriz mitocondrial, depósitos
intranucleares de cálcio, caracterizando sinais de degeneração dos
pinealócitos. A microanálise por raio-x demonstrou que os precipitados,
principalmente presente nos pinealócitos escuros, contém cálcio. A
presença de cálcio é demonstrada pelo método de potácio-piroantimoniato
(KLEIN,C et al., 1.972). O estudo confirma através de microanálise por
raio-x, que potássio é substituído por uma forma de complexo
cálcio-piroantimoniato (TANDLER, C. J. et al, 1.970; SIMSON, I. A. V. &
SPICER, S. S., 1.975; CHANDLER, J. A., 1.977; BOWEN, I. D. & RYDER, T.
A., 1.978). Assim com os resultados microanalíticos obtidos, os autores
consideraram que os precipitados encontrados no tecido pineal eram de
cálcio-antimoniato, indicando alta probabilidade de localização
intracelular do cálcio. Precipitados de antimoniatos tem sido descritos
em pinealócitos escuros, especialmente em mitocôndrias degeneradas,
dropletes de lipídeos, lipopigmentos, e concreções em crescimento,
enquanto são menos freqüentes em pinealócitos claros, onde os
precipitados localizam-se nas membranas celulares, como descrito acima.
A presença de concreções em pinealócitos escuros fala a favor da
formação de concreções a partir destes, numa ambiência rica em cálcio. A
evidência que há pouco precipitado de antimoniato em pinealócitos claros
em comparação aos escuros (PIZARRO, M. D. L. et al., 1.989), fala a
favor de que a membrana celular se torna enfraquecida, permitindo uma
entrada em larga monta de cálcio na célula. Vesículas ricas em cálcio e
vacúolos derivados de mitocôndrias presentes quase que exclusivamente
durante a fase escura parecem ser sítios primários de mineralização,
enquanto que a localização citoplasmática do cálcio ocorre somente
durante a fase clara. Os autores analisando pineal de ratos em
ultraestrutura e microanálise, procuram entender o processo de biogênese
das concreções. Os autores colocam, na introdução do trabalho, que as
concreções calcáreas em mamíferos são especialmente encontradas em
gerbil e humanos. Segundo os autores, ainda que a via intracelular seja
o modo clássico de biomineralização, a rota extracelular parece ser uma
via alternativa. HUMBERT, W. & PÉVET, P. (1.995) referem que, de acordo
com seus resultados, nos estudos em ratos, que material resultante da
degeneração celular e produtos secretórios proteináceos podem iniciar a
formação de concreções pelo fato das mitocôndrias e retículo
endoplasmático estarem sendo considerados sítios da regulação de cálcio,
devido a grande concentração de cálcio e fósforo presentes na
mitocôndria durante a mineralização (WALZ, B., 1.982; SOMLYO, A. P.,
1.984; ALBERTS, B. et al., 1.983). Consideram assim, a possibilidade de
ser esta primeira fase da formação de hidroxiapatita. Também os autores
observaram vesículas e vacúolos originados do retículo endoplasmático,
as quais têm a mesma capacidade de concentrar cálcio e fósforo,
evidenciando por microanálise por raio-x. Afirmam portanto que o
retículo endoplasmático tem também importante função na gênese das
concreções. Igualmente, fibras colágenas podem servir de sítios de
precipitação de cristais de hidroxiapatita e portanto iniciadores de
mineralização. WUTHIER, R. E. (1.973) em importante revisão coloca que
há duas escolas de pensamento estudando como o processo de mineralização
é induzido durante a calcificação de tecidos. Há uma visão que a
mineralização é iniciada por núcleos heterogêneos de colágeno,
isoladamente como nos estudos dos autores GLINCHER, M. J. ( 1.959);
GLINCHER, M.J. & KRANE, S. M. (1.968); NEUMAN, W.F. (1980, ou em
combinação com várias proteínas com as quaisno colágeno se associa
conforme estudaram os pesquisadores ANDREWS, A.T. et al. (1.967);
HAUSCHKA, P.V. et al. (1.975); LINDE, A. et al. (1.981). Há também a
visão de que a mineralização é um processo diretamente mediado por
células no qual as mitocôndrias e vesículas matriciais servem como
sítios do processo de calcificação. Estudaram as mitocôdrias nesse
processo os pesquisadores BRIGHTON, C.T. & HUNT, R.M. ( 1.976, 1.978)
MARTIN, J.H. & MATTHEWS, J.L. (1.970, 1.971); SHAPIRO, I.M. & GREESPAN,
J.S. (1.969), e as visículas matriciais ( ANDERSON, H.C., 1.969; BAB, I.
et al., 1.979; BERNARD, G.W., 1.972; SAYEGH, F.S. et al, 1.974). CIPOLLA
NETO, J. (1996) estudando o metabolismo da pineal em roedores resalta o
envolvimento de influxo intracelular de cálcio. O autor afirma que a
ativação dos receptores alfa 1, em ratos, promove um aumento do cálcio
intracelular, dependente tanto de um aumento do influxo de cálcio,
quanto da liberação de cálcio de estoques intracelulares. Há dados
mostrando um papel potenciador do complexo cálcio - calmodulina na
ativação da enzima adenilatociclase, fato que poderia estar ocorrendo
também na glândula pineal. O cálcio parece exercer um papel importante
nos processos de transcrição e tradução gênicas e síntese da própria
Nacetiltransferase. ARENDT, J. (1.995) explica que o primeiro passo para
a formação da melatonina é o aporte de triptofano da dieta. A absorção
de triptofano pelo cérebro é dependente dos mecanismos de transporte
através da barreira hemato-encefálica. O triptofano é transformado em 5-
hidroxitriptofano pela triptofano-5-hidroxilase, uma enzima
mitocondrial. Ocorre a descarboxilação do 5-hidroxitriptofano,
originando a serotonina, pela enzima citoplasmática aminoácido
descarboxilase aromático. Esta enzima é largamente distribuída nos
tecidos e é essencial para a síntese de neurotransmissores
catecolamínicos. A enzima N-acetil transferase (NAT) promove a
N-acetilação da serotonina. A NAT está presente no citoplasma do
penealócito e também na retina (arilalquilamina N- acetil transferase),
Apresentando propriedades específicas, distintas de sua atuação em
outros tecidos. O passo final é a O-metilação da N-acetil serotonina,
pela hidroxiindol-O-metiltransferase (HIOMT), originando a melatonina. A
variação da serotonina na pineal durante o dia, assim como os níveis de
HIONT demostram a primeira evidência da atividade rítmica metabólica da
pineal, com incremento da atividade desta enzima no período da noite e
supressão durante o dia. Estes fatores fundamentam o conceito de que a
pineal é um transdutor fotoneuroendócrino. YAMADA, N. et al. (1.996)
estudaram radiológicamente calcificações cerebrais através de
ressonância nuclear magnética, utilizando GRE (gradient-recalled echo).
O objetivo era promover um modelo para diferenciação radiológica entre
hematomas e calcificações cerebrais. Assim, detectou em 13 pacientes com
calcificações em pineal e plexo corióide (dentre outros resultados
referentes a outras áreas cerebrais, em mais ampla casuística), que
estas calcificações têm características diamagnéticas mais acentuadas
que a água e o tecido cerebral. Estas características ligadas a campos
magnéticos foram estudadas por SEMM,P. et al.(1.980), no que diz
respeito aos efeitos do campo magnético terrestre e a atividade elétrica
de células da glândula pineal. Os pesquisadores concluem que a atividade
é deprimida pela aplicação de uma força magnética, e restaurada quando a
força é revertida. Observam também que outras estruturas
cerebrais(coliculos superior e inferior, corpo caloso e epitálamo) em
idênticas condições experimentais, não tiveram reação alguma à aplicação
de força magnética, em experiências realizadas em guinea pig. Ressaltam
ainda que o sistema nervoso simpático também sofrem influências de
campos magnéticos, assim o efeito na pineal poderia ser indireto.
REITER, R. J. (1.991) em interessante estudo sobre o assunto, conclui
que campos magnéticos e elétricos alteram o metabolismo de indolamina na
pineal, mas tais alterações também poderiam vir por vias indiretas. A
glândula pineal e seu principal hormônio, a melatonina, implicando na
regulação dos ciclos biológicos, tem importância fundamental em
medicina, seja na compreensão da ritmicidade de atuação de medicamentos
no organismo, os ciclos hormonais e as alterações, psiquiátricas
decorrentes de distúrbios dos ritmos biológicos, como a insônia e a
depressão. Em interessante estudo de 26 casos de pacientes com síndrome
de Down, por ARAI, Y. et al. (1.995), procura-se ligar a presença de
calcificações intracranianas(inclusive pineal e plexo coróide) com
sintoma de envelhecimento. SANDYK,R. (1.993) busca relacionar
calcificação da pineal e esquisofrenia crônica. Seus achados sugerem que
tanto danos diencefálicos como calcificação da glândula pineal podem
estar relacionados com desorganização do pensamento na esquisofrenia,
assim como com um prognóstico desfavorável.
Métodos Anatómicos de Estudo da Pineal
BINKLEY, S. (1.998) ressalta que a pineal pode ser estudada pela
microscopia de luz utilizando técnicas histológicas convencionais. Após
preparo e fixação em formalina, solução de Boin ouglutaraldeido; em
bebição em parafina, secção com micrótomo ou ultramicrótomo e coloração,
por exemplo, com hematoxilina-eosina. Muitas pineais são pequenas e
requerem algumas mudanças técnicas no preparo. Também as concreções
podem dificultar os cortes ao micrótomo. Quanto a microscopia eletrônica
BINKLEY, S. (1.988) ressalta a importância da varredura na análise da
anatomia da superfície, estuda da vasculatura e concreções da glândula
pineal. GOLDSTEIN, J. I. explicam que além da possibilidade da análise
tridimensional, com efeitos de contrastes dados por elétrons secundários
ou retroespalhados, a microscopia eletrônica de varredura pode estar
acoplada ao espectômetro de raio-x por dispersão de energia (EDS),
possibilitando a microanálise quantitativa de elementos minerais, como é
o caso das concreções da pineal. Estes estudos nos induzem à necessidade
de pesquisas, dada as possibilidades de aplicação médica, para uma
melhor compreensão do padrão evolutivo da formação das concreções, o
envolvimento celular, localização das concreções na pineal, natureza
químico e estrutural e estudo do padrão de cristalinidade do material,
na glândula pineal humana.
PROPOSIÇÃO
Em face dos dados encontrados na literatura consultada, propomos
analisar:
1- Os aspectos histológicos do corpo pineal empregando a coloração de
hematoxilina - eosina.
2- Os aspectos tridimensionais do corpo pineal empregando vários métodos
em microscopia eletrônica de varredura.
3- Os aspectos obtidos em microscopia da varredura por emissão de raio-x
e difração de raio-x
MATERIAL E MÉTODOS
O material consiste de 8 pineais de cadáveres humanos coletadas junto ao
Serviço de Verificação de Óbito da Faculdade de Medicina da USP. Este
material foi distribuído da seguinte forma: 2 pineais humanas sem
identificação foram utilizadas em microscopia de luz; 2 pineais para
microscopia eletrônica de varredura, sendo que a segunda amostra é de
cadáver humano com idade de 61 anos, masculino, branco, com causa mortis
por tromboembolismo pulmonar tendo como patologia de base neoplasia de
pulmão ( foi utilizado também o plexo corióide adjacente a esta
glândula, para microscopia eletrônica de varredura); 2 pineais para EDS,
sendo a primeira de cadáver humano com idade de 80 anos, feminino,
branco, com a causa mortis de infarto agudo do miocárdio e a segunda com
idade de 59 anos, feminino, parda, com causa mortis por insuficiência
respiratória; 2 pineais para difração de raio-x, a primeira
correspondente a 31 anos, masculino, branco, com causa mortis de infarto
hemorrágico do tronco cerebral, tendo como patologia de base hipertensão
arterial sistêmica, sendo a segunda amostra de 28 anos, masculino, sem
especificação de cor, com causa mortis de infarto agudo do miocárdio.
1 - MICROSCOPIA DE LUZ:
Após a retirada do encéfalo 2 glândulas pineais foram coletadas e
fixadas em solução de formalina a 10% por período de 48 horas. Em
seguida as peças foram lavadas em água corrente, desidratadas em série
crescente de álcoois e submetidas a tratamento de rotina para inclusão
em parafina e realização dos cortes histológicos. Foram realizados
cortes de 07 mm que foram corados pelo método de Hematoxilina-Eosina. As
lãminas foram observadas em microscópio Olympus do departamento de
Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
Paulo. As lâminas selecionadas para a documentação foram fotografadas em
fotomicroscópio Zeiss do Departamento de Anatomia do ICB/USP.
2 - MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE VARREDURA Após a retirada do encéfalo, 2
glândulas pineais foram coletadas e fixadas em solução de Karnovsky
modificada, durante 24 horas. Após esta fase o material foi lavado em
solução tampão fosfato de sódio, 0,1M (ph 7,2) sendo colocado
posteriormente em solução de ácido tânico 2% durante 2 horas a
temperatura ambiente. Em seguida o material foi lavado em solução tampão
fosfato de sódio 0,1M (ph 7,2) e pós fixado em tetróxido de ósmio
durante 2 horas a 4 oC. A desidratação foi realizada em série ascendente
de álcois e a secagem foi feita em aparelho de ponto crítico Balzers,
CPD-030, utilizando CO2 líquido. As peças foram montadas em bases
metálicas e cobertas com ouro em aparelho de Íon Sputter Balzer - SCD -
040 e posteriormente analisadas em microscópio eletrônico de varredura
Jeol, JSM-6100 do ICB-USP. Parte do material, após fixação, foicolocado
em nitrogênio líquido e fraturado para evidenciação das concreções
calcáreas. Em seguida foi empregada a mesma metodologia acima mencionada
para observação ao microscópio eletrônico de Varredura.
3 - MICROANÁLISE E DIFRAÇÃO DE RAIO-X Para análise dos cristais 2
glândulas pineais foram digeridas em solução de NaOH a 10% durante 24
horas. Em seguida o material foi lavado em água destilada durante 72
horas para completa liberação das concreções. Após o isolamento dos
cristais, os mesmos passaram por um processo de secagem à temperatura
ambiente. Para o preparo das concreções, para visualização e
microanálise ao microscópio de varredura por espectroscopia de raio-x,
foi providenciado o polimento do material, realizado por equipe técnica
da Faculdade de Geologia da USP. A seção polida consistiu de impregnação
do material em resina epox com posterior polimento do mesmo com pastas
de diamante em quatro seções. A primeira com pasta de partículas de
diamante com 15 micrômetros de diâmetro. Depois progressivamente com
pastas mais finas até partículas de diamante com 1 micrômetro de
diâmetro. As concreções polidas são analisadas em dois aparelhos
acoplados:
a. Microscópio Eletrônico de Varredura por Elétrons Retroespalhados -
Microscópio marca Leica - modelo S 440 do Laboratório de Tecnologia da
Escola Politécnica da USP - Engenharia de Minas. Para esta análise as
lâminas com cristais polidos são recobertas com finas camadas de
carbono, por evaporação de carbono.
b. Microanálise - Espectrômetro de Raio-X por dispersão de energia
(EDS). Este aparelho é acoplado ao Microscópio Eletrônico de Varredura
por Elétrons Retroespelhados permitindo a análise da composição química
do material. Para estuda da cristalinidade do material assim como a
caracterização do material, foi utilizado um Difratômetro de Raio-X
Marca Phillips MPD 1880 - PW 1710 com tubo de cobre (gerador de Raio-X).
O material foi prensado com êmbolo manual para minimizar problemas de
orientação preferencial, permitindo com que os planos dos cristais
fiquem aleatórios, utilizando a fidelidade dos resultados. A amostra,
para este procedimento, foi montada sobre uma lâmina de vidro circular
com 2,5 cm de diâmetro e fixada com cola de estrutura amorfa (não
interfere nos resultados da difração).
RESULTADOS
Os resultados obtidos na presente investigação estão divididos em três
partes:
1 - Microscopia de luz Na análise das lâminas histológicas verifica-se a
estrutura da glândula pineal constituída por um parênquima celular
associado a trabéculas contendo fibras conjuntivas (Fig.1). Nota-se a
distribuição de grânulos de maior densidade e de coloração mais intensa
que correspondem às concreções calcáreas de formas circulares e em
mórula (Fig. 2).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
1 - Microscopia de Luz. Aspecto Geral da glândula pineal humana
mostrando os grânulos (*) e tecido conjuntivo (setas). 100X
Coloração: H-E. |
|
Fig.
2 |
|
Fig.
3 - Microscopia de
Luz. Mostra a distribuição de concreções calcáreas (*) e tecido
conjuntivo (setas). 150X Coloração: H-E. |
Observamos que na região
onde estas concreções estão presentes existe uma menor densidade do
componente celular. Pode-se observar formações em diversos estágios, com
vários grupos de lamelas concêntricas agrupadas. Em posição satélite,
estruturas com núcleo único rodeado por formações puntiformes com
tendência à agregação (Fig. 1 e 2) Rodeando as formações observa-se
células de núcleo oval e citoplasma com expansões dendritiformes, que
podem corresponder às células gliais ou penealócitos (Fig. 1). As
concreções observadas apresentam-se circuncritas por uma rede de células
e fibras que compõem um alvéolo (Fig. 2).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
4 - Microscopia de
luz. Mostra em maior aumento, agrupamento de formações cálcicas.
200X Coloração: H-E. |
|
Fig.
5 - Microscopia de
Luz. Mostra agrupamento de concreções cálcicas(*) e tecido
conjuntivo contendo as células (setas). 100X Coloração: H-E. |
|
Fig.
6 - Microscopia
eletrônica de Varredura. Observa-se as concreções cálcicas
envoltas pela capa de tecido conjuntivo (setas). 440X. |
Uma intensa agregação de
concreções cálcicas são observadas no interior do parênquima circundado
pelos feixes de tecido conjuntivo. Em áreas adjacentes, nota-se as
concreções isoladas de vários diâmetros (Fig. 3). Em maior aumento da
figura 3 pode-se identificar os agrupamentos de formações cálcicas
constituindo estruturas mais complexas (Fig. 4). A Fig. 5 revela
estruturas contendo grande quantidade de células correspondente ao
tecido mais profundo do corpo pineal. Na parte superficial pode-se notar
essencialmente as concreções cálcicas de vários tamanhos envoltas por
fibras colágenas entremeadas de células. A superfície da glândula pineal
humana observada ao microscópio eletrônico de varredura, observa-se uma
forma esférica revestida por tecido fibroso, contendo três folhetos
(Figs. 6 e 7).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
7 - Microscopia
eletrônica de varredura. Mostra uma concreção calcárea, em maior
aumento, evidenciando os folhetos de tecido conjuntivo envolvente
(setas). 1000X. |
|
Fig. 8 -
Microscopia eletrônica de varredura. Revela a superfície do
corpo pineal evidenciando os capilares ( setas). 390X. |
|
Fig.
9 - Microscopia eletrônica de varredura. Aspecto geral da
superfície de fratura do corpo pineal, monstrando a distribuição
das concreções 100X. |
Na superfície do corpo
pineal observa-se os relevos de diferentes alturas, mostrando as
elevações de concreções subjacentes. No tecido conjuntivo observa-se os
trajetos sinuosos de pequenos vasos (Fig. 8). A estrutura interna da
glândula pineal mostra-se constituída por parênquima celular e tecido
conjuntivo rico em fibras (Fig.9). As concreções calcáreas estão
localizadas no parênquima da glândula pineal sendo mais abundante na
região periférica (Fig.9). Em maior aumento a Fig. 10 revela as
concreções calcáreas constituídas por grupamentos de pequenos grânulos
tendo a região central fundida, como um corpo sólido. A distribuição
destes grânulos na superfície das concreções está arranjada
assemelhando-se a pequenas amoras (Fig. 10).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
10
- Microscopia eletrônica de varredura. Mostra as concreções
calcáreas maiores ( setas maiores) e menores (setas menores) e
tecido conjuntivo adjacente(*) 300X. |
|
Fig. 11 - Microscopia
eletrônica de varredura. Mostra os detalhes de concreções
revestidas por feixes de fibras colágenas. 800X . |
|
Fig.
12 - Microscopia eletrônica de varredura. Em maior aumento
revela a superfície de uma concreção calcárea (*) e feixes de
fibras colágenas. 1800X. |
Nas áreas adjacentes a
esses agrupamentos verifica-se a presença de concreções menores em
grande quantidade (Figs. 9 e 10). A superfície de concreção calcárea é
revestida por feixes de fibras colágenas (Fig. 11). Em maior aumento
pode-se notar nitidamente os feixes de fibras colágenas orientados e
percorrendo no interior do sulco entre as projeções calcáreas
arredondadas (Fig. 12). Nas áreas adjacentes, observa-se as células com
as suas expansões citoplasmáticas (Fig. 12). Na superfície da porção
calcária, após a remoção do tecido conjuntivo, observa-se formações em
aspecto de circunvolução cerebral (Fig. 13).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
13
- Microscopia eletrônica de varredura. Nota-se as formações
superficiais de concreções em aspecto de circunvolução cerebral.
2100X. |
|
Fig. 14 - Microscopia
eletrônica de varredura. Aspecto geral da superfície do corpo
pineal, evidenciando as formações calcáreas (seta maior), tecido
conjuntivo (*) e capilares ( seta menor) 300X. |
|
Fig.
15 - Microscopia eletrônica de varredura. Mostra o aspecto de
uma fratura do corpo pineal com várias formações calcáreas (*). A
cápsula de cada formação é evidenciada (seta) 390X. |
Na superfície de fratura
por congelação por Nitrogênio líquido, houve a separação do tecido
conjuntivo, o que revelou as formações superficiais granulares e as
porções internas da estrutura calcárea (Fig. 14). Ao lado das estruturas
calcárias nota-se o feixe de fibras colágenas e capilares sanguíneos
(Fig.14). As formações calcáreas fraturadas transversal ou obliquamente
mostram as estruturas maciças de tecido mineralizado e a cápsula de
tecido conjuntivo envolvendo cada uma das formações (Fig.15). Nas áreas
adjacentes à fratura, a formação cálcica revela as diferentes elevações
correspondentes às circunvoluções e o tecido conjuntivo adjacente (Fig.
16).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
16
- Microscopia eletrônica de varredura. Em maior aumento, nota-se
a superfície fraturada de uma concreção e tecido conjuntivo
adjacente. 3300X. |
|
Fig. 17 - Microscopia
eletrônica de varredura. Em maior aumento, revela uma projeção
lateral da concreção (*) e tecido conjuntivo adjacente
constituindo a cápsula (seta). 8000X. |
|
Fig.
18 - Microscopia eletônica de varredura. Mostra o aspecto
geral de uma superfície de fratura, evidenciando as formações
calcáreas (*) e as lojas (**). 160X. |
Em maior aumento, da Fig.
Anterior nota-se nitidamente as superfícies da formação calcária e a
camada de tecido conjuntivo da cápsula (Fig.17). Após a remoção das
concreções calcárias observa-se as cavidades que as alojavam(Fig. 18).
Na superfície interna mostra os contornos superficiais de cada uma das
projeções calcárias (Fig. 18). Nas áreas adjacentes observa-se as
concreções fraturadas e estruturas conjuntivas (Fig.18). A figura 19
mostra a superfície interna da cavidade após a remoção da concreção,
identificando uma lamela calcária aderida à superfície.
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
19
- Microscopia eletrônica de varredura. Evidencia as superfícies
das formações calcáreas e o fundo da cavidade revestido por
fibras colágenas (*) 600 X. |
|
Fig. 20 - Microscopia
eletrônica de varredura. Mostra em maior aumento o fundo da
cavidade evidenciando espessos feixes de fibras colágenas. 1300X. |
|
Fig. 21
- Microscopia eletrônica de varredura. Mostra em maior aumento, a
estrutura calcificada aderida à lamela (*). 4500X. |
Nas áreas adjacentes
nota-se as superfícies das concreções e feixes de fibras colágenas. Em
maior aumento revela a superfície interna da lamela (Fig. 20). A
superfície interna, em maior aumento, revela nitidamente a estrutura
calcificada a lamela aderida à cavidade (Fig. 21). Após a digestão a
superfície revela a presença de fibras colágenas espessas (Fig. 22).
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
22
- Microscopia eletônica de varredura. Mostra em maior aumento a
disposição de feixes de fibras colágenas do fundo da cavidade
(*). 650X. |
|
Fig. 23 -
Microscopia
eletrônica de varredura. Mostra uma superfície da concrecção
cálcica e evidenciando as estruturas internas. 3900X |
|
Fig. 24
- Microscopia eletrônica de varredura. Em maior aumento,
evidencia as formações lamelares (setas). 6900X. |
Após a fratura da concreção
cálcica, nota-se a formação interna evidenciando as lamelas concêntricas
(Fig. 23). Cada uma das projeções calcicas de uma formação maior,
possuem a estrutura lamelar evidenciada nas Figs. 23 e 24. A Fig. 24
mostra nitidamente a caracterização das lamelas nas duas superfícies de
fratura. Na Fig. 25 observa-se em maior aumento de padrão de lamelas
concêntricas da porção superficial da projeção cálcica.
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig.
25
- Microscopia eletrônica de varredura. Mostra em maior aumento, a
disposição de lamelas da estrutura calcárea. 10500X. |
|
Fig. 26 -
Microscopia
eletrônica de varredura. Mostra em maior aumento, os detalhes do
núcleo interno da formação calcárea. 22500X. |
|
Fig. 27
- Microscopia eletrônica de varredura. Mostra as vilosidades do
plexo coróide. 1200X. |
O detalhe do núcleo interno
de cada projeção cálcica é notada na Fig. 26, como tendo uma lamela em
aspecto tridimensional. Ao microscópio eletrônico de varredura pode-se
detectar a presença de microvilosidades plexo coróide (Fig. 27).
2 - Microscopia eletrônica de varredura com espectrometria de Rx por
dispersão de energia (EDS). A microanálise revelou a presença de cálcio,
fósforo e oxigênio em quantidade expressiva nas concreções, além de
sódio, magnésio e alumínio em quantidade residual (tabelas numeradas de
1 a 12). Foi constatado que o oxigênio presente está associado ao cálcio
e ao fósforo formando óxidos, e não na forma livre. Pode -se constatar
uma relação de 2/1 na coposição cálcio fósforo, sendo que estes níveis
se mantém na superfície ou no centro das concreções analisadas. Aspectos
morfológicos podem ser observados: a Fig. 28 mostra diversos padrões de
concreções uni e multinucleadas.
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig. 28 - Microscopia
de varredura por emissão de raio X, mostra concreções calcáreas
de múltiplas formas. |
|
Fig. 29 - Microscopia
de varredura por emissão de raio X, aproximação de uma das
concreções demonstrando a agregação de múltiplas unidades de
lamelas concêntricas formando lóbulos. Observa-se rachadura se
formando durante a observação ao microscópio. |
|
Fig. 30
- Microscopia de varredura por emissão de raio-x, aproximação
demonstrando o padrão de artefato por perfuração causado pelo
feixe de elétrons. As rachaduras têm [portanto outra origem, não
sendo causada pela incidência do feixe eletônico. |
Em maior aumento (Fig. 29), focalizamos
uma das concreções, a qual apresentou rachadura que se formou durante a
observação. A Fig. 30 mostra uma aproximação após teste com aumento da
incidência do feixe de elétrons com o objetivo de reproduzir novamente o
fenômeno da rachadura. Observou - se que o feixe incidido não reproduziu
o fenômeno, apenas perfurando a cocreção, tendo a rachadura
possivelmente outra causa a ser discutida. A Fig 31 mostra concreção
multinucleada com padrão pouco definido.
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig. 31 - Microscopia
de Varredura por emissão de raio X, mostrando concreções
calcáreas com lamelas concêntricas. |
|
Fig. 32 - Microscopia
de varredura por emissão de raio X, detalhes de uma concreção
calcárea monstrando lamelas concêntricas em zig-zag. MICROANÁLISE
Fig. 32. |
|
Fig. 33
- Microscopia de varredura por emissão de raio X , mostrando
concreção multilobulada apresentando lamelas concêntricas em
regiões lobulares. As rachaduras são artefacto de técnica.
MICROANÁLISE Fig. 33. |
A Fig. 32 mostra o aspecto de
acavalamento de camadas concêntricas, na forma de zig-zag,
correspondendo a concreção de uma amostra de pineal de idade senil. As
Fig. 33 e 34 apresentam aspecto multinucleado e os padrões lameados
visíveis nos nóbulos.
|
 |
|
 |
|
 |
|
Fig. 34 - Microscopia
de varredura por emissão de raio X, mostrando concreção cujas
áreas mais claras ou mais escuras indicam diferença de concreção
de cálcio. A intensidade da variação cromática não corresponde à
pouco significativa diferença detectada na análise química das
partes estudadas. MICROANÁLISE Fig. 34. |
|
Fig. 35 - Microscopia
de varredura por emissão de raio X, detalhe de estrutura porosa
da concreção. Ainda assim, observamos lamelas concêntricas.
MICROANÁLISE Fig. 35. |
|
Fig. 36
- Microscopia de varredura por emissão de raio X, detalhe de uma
concreção mostrando destruição da parte interna por artefato de
técnica. MICROANÁLISE Fig. 36. |
O contraste das áreas claras e escuras em
realidade não se apresentam na intensidade mostrada na figura, pois esta
objetiva a microanálise quantitativa; portanto, o contraste acentuado
apresentado é um artefacto da técnica utilizada. A micrografia Fig. 35
mostra aspecto com inúmeros poros correspondentes a áreas ocupadas por
material orgânico digerindo no preparo da amostra. Observamos em
inúmeras micrografias, concreções com as rachaduras, devido, ao artefato
de técnica.
A Fig. 36 mostra uma concreção uninucleada com destruição,
por artefato de técnica, do material interior e preservação do aspecto
da superfície, que se apresenta bem delineada. As tabelas numeradas de 1
a 12 mostram quantitativamente os elementos constituintes das
concreções, sendo que em média a relação Ca/P se comporta de 2/1 tanto
em região central como em região periférica.
Os elementos magnésio,
alumínio e sódio, e em algumas amostras ( tabela 6) traços de ferro
apresentam-se sempre em quantidades residuais.
O oxigênio presente em
quantidade significativa apresenta-se na forma de óxido, como podemos
constatar nas tabelas 1 e 2.
3 - Difração de Rx A
análise mostra picos catacterísticos das ondas de Bragg ( gráficos 1 e
2), evidenciando a presença de formações cristalinas.
|
 |
|
Gráfico 2 |
Comparando com o padrão difratográfico da apatita no
gráfico conjugado (linhas verticais), demonstramos que as concreções
calcáreas são cristais de patita. Os picos são pouco intensos e muito
largos, indicando que o material é de baixa cristalinidade. No entanto,
fatores relacionados ao preparo da amostra, como a pouca quantidade do
material analisado, tamanho do grão e fatores instrumentais, também
dificultam os resultados do difratômetro. A pouca quantidade da amostra
se dá pelo fato de termos colocado para a análise das concreções de
pineal com características individuais. O procedimento é importante para
se verificar o grau de cristalinidade individual das concreções em
pineais humanas. Os gráficos obedecem à equação de Bragg, n.L= 2d sem O,
onde "n"representa o número de planos, "L" o comprimento de onda, "d"
distância entre os planos paralelos sucessivos e "O" o ângulo de
incidência e reflexão do feixe de raio-x. Nos gráficos, as ordenadas
informam a necessidade relativa dos picos, e as abcissas o ângulo "O".
Os picos relacionam - se aos planos cristalinos característicos da
amostra analisada. A presença destes picos confere que o material
analisado obedece à equação de Bragg e comprova ser de estrutura
cristalina.
DISCUSSÃO
Da estrutura da glândula pineal humana pudemos analisar aspectos
anatômicos do corpo pineal, como as cápsulas conjuntivas envolvendo as
concreções, os alvéolos (cavidades no interior das cápsulas) e vasos
sangüíneos justapostos à pia-máter em área marcada pela presença de
concreções. As cápsulas são compostas por células conjuntivas e fibras
como pudemos observar nas lâminas de microscopia óptica, consistindo de
múltiplas camadas conjuntivas concêntricas, aderidas à superfície das
concreções observadas à microscopia eletrônica de varredura. As lamelas
calcáreas da superfície das concreções deslocadas dos alvéolos, se
destacam do corpo das mesmas e permanecem aderidas à rede conjuntiva da
cavidade alveolar. Histologicamente observamos aspectos do parênquima,
tecido conjuntivo e concreções calcáreas. No que diz respeito ao
parênquima não foi possível a discriminação dos tipos celulares
constituintes, como pinealócitos claros e escuros, células da glia,
neurônios e mastócitos, já que a microscopia óptica não permite uma
definição clara destes tipos celulares quando utilizamos a coloração de
H.E. (TAPP), E. & HUXLEY, M., 1972). No entanto foi possível discriminar
regiões com predomínio de células e fibras conjuntivas daquelas com
predomínio de células parenquimatosas. Na microscopia óptica ficou
evidente que as concreções calcáreas estão presentes em áreas com
predominância de tecido conjuntivo, estando ausentes em áreas
parenquimatosas, observada em pineal profunda. A microscopia de
varredura demonstra que as áreas com presença de concreções são regiões
mais superficiais, preservando a pineal profunda, onde estão ausentes.
Os métodos utilizados para estudo da estrutura da pineal favoreceram a
observação predominante do tecido conjuntivo e principalmente das
concreções calcáreas. A microscopia eletrônica por espectro metria de
raio -x por dispersão de energia (EDS) permitiu o estudo da composição
das concreções e uma visão da morfologia interna destas estruturas. Com
a difração de raio-x identificamos a estrutura do arranjo atômico dos
elementos que compõem as concreções, permitindo a verificação do grau de
cristalinidade do material. Assim, os dados do presente trabalho
demonstram os aspectos da presença de formações calcáreas na glândula
pineal humana, conforme detectado por KITAY, J. & ALTSCHULE, M. (1.954)
e HEIDEL, G. (1965). A observação de que as formações calcitas
distribuem - se aleatoriamente em toda a extenssão da glândula pineal
humana numa camada superficial, estando ausente na região profunda da
glândula, está de acordo com os resultados de JAPHA, J. L. et al.
(1976). O método de fratura por congelação em nitrogênio líquido,
evidencia que o padrão lamelar tem um aspecto tridimensional consistindo
de uma espessura e textura específica. O arranjo lamelar concêntrico
ocorre em cada lóbulo da concreção em mórula. O padrão lamelar parece
ser uma estrutura dinâmica que está relacionada a idade em humanos
(SCHMID, H.A. & RAYKHTSAUM, G., 1995), sendo que observamos em cada
lóbulo um padrão funcional unitário. Este dado pode nos dar o indicativo
da dimensão de uma unidade funcional do processo de mineralização na
pineal. Os dados do presente trabalho revelam que a concreção não é uma
estrutura estática mas metabolicamente ativa, havendo a formação em
vários estágios, desde os menores até os maiores, de acordo com a
agregação de lamelas em uma unidade funcional, e a agregação destas
unidades em um maciço em forma de mórula. Este sapecto
dinâmico-funcional é evidenciado por SCHMID, H. A. & RAYKHTSAUM, G.
(1995), HUMBERT, W. & PÉVET, P. (1995) e ressaltados por BINKLEY, S.
(1988) Foi demonstrada uma estrutura lamelar tridimensional, por
aposição de camadas numa formação secundária por depósitos sucetivos de
cálcio, fósforo, resíduos de magnésio, alumínio, e às vezes ferro,
evidenciado pela microanálise. A justaposição de camadas provoca a
formação em zig-zag, característica da senilidade, conforme pudemos
constatar nas imagens por EDS. Este aspecto foi evidenciado
anteriormente por SCMID, H. A. & RAYKHTSAUM, G. (1995); no entanto, ao
contrário destes autores, não encontramos diferença de concentração na
relação cálcio/fósforo relativamente a região central ou periferia das
concreções em nossa amostragem, embora os autores supracitados tenham
analisado na verdade aspectos do centro e camadas intermediárias das
concreções. As camadas concêntricas lamelares estão presentes em cada
lóbulo de uma concreção em forma de amora, dando a idéia de que esta
seja uma unidade funcional da concreção e a mórula, uma agregação destas
unidades funcionais; a fusão das unidades forma um maciço central,
examinadas em nossas amostras. É importante observar que o aspecto
circular das lamelas está delineado previamente pela deposição da rede
fibrosa conjuntiva da cápsula, também organizada em folhetos
concêntricos. Entretanto, o mecanismo do processo de mineralização
ocorre na forma de um ponto calcificado, sendo que esses pontos
calcificados têm a proporção de uma célula. Este dado observado à
microscopia óptica pode ser mensurado nas imagens por microscopia
eletrônica de varredura e EDS, observando-se que os núcleos das
concreções com cerca de 10 micrômetros de diâmetro tem proporções
celulares ( JUNQUEIRA, L.C. & CARNEIRO, J.; 1985). Isto sugere a co
participação da mineralização a partir do conteúdo celular. No entanto,
conforme foi observado em nossos resultados, a estrutura fibrosa
circunjacente às concreções, sugere a participação do tecido conjuntivo
no processo de mineralização. A localização mais superficial das
concreções na pineal, pode ser interpretada pela maior proximidade com a
pia-mater, reforçando a hipótese do envolvimento do tecido cunjuntivo
neste processo. A matriz conjuntiva pode ser a estrutura precipitadora
numa região de alto metabolismo de cálcio, no metabolismo da produção de
melatonina, confrome ressaltam SCHMID, H. A. & RAYKHTSAUM, G. (1995).
WUTHIER, R.E. (1973) faz menção a duas hipóteses sobre os mecanismos de
biomineralização: a hipótese celular e a conjuntiva. Em nossos
resultados encontramos bases morfológicas que sustentam tanto a hipótese
da origem celular, como a de origem matricial c |